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Ex-vendedor de picolés, Jobson lembra tempos difíceis nos dias doces

Atacante do Botafogo diz que passado de dificuldades serve como incentivo para evitar deslumbramento da fama repentina


Gustavo Rotstein
Rio de Janeiro



O gol marcado e atuação destacada na vitória por 3 a 1 sobre o Goiás colocaram Jobson sob os holofotes. Aos 21 anos, o atacante do Botafogo tem em seu currículo episódios de indisciplina nos tempos em que defendia o Brasiliense, que segundo ele aconteceram exatamente pelo deslumbramento que seguiu-se à fama repentina. Mas para que o comportamento inconsequente não se repita, agora no Alvinegro, Jobson recorre ao seu passado de dificuldades financeiras, que o obrigaram a buscar diversos empregos antes e até depois de deixar a cidade de Conceição Araguaia, no Pará, aos 17 anos, e seguir para o Distrito Federal.

Em sua cidade natal, Jobson trabalhou numa olaria e até vendeu picolés. Algum tempo depois, já enquanto integrava as categorias de base do Brasiliense, Jobson se viu obrigado a arrumar um emprego para manter vivo o sonho de ser jogador de futebol e poder ajudar sua família.

- Muitas vezes o salário do Brasiliense atrasava e ficava difícil pagar a passagem para ir treinar. Por isso, trabalhei carregando mudanças. Já naquela época ajudava minha família e faço isso até hoje. Meus amigos atuais são os mesmos daquela época, e agora, depois de tantas dificuldades, consigo valorizar o trabalho das pessoas e respeitá-las, até mesmo aqueles que falam mal de mim - disse ele ao GLOBOESPORTE.COM.

Por causa do passado conturbado, Jobson assinou um contrato de risco com o Botafogo, que estabelece a rescisão unilateral no caso de indisciplina. Mas não demorou muito para que o técnico Estevam Soares tivesse a certeza de que o clube fez a aposta certa.

- Jobson é do bem, e as coisas que fez foram típicas da idade. Agora ele está conhecendo um outro mundo. É um atleta diferenciado e um menino esperto, que tem no Botafogo a sua grande chance - observou o treinador.