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Jefferson deixa discussão em campo com Seedorf de lado: 'Morre ali'

Oswaldo minimiza o fato e exalta liderança do holandês. Gabriel diz que ele às vezes pega pesado ao dar bronca, mas reconhece quando se excede

 

Por Guilherme van der Laars e Thales Soares Rio de Janeiro


Seedorf e Oswaldo de Oliveira na partida do Botafogo e Flamengo (Foto: Márcio Alves / Ag. O Globo) 
Seedorf e Oswaldo de Oliveira conversam durante
o clássico (Foto: Márcio Alves / Ag. O Globo)
 
 
Durante o primeiro tempo do clássico com o Flamengo, domingo, no Engenhão, uma discussão à distância entre Jefferson e Seedorf chamou a atenção. Na ocasião, o Botafogo perdia por 1 a 0 e um chutão do goleiro para a frente irritou o holandês, que fez gestos reclamando de sua atitude. A resposta aconteceu no mesmo tom.

Um dos protagonistas da história, Jefferson deixou claro que o fato não vai influenciar no seu relacionamento com Seedorf. Ele mantém sua admiração pelo companheiro e afirmou que o acontece no campo fica no campo.

- Isso acontece sempre, com vários jogadores. Como envolveu o Seedorf, teve uma repercussão maior. Ele é um grande jogador e o admiro demais. A cobrança vai sempre existir, pois qualquer jogador em campo está com o sangue quente, mas cada um tem sua postura. Não dá para pedir por favor, mas é preciso ter respeito. Na hora, não concordei com a maneira que ele falou e tenho minha posição. Mas o que acontece no campo morre ali. Sem ressentimento algum - afirmou Jefferson.

O técnico Oswaldo de Oliveira minimizou o caso, apesar da declaração de Jefferson na saída de campo para o intervalo, afirmando que "não é Seedorf que tem que querer. É o Oswaldo. A gente faz o que pode ali atrás. Se der, a gente sai jogando. Se não der, vai dar chutão mesmo". O comandante garantiu que o fato faz parte do passado.

- É natural, é uma coisa que a gente discute. Dentro do intervalo nós procuramos racionalizar isso, porque nós vimos o Flamengo jogar, sabíamos que eles pressionam, como nosso time faz também, como a maioria das equipes fazem, não dar chance ao adversário de se organizar. Então eles conversaram durante o jogo, nós conversamos durante o intervalo e no final do jogo isso foi conversado novamente. Está tudo bem, são dois profissionais que têm plena consciência daquilo que eles têm que fazer, não nos causa problema algum - disse Oswaldo.

O bacana dele (Seedorf) é que ele também procura se ajustar, também aceita quando sofre críticas, tem sido uma relação muito saudável dele com os outros jogadores, isso tem ajudado nosso trabalho"
Oswaldo de Oliveira
 
Não foi a primeira vez que Seedorf demonstrou em campo sua irritação. Nos treinamentos, ele já havia protagonizado uma reclamação contra a atitude dos companheiros durante um período de concentração em Saquarema, no qual chegou a arremessar um copo com água no chão. Em uma atividade no Engenhão, teve uma rápida discussão com Antônio Carlos. No vestiário, já se desentendeu com Fábio Ferreira, que deixou o clube, emprestado ao Criciúma.

Apesar disso, Seedorf é bem visto pelos companheiros, como uma peça fundamental no objetivo do Botafogo de voltar a conquistar títulos importantes. Oswaldo considera sua liderança extremamente positiva e não acha que um fato como o que aconteceu no clássico seja capaz de atrapalhar o relacionamento do grupo.

- (A liderança de Seedorf é) muito positiva, é um contraste, é uma posição diferente, o bacana dele é que ele também procura se ajustar, também aceita quando sofre críticas, tem sido uma relação muito saudável dele com os outros jogadores, isso tem ajudado nosso trabalho - afirmou Oswaldo.

No grupo, Seedorf tem Gabriel, de 20 anos, como um dos jogadores mais próximos, principalmente pelo período que passaram juntos logo em sua chegada em julho do ano passado. O jovem abre o jogo e fala que o holandês realmente pega pesado em alguns momentos.

- Todo mundo quando vai dar uma bronca está de cabeça quente e pega um pouco mais pesado do que deve, mas depois ele reconhece também, a gente conversa no vestiário, toma um banho, fica tranquilo, esfria a cabeça. Aí ele até sabe que exagerou um pouquinho, vem conversar com a gente, isso é muito importante. É um cara experiente, de 36 anos. Ele ganhou tudo isso no futebol não é à toa. A gente sabe, os mais jovens e até os mais experientes, que tem que respeitar. O que ele está falando é para o bem do Botafogo - revelou Gabriel.