Técnico fará primeiro clássico pelo Campeonato Carioca na carreira e, inspirado pelo pai, diz que cumpre objetivo traçado há mais de 50 anos
Oswaldo tem participado cada vez mais ativamente
dos treinos (Foto: Fernando Soutello / Agif)
dos treinos (Foto: Fernando Soutello / Agif)
Se a tentativa de ser jogador profissional não deu certo, ao menos Oswaldo de Oliveira comemora ter sido capaz de desenvolver habilidades para agregar seu conhecimento de futebol, passado pelo pai, ainda na década de 50, e chegar a um momento como o deste domingo, a partir das 19h30m, no Engenhão. Nascido e criado no bairro de Realengo, zona oeste do Rio, ele estreará em um clássico pelo Campeonato Carioca, comandando o Botafogo contra o Flamengo. A excitação toma conta do treinador, que, como um bom contador de histórias, revive o deslumbramento que os jogos no Maracanã lhe causavam.
Curiosamente, o chefe alvinegro já passou até por Vasco, Fluminense e Flamengo, mas jamais esteve em um estadual por inteiro. Sempre chegou ou deixou o clube antes ou depois de um clássico.
- Para mim, que vivi isso tudo com intensidade há muitos anos, é excitante demais. Ficar longe não é fácil. Estou particularmente motivado para esse jogo e preciso que os jogadores me acompanhem nisso, que queiram tanto quanto eu sair com essa vitória, é um objetivo estar diante disso. A vontade, a entrega em campo, tudo isso não pode faltar num clássico. Temos que saber do peso e estarmos atentos o tempo todo - ensinou Oswaldo, que, apesar da apreensão, garante que não muda sua rotina às vésperas de um duelo dessa relevância, mas se recorda do quanto isso já mexeu com ele.
- Uma vez, cheguei a sonhar mesmo que fazia um gol no Maracanã. Não posso dizer com qual camisa, senão pode dar confusão. Meu pai, vascaíno, se envolvia muito, era alucinado e fez com que eu soubesse escalar o Vasco de 1957 até hoje. A inspiração vem dele. Ouvíamos os aspirantes, ansiosos pelo jogo principal, na Rádio Globo. Era a época do radinho de pilha ainda.
A rotina pode até não mudar, mas ficou claro que, ao longo da semana, Oswaldo, animado, participou efetivamente mais ainda dos treinamentos, mesmo quando os reservas praticavam finalizações. O sol forte do verão da cidade não intimidade.
- Estava com saudade de sentir esse calor, de verdade. Não é fácil, mas tem seu lado gostoso. Foram cinco anos longe do Rio. Mas se vocês pensam que eles é que estavam treinando, estão enganados. Eu é que estava treinando (risos), mantendo a forma também. Aproveito para dar uma suada. Aliás, o tempo está bom para tomar um chope, não? - brincou o treinador.
Durante a entrevista coletiva de sexta-feira, não foram raros os momentos em que Oswaldo falou mais grosso, pelo início de má fase do time e pelos protestos da torcida. A exaltação, que não é característica de seu estilo, só foi interrompida quando o assunto passou a ser a nostalgia e a expectativa pessoal pelo clássico deste domingo.
Oswaldo falou grosso na coletiva, mas também se descontraiu (Foto: Fernando Soutello / Divulgação AGIF)