Técnico lista suas maiores conquistas e afirma ver material humano para fazer o mesmo no Botafogo de 2009
Gustavo Rotstein Niterói, RJ
Cezar Loureiro/GLOBOESPORTE.COM
Ney Franco diz que é importante o treinador abrir as portas para um jovem valor
Assim como acontece com os jogadores, o técnico do Botafogo, Ney Franco, iniciou a carreira nas divisões de base. E enquanto os atletas mostram habilidade com a bola nos pés, o treinador sempre mostrou talento para, além de revelar promessas, fazer despertar o potencial que existe em cada um.
Material humano não falta para que Ney coloque em prática este segundo talento. A maioria do grupo do Botafogo é formada por jogadores que ainda buscam um lugar ao sol e precisam de espaço para brilhar. Para o treinador, no entanto, não existe muito mistério para apontar uma outra direção a um atleta.
- Acho que me dou bem com esse tipo de trabalho. Posso ser um mecanismo para os jogadores se firmarem. É importante o treinador abrir as portas para o atleta e mostrar o bom trabalho fará com que ele aumente seu currículo e ganhe projeção - explicou.
Ney Franco lista com orgulho os jogadores a quem mostrou uma outra direção nas carreiras e que posteriormente cresceram. Como Alan Bahia e Netinho, ambos do Atlético-PR e Toró, do Flamengo. Mas em sua avaliação, o caso mais emblemático é o do zagueiro William, atualmente no Corinthians, com quem trabalhou no futebol mineiro.
- Ele estava querendo encerrar a carreira aos 29 anos e fazia curso de economia. Fui responsável por resgatá-lo, e hoje ficou muito feliz em vê-lo fazendo sucesso. Também acho que o Juan, lateral-esquerdo, cresceu muito com a minha passagem pelo Flamengo. Quando cheguei ao clube ele era vaiado e um jogador saturado no clube. Mas a forma como montei o time favoreceu o seu crescimento e o do Leo Moura também.
Mas os quase dez anos de trabalho nas categorias de base também fazem de Ney Franco um olheiro de novos talentos. Na lista dos jogadores que passaram pelas suas mãos estão grandes nomes do futebol internacional.
- Lancei o Fred (atacante do Lyon) nos profissionais do Cruzeiro. Também tive a coragem para escalar o Renato Augusto numa final de Copa do Brasil. Jussiê e Marcinho, que passou pelo Flamengo, eu tirei da peneira do Cruzeiro. Além disso, trabalhei com Jefferson (goleiro ex-Botafogo), Maicon (lateral-direito do Inter de Milão), Maxwell (lateral-esquerdo do Inter de Milão), Wendel (meia do Bordeaux) e Luisão (zagueiro do Benfica).
Em 2009, Ney começa um trabalho praticamente do zero, depois que medalhões deixaram o Botafogo. Mas a ausência de líderes como Túlio e Lucio Flavio faz o técnico olhar pelo lado positivo. Este é o momento de surgirem novos símbolos do clube.
- Quem sabe Fahel ou Léo Silva podem tornar-se um novo Túlio? Ou que o Diego pode se destacar tanto quanto o Zé Roberto? O Diguinho, por exemplo, chegou ao Botafogo como um desconhecido e tornou-se um ídolo - exemplificou.