Terremoto faz Scheidt querer voltar
Zagueiro tem regalias no seu time, mas família não aguenta mais a China
Felipe Carneiro Rio de Janeiro
Divulgação/Divulgação
Shaanxi Baorong é vice-líder no Chinês
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Shaanxi Baorong é vice-líder no Chinês
Scheidt quer voltar para o Brasil. O zagueiro, que saiu de forma conturbada do Botafogo no fim de 2006, está jogando na China há um ano e até gosta de sua vida no país, mas a família se assustou com um terremoto de grandes proporções que passou pela sua cidade, Xian, e voltou para Porto Alegre. O jogador ficou em uma situação complicada, e agora torce para conseguir um clube para jogar “em português”.
- Minha família que quer que eu volte. Pegamos um terremoto brabo aqui, foi a gota d’água para eles. Tenho dois filhos, o menino tem cinco anos e a menina tem três. Até tentamos leva-los para a escola, mas é muito difícil. então eles voltaram – diz Scheidt, por telefone, ao GLOBOESPORTE.COM.
Não é para menos. O terremoto, que atingiu 7,8 graus na escala Richter, deixou mais de 8.000 mortos na China, em maio deste ano.
- No Japão, eu peguei uns terremotos pequenos, mas aqui foi punk! Estava no aeroporto quando começou tudo a tremer, os guardinhas mandando todo mundo correr. Foi um caos, eu não conseguia falar com minha família em casa... foi muito difícil.
Vida na China
Vida na China
Scheidt joga no Shaanxi Baorong, único time de Xian, cidade de 8 milhões de habitantes a 1.200 km de Pequim. A informação pode dar a impressão que os jogadores do clube são estrelas na região. Nada mais distante da verdade. O futebol não é dos esportes mais populares na China, e o time é pequeno.
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Scheidt tem uma série de regalias no clube
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Scheidt tem uma série de regalias no clube
- Estrutura é bem simples, mas o time é bom, o treinador é um cara legal. Os estrangeiros têm algumas facilidades, até. Aqui não tem muito assédio, não tem nem torcedor! O futebol não é tão divulgado, então eu saio na rua tranqüilo. O jogador diz que os estrangeiros têm alguma facilidade, mas na verdade são os chineses que têm “dificuldades”. Eles são obrigados a morar dentro do clube, comer o que os dirigentes mandam, dizer o que é permitido dizer.
Os brasileiros – Roni, ex-Sertãozinho; e Vicente, ex-Bahia, também jogam no Shaanxi Baorong – podem morar onde quiserem, comem em separado do restante do grupo (“Os caras comem tudo que anda:tartaruga, peixe, cérebro de animal. Nem tento experimentar”), treinam menos e ainda contam com um intérprete cada. É comum que times das categorias de base chineses façam intercâmbio no Brasil por grandes períodos – um ano é o mais comum -, por isso muitos jogadores locais falam português. E alguns viram intérpretes para os brasileiros.
- Inglês resolve boa parte das coisas, mas a gente usa o intérprete o tempo todo. Dá para tomar café, por exemplo, mas banco, compras... essas coisas a gente precisa do cara.
Com 20 partidas jogadas – o Campeonato Chinês tem 16 times - o Shaanxi Baorong ocupa a vice-liderança da classificação, atrás apenas do Shandong Luneng, que tem três pontos de vantagem – justamente no confronto direto, que o time de Scheidt perdeu. De qualquer maneira, o clube ainda está na briga pelo título, e mesmo o seguindo lugar dá vaga na Liga dos Campeões da Ásia de 2009, que é o grande objetivo do clube.
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Scheidt aproveita o tempo livre para fazer turismo
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Scheidt aproveita o tempo livre para fazer turismo
Problemas na China
Scheidt realmente gosta de viver no país, onde o custo de vida é barato, tem bons restaurantes, ele consegue comida brasileira nos supermercados, é muito bem tratado e seu clube briga pelo título. Mas, depois que a família voltou para o Brasil, ele começou a perceber defeitos na China.
- A poluição é muito forte mesmo. É muita construção, pra onde você olha tem prédio sendo construído, guindaste funcionando dia e noite, é caminhão pra tudo quanto é lado... a cidade fica até suja. Xian nem é tão grande, mas a população é enorme. Muito trânsito, muita gente amontoada. É como a hora do rush aí no Rio ou em São Paulo, mas aqui é o tempo todo!
O jogador já teve uma passagem pelo Japão, quando defendeu o Kawasaki Frontale em 97 e 98, mas garante que os países são muito diferentes. - O japonês é mais correto, é mais educado, as leis são severas. Aqui o pessoal é mais largado, é mais alegre, nada tem problema... Os caras andam na contramão e não tem problema, tudo está bom. É muita gente, o governo não dá conta de tantas pessoas.