Antonio Nascimento e Miguel Caballero
RIO - A maior polêmica do futebol brasileiro, a posse da Taça das Bolinhas, que já dura 23 anos, teve duas reviravoltas ontem. À tarde, a CBF reafirmou o Sport como único campeão brasileiro de 1987 - não reconhecendo o título do Flamengo. Com isso, o troféu das bolinhas passaria a pertencer ao São Paulo, que teria se transformado, em 2007, no primeiro pentacampeão brasileiro. À noite, porém, fontes ligadas à CBF, afirmaram que a entidade pode rever a sua posição. Para que isso ocorra, é necessário que a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, ou o recém-reeleito presidente do Clube dos 13, Fábio Koff - que contou com o apoio em sua eleição da dirigente rubro-negra - entregue à CBF a ata de uma reunião da associação de times em 1997, quando o Sport foi aceito como sócio. Há alguns dias, Patrícia foi alertada por pessoas ligadas à CBF para pedir a Koff a documentação, para evitar a decisão que foi tomada ontem.
Na ata da reunião, assinada por presidentes dos sócios do Clube dos 13, inclusive por Luciano Bivar, então presidente do Sport, a entidade compromete-se a procurar a CBF com o pedido de que Flamengo e Sport sejam reconhecidos, ambos, como campeões de 1987.
A polêmica foi realimentada ontem, quando o presidente da CBF, Ricardo Teixeira veio a público reafirmar que a Taça de Bolinhas - que está sendo restaurada pela CBF - seria entregue ao São Paulo. A CBF baseou-se em um parecer de seu departamento jurídico para chegar à esta conclusão. O texto do parecer diz, em determinado trecho, que "a conclusão a tirar é que o C. R. do Flamengo não foi campeão em 1987, ao contrário do que insistem em afirmar seus adeptos e seguidores".
- Houve um estudo do caso e chegamos a esta decisão, $Sport é o campeão legal em 1987 e, portanto o São Paulo foi o primeiro penta - disse, à tarde, Ricardo Teixeira.
O estudo feito pelo departamento jurídico da CBF não incluiu a ata de uma reunião do Clube dos 13 em 1997. Este documento não discorre sobre o mérito do que aconteceu em 1987 (relembre todo o caso no quadro abaixo). A ata representa, na verdade, um reconhecimento pelo Sport de que o Flamengo também pode se considerar campeão, e, o mais importante, uma brecha para que se encontre uma saída pacificadora para uma das mais beligerantes polêmicas do futebol.
Fla não se pronuncia
Naquela reunião do Clube dos 13, estava sendo votada a entrada de Sport, Goiás e Coritiba como sócios. O Flamengo fez uma objeção: só aceitaria a presença do Sport - era preciso unanimidade - se o clube pernambucano assinasse o pedido à CBF de reconhecimento dos dois como campeões de 1987. A ata descreve que "o presidente do Sport manifestou sua surpresa com a colocação (...) e disse que não podia submeter-se à exigência".
Adiante, o documento relata que "prevaleceu, afinal, a decisão de levar ao presidente da CBF o desejo (...) de ver declarado (...) dois campeões". O documento é assinado por todos os presentes, inclusive o presidente do Sport.
A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, não se pronunciou ontem sobre o caso, e convocou entrevista coletiva para hoje. A decisão inicial da CBF de dar a taça ao São Paulo envolve também o calendário político do futebol brasileiro. Na segunda-feira, Fábio Koff foi reeleito presidente do Clube dos 13, derrotando o ex-presidente do Flamengo Kléber Leite, candidato apoiado pela CBF. Na diretoria rubro-negra, a decisão de ontem da CBF foi vista como uma retaliação ao fato de Patrícia Amorim ter votado em Fábio Koff.
O presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, divulgou nota em que acusa a CBF de semear desunião entre os clubes