Mariana Kneipp
Rio de Janeiro
Vice-presidente do Botafogo e diretor-presidente da Fundação Vale fecham o acordo do Engenhão
O objetivo de revitalizar os esportes olímpicos do Botafogo pode ter dado o primeiro passo nesta segunda-feira. Como parte do acordo de uma dívida de quase R$ 3 milhões, o clube oficializou uma parceria com a Fundação Vale para ceder o uso de parte do Engenhão para a implantação do projeto da mineradora, o Estação Conhecimento. Apesar do programa visar a apenas a formação de novos atletas, o gerente de esportes olímpicos alvinegro, Miguel Ângelo da Luz, já enxerga além do que foi apresentado para 2010.
- Neste ano não dá mais. Porém, para 2011, eu quero convencer a Vale a vincular a imagem do Botafogo a uma equipe competitiva de atletismo. Farei várias reuniões para conseguir isso. Também quero trazer atletas de ponta para o clube. Essas crianças têm que ter alguém como espelho – afirmou Miguel.
A expectativa do gerente de que diversos "encontros de convencimento” deverão ser feitos se deve ao fato da mineradora não ter como objetivo agregar a marca alvinegra às equipes de atletismo e futebol feminino, que serão formadas no Engenhão a partir do segundo semestre. Segundo a coordenadora das unidades do Rio de Janeiro, Flavia Fonseca, a seleção disputará as competições nacionais com o nome de “Brasil Vale Ouro”.
Tucumã é a Estação pioneira do projeto
- Hoje, não é o nosso objetivo trazer atletas de alto rendimento. Talvez mudemos de ideia daqui a dois, três anos. Mas queremos focar na formação de esportistas de excelência. A meta é começar o trabalho no segundo semestre, após fazermos um trabalho de seleção nas férias de julho com crianças da região em torno do Engenhão. Faremos testes em dez níveis de habilidades, seja respiratória, motora ou até mesmo de DNA, para descobrir o atleta que realmente vale ouro – afirmou Flavia.
A Estação do Engenhão será uma das dezoito que a empresa pretende instalar em todos os estados que opera até 2012. O projeto no Rio de Janeiro tentará repetir o sucesso conquistado na pioneira Tucumã, no Pará. De lá, sairam três atletas que conquistaram ouro, prata e bronze na São Silvestrinha após apenas um ano de treinamento.
- O foco não é fazer um projeto para crianças carentes, mas sim dar oportunidade por mérito. Resgatar talentos perdidos pelo país e ajudar a desenvolver um craque internacional para os Jogos de 2016. E não queremos formar apenas esportistas, mas técnicos em excelência, dar uma profissão. Por isso, também disponibilizaremos seis salas para as crianças terem aulas teóricas e de cidadania e serem acompanhadas por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, professores de educação física e assistentes sociais – disse o diretor-presidente da Fundação Vale, Silvio Vaz, acrescentando que pretende ter 300 atletas para atletismo e 300 de futebol feminino no Engenhão já em 2010.
Projeto também terá sede no Complexo de Deodoro
Crianças também terão aulas de cidadania
O trabalho de garimpo do programa, que abrange Maranhão, Minas Gerais, Espírito Santo, Pará, Sergipe e Rio de Janeiro, pretende beneficiar entre 25 mil e 30 mil pessoas até 2012, somando 1.000 crianças por Estação. Porém, no estado fluminense, os atletas que obtiverem índice olímpico não ficarão treinando no Engenhão. Eles serão encaminhados ao Centro Nacional de Excelência da Vale, localizado no Complexo de Deodoro.
No local, a Fundação pretende construir uma pista profissional de atletismo e dois alojamentos com capacidade para receber 100 atletas. Um ginásio de judô, com seis áreas de treinamento simultâneo e arquibancada para 1.500 pessoas, já está pronto. Além disso, em Deodoro, o projeto também será aberto a atletas de natação.