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Obra põe fim a impasse na Vila do Pan

Prefeitura estabiliza solo de rua, que poderia comprometer imagem olímpica

O asfalto cede em frente a um dos condomínios da Vila do Pan: Geo-Rio iniciou obra para estabilizar pista da Rua Cláudio Besserman Vianna
Foto: Fabio Rossi / O Globo
O asfalto cede em frente a um dos condomínios da Vila do Pan: Geo-Rio iniciou obra para estabilizar pista da Rua Cláudio Besserman Vianna Fabio Rossi / O Globo
RIO - Um impasse que poderia comprometer a imagem do Rio como cidade olímpica começa a ser solucionado pela prefeitura. A Fundação Instituto de Geotécnica do Rio de Janeiro (Geo-Rio) deu início, no último dia 2, às obras de estabilização do solo na Vila do Pan, para conter o afundamento de trechos da Rua Cláudio Besserman Vianna (Bussunda), a Via 3, que passa em frente aos prédios. Localizada na Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, a vila foi erguida para hospedar os atletas durante o Pan-Americano de 2007 e, depois, foi convertida em condomínio residencial.

O serviço vai custar R$ 4,1 milhões e será executado em seis meses. Segundo o diretor de Estudos e Projetos da Geo-Rio, Luis Otávio Martins, neste primeiro momento estão sendo feitas sondagens de campo e laboratório, com o objetivo de investigar o subsolo da via. O estudo permitirá detalhar o projeto, que visa a dar sustentação aos três trechos da pista onde a deformação é maior, num total de quatro mil metros quadrados de pista.

— Vamos usar uma nova técnica de estabilização, própria para o solo daquele local. Trata-se da CPR, a Consolidação Profunda Radial. Para enrijecer o solo, injeta-se uma mistura de cimento, areia e solo do próprio local, com pressão, a partir da base, formando-se colunas. Para o tratamento, injetaremos essa espécie de argamassa resistente a uma profundidade de 18, 19 metros. O solo ficará firme. Essa foi a solução usada na Cidade do Rock e que está sendo utilizada na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas — conta Martins.

Prédios não foram afetados
A Vila do Pan foi construída sobre um solo de argila orgânica, que é muito instável. Ela tem 17 blocos, que se dividem em dois grandes condomínios: Parque América do Norte e Parque América do Sul. Eles são subdivididos em outros dez condomínios, com um total de 1.480 apartamentos, 60% deles ocupados. As rachaduras no entorno levaram os moradores da Vila do Pan a ter que conviver com outras questões ligadas à infraestrutura: portas de garagem, muretas, tubulações de água e postes acabaram afetados.

— Vamos corrigir também essas interferências do afundamento na Rua Cláudio Besserman Vianna — garante o diretor da Geo-Rio.

Martins diz, no entanto, que a estrutura dos prédios está íntegra, não tendo sido afetada pelo afundamento de trechos da pista em frente.

Como parte de um acordo entre o ex-prefeito Cesar Maia e a Agenco, que ergueu a Vila do Pan, a implantação da Rua Cláudio Besserman Vianna ficou a cargo da prefeitura e não da construtora, como estabelece a regra dos loteamentos. Em contrapartida, a construtora cedeu os apartamentos para os atletas durante os Jogos Pan-Americanos de 2007.

— A Rua Cláudio Besserman Vianna foi executada pela prefeitura, utilizando estacas. Mas os jardins, entre os prédios e a rua, não receberam o mesmo tratamento por parte da construtora. O aterro dos jardins foi afundando, passando a pressionar lateralmente as estacas da via, que não aguentam esforços laterais. Por isso, a rua afundou em alguns pontos. Como a via foi construída pelo município, cabe à prefeitura fazer os reparos — explica o secretário chefe de gabinete do prefeito Eduardo Paes, Luiz Antônio Guaraná.

Faltam obras na rua dos fundos
Morador da Vila do Pan desde junho de 2008, o síndico do condomínio Parque América do Norte, Roberto Ramos Gonzales, considera como uma grande vitória a reconstrução da Rua Cláudio Besserman Vianna. Agora, a próxima reivindicação é que a Via 4, nos fundos da Vila do Pan, receba o mesmo tratamento.

— Estamos certos que vai haver uma intervenção da prefeitura para resolver o problema da pista da Via 4, que, embora seja menos utilizada pelos moradores, também sofreu afundamentos — diz Gonzales.

Membro do conselho de acompanhamento da obra da Geo-Rio, a moradora Rosane Santangelo conta que está sendo feito um estudo técnico para que possa ser executada a estabilização da Via 4:

— Com isso, resolveremos todas as pendências — diz Rosane, que mora na Vila do Pan há dois anos.

Guaraná informa que a prefeitura está estudando, não só técnica como juridicamente, a situação da Via 4. Segundo o chefe de gabinete do prefeito, dentro do acordo com a prefeitura, na administração passada, a construtora ficou encarregada de implantar a rua dos fundos da Vila.

— Não posso botar dinheiro público para refazer uma obra que não foi executada pela prefeitura. Estamos vendo a melhor maneira de resolvermos essa pendência. Mas, de qualquer forma, já estamos dando uma solução para a via que é a mais utilizada pelos moradores — afirma Guaraná.