O dramalhão venezuelano “Onde fica Ronaldinho?” (porque mexicano sempre tem final feliz e o amor vence) ainda não terminou. E quer saber….. me cansei! Estou farta dessa história toda. Pensando melhor nem é novela, é um BBB com todo tipo de mentira, manipulação e baixaria possível. Nenhuma transferência teve o aparato que essa teve.
O Grêmio esperava a vinda do Ronaldinho no meio do ano, quando acabasse seu contrato com o Milan. Talvez o plano realmente tenha sido concebido pelo próprio Assis, como divulgado. Assim estariam livres da multa da rescisão. Mas o dentucinho quis vir antes.
Como sempre, a imprensa esportiva gaúcha (com raras exceções acho um tanto não profissional) coloca o carro na frente dos bois e divulga como certa a transferência dele para o Grêmio. O resto do mundo noticiava uma coisa e a imprensa gaúcha só mudava o dia da festa. Quase todos os colunistas e jornalistas gaúchos tinham uma sacada diferente para justificar porque, a qualquer momento, seria anunciado o retorno do filho pródigo.
Sim, no princípio a torcida estava dividida, receosa. O mal-estar causado pela ruptura de 2001, com claro prejuízo financeiro para o imortal (não entrarei no mérito de quem tinha razão) virou pó tão rápido enquanto se imaginava Ronaldinho ao lado de Jonas ou Douglas. Era um sonho, que não havia sido sequer sonhado pelo mais otimista dos tricolores. Ronaldinho voltou a viver novamente seus melhores momentos da carreira na fantasia gremista. Sem nem precisar entrar em campo!
Assis culpou a imprensa gaúcha, por noticiar antes do tempo o que, em tempo, se desfez. Por sua vez, a amadora diretoria do Grêmio não desmentiu em hora nenhuma o que foi veiculado. Acho que foi um jogo de egos. Um queria aparecer mais que o outro. Membros da diretoria gremista ficaram empolgados com a chance de aparecer na mídia internacional se gabando do feito de trazer Ronaldinho de volta.
As atitudes que vi dessa diretoria foram lamentáveis, anti-profissionais. Acreditando, novamente, em conto da carochinha. Mas responda: se você está numa empresa e há a concorrência por uma vaga, qualquer quer seja, não é a tinta no papel que encerra a negociação? Ninguém entrega o ouro ao bandido. A leitura da diretoria do Grêmio sobre toda a negociação foi infantil.
Ouvi da imprensa local que o Grêmio agiu com cautela. Piada!!! A leitura da imprensa gaúcha sobre toda a negociação foi tão inocente, quanto. Cautela, me parece, seria a opção por não deixar de se considerar qualquer possibilidade em uma negociação. E não criar expectativas junto a torcida antes do bater do martelo que claramente não foi realizado pela diretoria tricolor. Na coletiva onde o Grêmio se retirou da negociação, vi o vice-presidente gremista entrar em contradição várias vezes.
E vi também um Paulo Odone abatido consertar, com sobriedade, o que sua diretoria fez de errado em todo o processo. Com muita elegância, diga-se de passagem. Foi o único ponto interessante até aqui.
A verdade, porém, é que somos meros espectadores, ouvintes de versões diferentes que vem à tona a partir de um bastidor que pouco se conhece ou entende. E o nosso coração vai escolher uma delas. A única coisa que tenho certeza é a de que o torcedor foi feito de trouxa nisso tudo. Novamente. O que poderia ter sido um gran finale, se tornou no pior pesadelo. Todos saíram perdendo, de alguma forma.
Mais uma vez vi que acertei na escolha que fiz como torcedora: meu coração fala dentro das 4 linhas. Ali sou paixão, torço, brigo, grito, choro, dou risada. Fora de campo, onde há negociatas, troca de favores, barganhas, conchavos, cartéis e a transparência está longe, tô fora!!!
Existem pessoas éticas, sensatas, honestas e compromissadas no futebol, sim. Mas estão cada vez mais escassas. Temos que virar esse jogo!