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Ídolos do passado dão dicas para o Botafogo

Time luta para não cair no Campeonato Brasileiro


                               Gonçalves acredita no apoio da torcida (Crédito: Nelson Perez)

Cipriano Junior

RIO DE JANEIRO


Na última partida do Botafogo no Brasileiro deste ano estarão em jogo o futuro imediato do clube com a permanência na Série A, a esperança de milhões de torcedores e a marca que os jogadores deixarão em sua passagem pela equipe. A partida também vale três pontos, mas isso não resume o que se decidirá neste domingo no Engenhão.

O Alvinegro receberá o Palmeiras, às 17h, com transmissão em tempo real pelo LANCENET!, precisando vencer para continuar na elite do futebol nacional (com um empate, dependerá de triunfo do Fluminense sobre o Coritiba). Para isso, mais do que qualidade com a bola nos pés, os atletas sabem que a vontade de ganhar precisa transbordar das veias, transformando cada disputa em uma guerra.

- Não é só o jogo deste ano, mas também do ano que vem. Todos devem ir no seu limite técnico, físico e emocional - definiu Lucio Flavio.

O Botafogo entra em campo dentro da zona de rebaixamento, em 17º lugar na tabela, com 44 pontos. O clube, que já foi rebaixado no Brasileiro, em 2002, vem contando com o apoio da torcida nesta reta final, e a equipe entrará em campo diante de um estádio lotado com cerca de 40 mil botafoguenses.

Neste momento de decisão, em que o caminho para o céu ou para o inferno será definitivamente desenhado em 90 minutos, mais do que esquemas ou jogadas ensaiadas, o elenco sabe que não terá pela frente apenas mais um jogo.

- Vou atuar pela história do Botafogo. A responsabilidade é de todos. A vitória é importante para os atletas, mas é mais ainda para o clube - afirmou Renato.

O destino do Alvinegro em 2010 ficará nos pés dos atletas durante 90 minutos. É deles o poder para balançar a rede do Palmeiras e para eles estará canalizada a paixão dos torcedores. O Engenhão será o grande coração preto e branco, empurrando o time ao ataque em cada batida, protegendo-se com a defesa a cada arrepio e louco para extravasar alegria e alívio.

- Os jogadores devem estar mentalmente equilibrados. O fator emocional é importante. Um atleta deve acreditar no outro para, juntos, se superarem em busca do objetivo comum - ensinou o ídolo botafoguense Jairzinho.

Veja o que Gonçalves, zagueiro campeão brasileiro pelo clube em 1995, tem a dizer:

"A torcida merece toda luta e garra que os jogadores puderem apresentar. Com certeza eles vão se doar ao máximo, até porque é o jogo do ano para o Botafogo. Se tanto a torcida quanto os jogadores conseguirem isso, tudo dará certo.

É importante, também, que os atletas entrem em campo tranquilos. Qualquer erro em uma partida como essa pode ser decisivo. Erros são inevitáveis, é muito difícil fazer uma partida perfeita, ainda mais contra um rival como o Palmeiras.

Além disso, a concentração é fundamental em horas assim. Todos devem descansar e se alimentar bem.

Na minha opinião, assistir outros jogos do Palmeiras também vai ajudar muito. Eles devem atuar fechados no Engenhão, explorando os contra-ataques, sabendo da necessidade de vitória que o Botafogo tem. Por isso, a equipe não poderá se afobar de jeito nenhum.

Os zagueiros devem estar atentos às bolas paradas e à marcação individual. O gol sofrido do Paulo Baier, na última partida, foi uma falha que não pode se repetir.

Se a defesa marcar bem, conseguindo se antecipar nas jogadas, muita coisa pode ser evitada."

Confira a opinião de Jairzinho, ex-atacante, ídolo do Botafogo e campeão do mundo em 1970:

"O jogador do Botafogo deverá lutar como se estivesse disputando título. É preciso buscar a energia necessária para vencer, sacrificando-se, mas com inteligência.

Todos sabem das inúmeras dificuldades que terão pela frente, mas isso não pode ser uma barreira. É preciso superá-las para que o time saia de campo vencedor.

Esses atletas já demostraram recentemente que podem conseguir o resultado, quando venceram o São Paulo, então o líder.

Neste jogo, a defesa não poderá sofrer gol e o ataque precisará fazer.

Espero que os atacantes do Botafogo possam fazer esses gols. É necessário saber aproveitar todas as oportunidades que apareçam.

Os jogadores do Botafogo, quando chegarem ao ataque, não poderão ter afobação. O atacante sabe que, quando se aproxima da área, a sua principal arma é ter o máximo de calma para finalizar."

Sérgio Manoel, meia campeão brasileiro pelo clube em 1995, pede para o time jogar pela torcida:

"Não há outra alternativa a não ser viver esse jogo como o último.

Temos de fazer a nossa parte. Cada atleta precisa fazer o seu trabalho, estar concentrado. É o nome de cada um deles na campanha.

É o momento de ter equilíbrio acima de tudo. O que vai determinar o resultado é o coração. É preciso superar qualquer possível deficiência física. O elenco deve se preparar para uma guerra.

Sempre falo por telefone com alguns jogadores e digo a eles: “Saibam que existe atrás de vocês uma torcida com o coração apertado, mas confiante”. Que eles joguem por eles, por suas famílias e, também, pela nação que quer e merece ficar na Série A."

Carlos Alberto Torres, ex-lateral-direito, treinador e campeão do mundo em 1970, pede concentração:

"O mais importante é que os jogadores estejam realmente concentrados na meta a ser alcançada. Ao lado disso, é fundamental ter realizado uma boa semana de treinos, estar confiante na preparação. É o que vai deixá-los bem.

Quando eu falo em concentração, não me refiro a ficar no hotel, essas coisas, mas sim a estar ligado em tudo e em condições plenas no dia da partida.

Não há mais tempo para recuperar nada. Quando se está mais para o meio do campeonato, pode-se tentar mudar as coisas. Agora, o que o Botafogo deve fazer é ganhar.

O trabalho feito fora de campo é um grande diferencial, só que aquilo que foi feito durante a semana é o que dá ao atleta, seja qual for a sua posição, a condição ideal.

O ponto principal, aqui, é todos os jogadores estarem concentrados, na mesma sintonia, e chegarem no jogo prontos para dar o seu máximo."

Túlio Maravilha, atacante campeão brasileiro em 1995, também mandou seu recado:

"Se eu pudesse estar no vestiário para dar a preleção antes do jogo contra o Palmeiras, iria dizer aos jogadores que eles têm de pensar que estão disputando uma decisão de Copa do Mundo.

Ninguém vai querer ficar marcado em um clube com tantos ídolos e história como um grupo que rebaixou o Botafogo. Ficaria muito chato. É uma mancha na carreira que fica para sempre.

Falei antes da partida contra o São Paulo e repito: jogando dentro de casa, com o Engenhão lotado e precisando da vitoria, tem de colocar o coração na ponta da chuteira, comer grama.

Esquece técnica, tem de ser na raça e na vontade."