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Afastado por doping, Jobson fala em voltar ao futebol

Jobson faz revelações sobre vício, diz estar limpo e espera voltar

Mauro Graeff Júnior
RIO DE JANEIRO-RJ


Foi trancado em um quarto na sua cidade natal, no Pará, que Jobson decidiu dar uma sacudida na vida. Era janeiro e ele acabara de ser condenado a dois anos de suspensão por doping. Chorando, após admitir ter usado crack, o atacante, ex-Botafogo, pensou até em se matar, mas encontrou forças ao pensar no filho que estava prestes a nascer.

Hoje, o jogador de 21 anos treina em Brasília, enquanto espera o julgamento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, marcado para o dia 29. Tem esperança em ver reduzida a pena de dois anos, imposta em 19 de janeiro. A vida, garante, mudou. Drogas, bebidas, noitadas e brigas ficaram no passado, contou o jogador em uma entrevista reveladora, em Brasília, ao LANCE!.

Para tentar voltar a ser o atleta que no ano passado livrou o Botafogo do rebaixamento, ele voltou às origens. O recomeço é no Brasiliense, no qual debutou no futebol em 2005. O suporte emocional vem da família. Trouxe os pais do Norte para morar com a mulher e o filho Victor Leandro, nascido em fevereiro.

– Se eu parasse aqui, meu filho ia ouvir que o pai dele era um drogado. Quero mudar isso – declarou.

Jobson começou a usar drogas em 2008, já profissional pelo Brasiliense. No início de 2009, porém, ficou "limpo", enquanto jogou na Coreia do Sul. A tentação voltou quando chegou ao Botafogo. De repente, o menino pobre do interior do Pará viu-se morando em Copacabana, frequentando festas com jogadores famosos e ao lado de atrizes que até então só via pela TV. Pirou. Caiu na noite, voltou para as drogas.

O passado ainda incomoda o atleta. Ainda mais quando lembra de que poderia estar jogando a Libertadores pelo Cruzeiro. Agora, a palavra de ordem é superação.

– Ele precisa da nossa ajuda. Vamos ajudá-lo – disse Luiz Estevão, presidente do Brasiliense.

Ajuda de anjos botafoguenses

Dois torcedores do Botafogo cruzaram por acaso o caminho de Jobson durante os dias mais conturbados da vida dele. E ajudaram. Com seus gols, o atacante foi decisivo para manter o time carioca na Primeira Divisão do Brasileirão de 2009.

Ainda no fim do ano passado, logo após ser divulgado o primeiro resultado por doping, Jobson bateu sozinho o carro em um viaduto de umas das principais avenidas de Brasília. Estava embriagado. Seu Honda Civic ficou destruído e foi vendido batido mesmo. Um homem de moto parou para ajudá-lo e o levou para casa.

– Não sei quem era. Lembro que estava com camiseta do Botafogo. Disse para me levar dali, senão daria mais confusão – contou Jobson.

Outro alvinegro a ajudá-lo foi o seu psicólogo, com quem conversa nas sessões de tratamento, às sexta-feiras.

– Já falei que quando voltar a jogar vou dar uma camisa para ele. Ele é botafoguense doente. Está me ajudando bastante – disse o atacante.