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Renato Cajá: o herói discreto que o Botafogo quase perdeu duas vezes

Destaque de vitória sobre o Flu comemora chances dadas por Joel em 2011, mas revela que chegou a arrumar as malas no ano passado

Por Gustavo Rotstein Rio de Janeiro
Os super-heróis da noite do último domingo foram o Homem de Gelo Jefferson e o He-Man Rafael Moura. No entanto, quem brilhou na vitória do Botafogo por 3 a 2 sobre o Fluminense foi alguém muito mais discreto, mas que teve uma atuação que não está no gibi. Autor de um belo gol, um passe milimétrico para Herrera, além de duas bolas no travessão, Renato Cajá comemorou ao seu estilo. Quieto, em sua casa e com a família, passando a segunda-feira ao lado da mulher Jeanne e a filha Vitória, de 3 anos.

A torcida do Botafogo que ovacionou Renato Cajá no Engenhão não deve saber que por pouco não viu aquela atuação. O camisa 10 revelou que em duas oportunidades quase deixou o clube no ano passado, insatisfeito com a falta de oportunidades na equipe. Mas o mesmo Joel Santana que muitas vezes sequer o relacionou para o banco de reservas pediu sua permanência em 2011.

renato caja botafogo (Foto: Gustavo Rotstein/Globoesporte.com) 
Com camisa em homenagem à família, Renato Cajá comemora atuação no clássico ao lado da mulher Jeanne e da tímida filha Vitória (Foto: Gustavo Rotstein/Globoesporte.com)
 
Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, Renato Cajá fala sobre o bom momento e da sua determinação em fazer da temporada aquela que marcará seu nome no Botafogo. O herói do clássico sabe que será impossível manter uma identidade secreta, mas quer continuar a prezar pelo anonimato quando estiver sem o traje da camisa 10 alvinegra.

- Minha preocupação é ser destaque no campo. Muitos precisam pagar alguém para aparecer no jornal. Mas eu acho que isso acontece naturalmente quando o trabalho dá certo - disse.

Depois de boas partidas e gols marcados sobre equipes pequenas, foi visível um Renato muito motivado no clássico. Viu a partida contra o Fluminense como sua grande chance de aparecer?

Sabia que precisava jogar bem numa partida como essa e, por isso, entrei em campo muito motivado. O Joel vem colocando o Everton para treinar no meu lugar e, assim, tinha que mostrar futebol para seguir na equipe. Joguei determinado a ajudar o Botafogo com gols e passes e felizmente tudo deu certo.

Na comemoração de seu gol, você se dirigiu a um dos camarotes do Engenhão para homenagear sua família. No dia a dia você também costuma ser reservado?

Precisava fazer um gol para a minha filha, que vai sempre aos jogos no Engenhão e entra em campo comigo. Só que ela acabou se assustando na comemoração do gol e chorou (risos). Mas sou assim mesmo. Gosto muito de curtir meu tempo livre com a família, vou ao shopping, à praia e saio para jantar.

Mesmo depois de um dia de herói, você prefere celebrar de forma reservada. Para você, o melhor é permanecer discreto ou espera aproveitar o momento para aparecer?

Minha preocupação é ser destaque no campo. Muitos precisam pagar alguém para aparecer no jornal. Mas eu acho que isso acontece naturalmente quando o trabalho dá certo.

No ano passado você teve poucas oportunidades com o técnico Joel Santana. Chegou a pensar em deixar o clube?

Não tinha muita conversa com o Joel e estava chateado porque muitas vezes sequer ficava no banco, mesmo quando o titular não ia bem. Por exemplo, assisti à semifinal da Taça Rio em casa, mas na final fui titular. Durante o Carioca arrumei minhas malas e pedi para ir embora. Quis aproveitar que havia uma pendência jurídica com a Ponte Preta e achei que fosse melhor voltar para lá. Mas fui convencido a permanecer. Depois, durante o Brasileiro, também pedi para sair e voltar para a Ponte depois que ela ganhou a ação na Justiça. Mas o Joel e a diretoria conversaram comigo, fazendo um acordo para que eu renovasse por mais um ano.
Nota: no ano passado, a Justiça do Trabalho de Campinas deu à Ponte Preta um ganho de causa no processo movido contra Renato Cajá por descumprimento do contrato de trabalho. O jogador foi condenado a pagar uma indenização de R$ 1,14 milhão, mas entrou com um recurso.
Então esse acordo deu maior tranquilidade no seu início de temporada em 2011?

O fato de eu ter iniciado o ano como titular foi importante para eu ganhar confiança. Mas também fiquei angustiado porque, apesar do acordo verbal no fim do ano passado, a pré-temporada começou e a diretoria não me chamava para assinar a renovação. Cheguei a treinar sem contrato, mas felizmente tudo se resolveu da melhor maneira.

Depois de conviver com muitas vaias no Engenhão, você deixou o gramado ovacionado no último domingo. A manifestação da torcida o emocionou?

É muito bom ser reconhecido dessa maneira, mas não comemoro. Sei que o comportamento do torcedor se guia pelos resultados. Se em alguma partida eu não for bem, vão falar mal.

Depois de brilhar no clássico, qual é o seu próximo objetivo?

Acho que o mais difícil é manter o nível, deixar de oscilar. Esse é minha principal meta a partir de agora. Vou trabalhar em todos os sentidos para seguir contribuindo com o Botafogo da melhor maneira possível.