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A história do broche estarrado


Por Roberto Porto


Dizem os inimigos do Glorioso alvinegro de General Severiano, que há coisas que só acontecem ao Botafogo.

Meu amigo e professor Luiz Mendes – o comentarista da palavra fácil – me revelou, certa vez, que, num passado distante, a frase incluía também o Vasco da Gama. Mas o clube de São Januário, pelos títulos invictos que conquistou na década de 40 (45,47 e 49), teve seu nome abolido da frase-ditado. Ficou apenas o do Botafogo.

E, venhamos e convenhamos, nós todos que somos botafoguenses não podemos negar que quando o broche presidencial desaparece da lapela do ex-presidente Bebeto de Freitas, os adversários alvinegros têm razão.

Como é que uma jóia que passava de presidente para presidente pode desaparecer sem deixar pistas?

Se vivo fosse, o escritor inglês Conan Doyle diria que esse seria um caso para Sherlock Holmes desvendar. E eu, que trabalhei por pouco tempo no marketing do Botafogo, sou obrigado a concordar com a fábula. Por que Maurício Assumpção não recebeu o broche que, supostamente, só poderia estar de posse de Bebeto de Freitas.

É óbvio ululante, como diria o tricolor Nélson Rodrigues (1912-1980) que o broche, por valioso que seja, não irá atrapalhar em nada a campanha do Botafogo no Campeonato Estadual de 2009.O Botafogo, inclusive, já está classificado para decidir o título, pois conquistou de maneira insofismável a Taça Guanabara, abatendo o Resende (que fulminara o Simpaticíssimo).

Mas que é uma vergonha sem limites, isso é.

Tentei ficar afastado da discussão, mas infelizmente sou obrigado a registrá-la.

O curioso disso tudo é que certa vez, por puro gesto de elegância, passei em General Severiano e presenteei Bebeto de Freitas com o mascotinho alvinegro que está à venda na própria Fogão-Shop.

Para minha surpresa e decepção, Bebeto nem tirou o mascotinho da embalagem. Mandou chamar o advogado do clube, fora de sua sala, e entregou meu presente a ele com a ordem de verificar se a empresa tinha direito de fabricar aquele mascotinho.

De certa forma, embora decepcionado, entendi. Bebeto queria saber de tudo, da licença ou não, para comercializar o produto.

No fundo, no fundo, me pareceu um gesto de quem cuidava da imagem do eterno e amado Botafogo.