Técnico não anda sem seu tablet e procura se manter moderno aos 61 anos
O Botafogo tenta se manter atualizado e um passo à frente do restante quando o assunto é tecnologia da informação. Desde 2008 implementando um sistema audiovisual moderno e completo para ter até os mínimos detalhes do desempenho de seu elenco e dos adversários, o clube vive o momento de maior exploração destes recursos. Aos 61 anos, Oswaldo de Oliveira jamais deixou de se atualizar e prova que a nova geração não está sozinha na compreensão do mundo high-tech. Seu estilo, portanto, casa com o investimento pesado nesta direção em General Severiano, já que há três profissionais contratados para alimentar suas palestras baseadas na interatividade. A meta do trio é não permitir que qualquer erro do time, seja em jogo ou mesmo treino, passe batido aos olhos da comissão.
Oswaldo de Oliveira não deixa de conferir seu tablet, artigo que não falta na bolsa (Foto: Satiro Sodré/Agif)
Virou rotina. Ao menos quatro vezes por semana, Oswaldo atrasa um pouquinho o princípio das atividades práticas para exibir a teoria aos jogadores. É uma mescla de repetição das partidas anteriores - editadas pela equipe que o auxilia - com os pontos fortes e fracos do próximo rival, além daquilo que ele quer na atividade que vai orientar a seguir. Segundo o chefe, a maneira didática de trabalhar é fundamental para servir a todos.
- Já ter uma noção do que você deve fazer é um estímulo para o campo. Se não está certo, eu não preciso gritar e explicar tanto. O próprio atleta se toca. Sem contar que a informação audiovisual atinge a qualquer tipo de escolaridade, o que, no futebol brasileiro, é sempre um desafio por causa da variante. É mais fácil mostrar a imagem do que explicar em outros termos - argumenta Oswaldo, que não anda sem seu tablet, que adquiriu assim que foi lançado.
Por conta das barreiras do idioma, o uso da tecnologia foi reforçado nos cinco anos de Japão, justamente no período em que os produtos evoluíram. O Kashima Antlers mantinha à sua disposição dois especialistas para fornecer informações - um brasileiro e um japonês. No Alvinegro, Oswaldo logo conheceu e se admirou com Jair Ventura, que também é auxiliar de campo, Thiago Larghi e Marcelo Xavier, conectados diariamente para providenciar tudo sobre estatísticas.
Thiago, Jair Ventura (ao fundo) e Marcelo mostram o trabalho (Foto: André Casado / Globoesporte.com)
- Notei que teríamos uma equipe própria e preparada para desenvolver essa trajetória de acordo com o que penso, então dispensei as indicações que eu faria. Estamos sempre em contato, verificando tudo o que está registrado. Eles participam bastante, é admirável a qualidade e o nível de conhecimento dessa comissão - elogiou Oswaldo.
Para isso, o trio aponta que o apoio da diretoria tem sido fundamental.
- O mais interessante é que essa análise de desempenho e produtividade faz parte de uma ideologia atual do clube, de sempre pensar à frente. Se é possível facilitarmos e termos rapidamente em mãos um material detalhado sobre tudo o que pode nos dar vantagem, não há razão para não fazermos. A aquisição de equipamentos, a criação de uma sala especial para nós, entre outras coisas, fez com que pudéssemos nos dedicar 100%. O responsável por essa visão foi o Anderson Barros (gerente de futebol), que garantiu o respaldo financeiro - contou Thiago, no Botafogo desde o princípio de 2011, quando o projeto decolou definitivamente.
A divisão é feita da seguinte forma: apadrinhado por Ney Franco, Jair, filho do ex-atacante Jairzinho, viaja para fotografar todos os rivais, seja por Campeonato Brasileiro, Sul-Americana ou Carioca. Passa as informações básicas à comissão técnica, que confere o banco de dados projetados na TV, após Thiago e Marcelo distribuírem um raio-x de todos os fundamentos.
No meio do futebol, sempre foi comum lamentar o desconhecimento de certos rivais de fora dos centros principais. No Alvinegro, isso não é mais usado como justificativa. Antes de duelar com o Madureira, na última quinta-feira, ou medir forças com o Treze-PB, em março, pela estreia na Copa do Brasil, até os reservas das equipes estão expostos aos olhos de Oswaldo.
- Essa falta de informação, à moda antiga, não pode existir mais. Mesmo que não seja o suficiente para vencer um jogo, damos subsídios ao técnico para ele não ser surpreendido - crê Marcelo. - E o trabalho ainda faz o clube economizar, pois a empresa que fornece as estatísticas para os outros grandes do Rio já não presta mais serviços ao Botafogo. Não é necessário. Somos pioneiros no Rio - completa Jair Ventura, que, antes, tentou a carreira de jogador, sem tanto destaque como o pai, o Furacão da Copa do Mundo de 1970.
O antecessor no clube, Caio Júnior, de 46 anos, também gostava e entendia da tecnologia, o que, por exemplo, já não é a praia de Felipão, 63, ou Joel Santana, 64, que levará sua velha prancheta para o Flamengo, adversário deste domingo, no Engenhão, mais uma vez.
Movimentação e números de Loco: armazenadas
no sistema (Foto:André Casado/Globoesporte.com)
no sistema (Foto:André Casado/Globoesporte.com)
- Desde jovem, quando era preparador físico, na década de 80, eu gostava de filmar tudo o que podia. Os recursos que se tinha à disposição eram simples, como a projeção, pois as condições eram outras, mas ajudava. É uma característica particular que sobressai, sem dúvida. Dei até palestra nos Estados Unidos, ao lado do René Simões, sobre o assunto e mostramos para as crianças os vídeos editados e imagens ilustradas. Elas absorvem mais - recorda-se Oswaldo, frequentador assíduo de inovações como o Youtube.
Diante de tais recursos, engana-se quem pensa que o trabalho começou somente no dia 4 de janeiro. Ao ser oficializado pela diretoria, pouco menos de um mês antes, o novo técnico já fazia contato com o trio via skype e recebeu a senha de acesso aos programas utilizados, para ficar por dentro da performance do grupo de jogadores na temporada 2011, do outro lado do mundo.