Blog do Lédio Carmonasáb, 07/03/09
Eu e Luis Carlos Junior viajamos ontem, de Brasília para o Rio de Janeiro, com a delegação do Botafogo. Na sala de embarque, fizemos uma entrevista de meia-hora com Ney Franco, o autor de À beira dos caos e um dos responsáveis por tirar o futebol do clube da dita cuja.
Uma conversa agradável e sem meias-palavras com esse gente finíssima Ney Franco.
Lá vai….
Lédio Carmona - Está melhor do que você esperava?
Ney Franco - Na verdade, estamos no ponto que eu esperava. O título da Taça Guanabara era uma possibilidade a mais. Sabia que disputaríamos com os outros três grandes. Conseguimos. Ficou perfeito, melhor do que encomenda. E temos dados que são pouco alardeados, mas que fazem uma diferença. Nossa média de gols é excelente. Fizemos 22 gols em 10 jogos (2, 2 por jogo). Perfeito.
Luis Carlos Junior - Você não acha que arriscou muito ao apostar num elenco, praticamente, de desconhecidos?
NF - Eu tinha certeza da competência dos jogadores que indiquei. E, quando chegaram, passei a investir no esquema tático. Minha idéia era o 4-4-2. Mas, nos primeiros treinamentos, notei que a defesa estava exposta demais. No segundo ou terceiro treino, já recuei o Leandro Guerreiro e passamos a usar três zagueiros. O grupo se estabilizou.
LC - A defesa está pronta?
NF - Não, falta um lateral-esquerdo. Mas preciso que esse jogador chegue para jogar. A tacada tem que ser certa. E ainda tem o Teco, que se machucou, e aposto muito nele. Minha vontade é escalar Teco pela esquerda, Juninho e Wellington pela direita. Com isso, Leandro Guerreiro poderá ser só volante. E teremos sobra na posição, o que é ótimo. Terei Fahel, Leo Silva e Guerreiro para duas posições. Isso é força de elenco.
LC - Além de um lateral-esquerdo, quais as necessidades do elenco, já pensando em Brasileirão?
NF - Eu quero um terceiro goleiro - Castillo volta daqui a um mês e será reserva -, um meia de qualidade e mais um atacante de área. Reinaldo e Victor Simões são ótimos, mas têm o estilo de sair da área para buscar o jogo. E ainda temos o Renato, indicação minha, que veio de Israel para nos ajudar. Conheço ele desde o infantil do Atlético Mineiro e podem ter certeza de que ele amadureceu.
LCJ - Qual foi o segredo do sucesso fora de campo?
NF - Nossa folha salarial era de quase 3 milhões de reais. Hoje, não passa de 1,1 milhão. Acabamos de pagar fevereiro e a premiação da Taça Guanabara. O grupo está tranquilo e com confiança no trabalho. E vice-versa. Não é dificil organizar. Basta trabalhar com responsabilidade.
LC - Dá para ganhar a Copa do Brasil?
NF - Claro que sim. Vamos brigar por isso. Ainda mais que, com a vitória sobre o Dom Pedro, não teremos jogos cruzados durante a Taça Rio. Só voltaremos a jogar pela CB, contra o Americano, em Campos, na semana da semifinal.
LC - E no Campeonato Brasileiro?
NF - Vamos brigar para ficar entre os cinco primeiros e, se derem brecha, vamos lutar para ganhar, sim. Podemos não jogar bonito como o Botafogo de antigamente, mas seremos e somos muito competitivos.
LC - E o futuro? Exterior?
NF - Eu quero, mas nao tenho pressa. Fui convidado para ir para a Arábia. Não aceitei. Depois, pelo Maritimo, de Portugal. Também recusei. Japão e Europa são boas opções. Mas as condições teriam que ser ideais.
LC - Pelo jeito, à beira dos caos, só na música.
NF - Tá bom, né? Melhor, impossível. Mas com os pés no chão.