Gustavo Rotstein
Rio de Janeiro
Alessandro comemora gol pelo Botafogo: voz importante antes da decisão
Quando foi reintegrado, após quase um mês de ausência para resolver problemas particulares, Alessandro ouviu de um companheiro de Botafogo que estava fazendo falta “a voz do vestiário”. A expressão traduz o papel do lateral-direito no grupo alvinegro. É do mais velho do elenco, com 32 anos, que vêm as palavras de incentivo na concentração e nos momentos que antecedem às partidas importantes, como a diante do Flamengo, neste domingo, pela final da Taça Rio, que dará à equipe, em caso de vitória o título antecipado do Campeonato Carioca.
Os jogadores do Botafogo costumam se referir a Alessandro como o "presidente", e o nome não é por acaso. As quatro temporadas em General Severiano, a experiência de títulos conquistados e a passagem pela seleção brasileira fazem do lateral ser um dos principais elos entre diretoria e jogadores, assim como Leandro Guerreiro e Lucio Flavio, por exemplo. Mas sua proximidade com comandantes como o presidente Maurício Assumpção e o vice de futebol André Silva fizeram com que o jogador, aos poucos, fosse ganhando papel de liderança no elenco.
Foi Alessandro o primeiro nome que garantiu permanência em General Severiano após a turbulenta temporada de 2008, marcada por fracassos em campo, salários atrasados e debandada do elenco. A postura de acreditar na diretoria que assumiria o Botafogo a partir de janeiro de 2009 deu ao jogador credibilidade junto aos dirigentes, algo que passou rapidamente ao ambiente interno do grupo.
- Com a chegada da diretoria e o tempo de casa, passei a me identificar muito com o clube e adotei uma postura de cobrança dentro do vestiário. Muitas vezes sentia o ambiente calado, com a impressão de um grupo triste. Sei que pode ser sinônimo de concentração, mas quando sinto que está tudo quieto, começo a falar. Não acredito que o capitão seja o único líder de um grupo. No Botafogo há vários que também conversam, como Fahel, Lucio Flavio e Jefferson - afirmou Alessandro.
Alessandro em treino do Botafogo: apontado como um dos líderes do elenco
Nos dias de jogos, a “voz do vestiário” começa a ecoar na sala de aquecimento, com orientações e pedidos de atenção aos companheiros. Alessandro também deixa a sua mensagem após a reza e durante a última corrente antes da entrada em campo, ainda na boca do túnel que dá acesso ao gramado.
Nesses momentos, Alessandro diz conseguir deixar de lado todos os episódios desfavoráveis que viveu com a mesma camisa do Botafogo a quem diz ser tão apegado. Segundo Joel Santana, este é um dos principais méritos do lateral, de quem o treinador alvinegro reforça a importância e destaca o crescimento nos momentos decisivos.
- O Alessandro até nem fala muito, mas sempre na hora certa. Ele não se abala com críticas e cresce nas decisões. Além disso, contribui muito para o grupo pela vivência que tem no futebol. Liderança é algo difícil de acontecer, mas ele chegou a essa condição no Botafogo - destacou Joel.
Leandro Guerreiro, que recebeu a braçadeira de capitão do Botafogo desde a lesão de Lucio Flavio (submetido a uma cirurgia no dedo mínimo da mão esquerda), destaca a importância de Alessandro e de outros jogadores na motivação ao grupo nos momentos que antecedem às partidas.
- Alessandro, Jefferson, Fahel e Lucio Flavio são alguns dos que mais passam essa força. É ótimo que haja jogadores assim no grupo. Eles costumam destacar que todos têm a mesma importância nas nossas conquistas, seja aqueles que disputam mais partidas ou os que poucas vezes ficam no banco.
Algumas das frases de Alessandro aos companheiros no vestiário:
“Não vamos deixar para amanhã o podemos fazer hoje.”
“O adversário nunca pode mostrar mais vontade do que a nossa equipe.”
“Se seguirmos à risca as instruções do treinador, teremos grandes chances de vencer.”
“Esta é a oportunidade de entrar na história do clube. É preciso concentração, pois a chance de ser campeão não aparece a qualquer hora”