Gustavo Rotstein e Rodrigo Benchimol
Em um clássico de extrema rivalidade, a promessa é de forte marcação e poucos espaços. Por isso, as jogadas de bola aérea poderão ser decisivas para Flamengo e Botafogo, que nesta quarta-feira, às 21h50m (horário de Brasília), se enfrentam no Maracanã, pela semifinal da Taça Guanabara. Os números mostram que as duas equipes têm bons motivos para investir pelo alto e, assim, chegar à decisão contra o Vasco, que acontece no próximo domingo.
O Botafogo, por exemplo, tem as bolas aéreas como seu ponto forte na atual temporada. Dessa maneira, a equipe marcou oito gols em oito partidas disputadas em 2010, número que representa 44% das 18 bolas que o Alvinegro colocou nas redes adversárias. A marca expressiva pode ser explicada pela média de altura da equipe titular: 1,82 metro (confira os dados de cada jogador na tabela abaixo).
Mesmo com um time mais baixo, com 1,76m de média, o Flamengo também mostrou que tem uma saída forte pelo alto. De cabeça, a equipe marcou cinco dos seus 21 gols na atual temporada (19% de aproveitamento), e dessa forma somou apenas dois dos 13 gols sofridos. O zagueiro Ronaldo Angelim explicou:
- Temos uma média de altura baixa, mas sofremos poucos gols de cabeça. Isso é porque não marcamos somente por zona, mas individualmente.
O destaque das bolas aéreas do Botafogo é Loco Abreu, que utilizando seu melhor recurso marcou quatro dos seus cinco gols no Campeonato Carioca. Herrera, seu companheiro de ataque, e o trio de zaga formado por Antônio Carlos, Fahel e Fábio Ferreira, marcaram um gol de cabeça cada.
- Realmente é uma arma importante para o clássico, até porque tenho pouco tempo de clube e até o momento não pude trabalhar muitas jogadas. Mas não pode ser a única maneira de fazer gols - observou o técnico alvinegro Joel Santana.
O destaque do Flamengo pelo alto não é o Império do Amor e nem mesmo a dupla de zaga. O reserva Bruno Mezenga marcou duas vezes de cabeça, enquanto Adriano e Vagner Love fizeram um cada. Fernando, que também será reserva contra o Botafogo, fez o outro. O zagueiro Álvaro, entretanto, lembra que os atacantes rubro-negros não ajudam apenas na parte ofensiva.
- O Adriano ajuda muito no primeiro pau. Desde que ele passou a jogar ali, o time parou de sofrer gols porque a bola não passa. Às vezes prefiro um jogador baixinho marcando. Ser alto ou baixo não significa muito. O Willians, por exemplo, sobe bastante e tem tempo de bola - observou.
No Botafogo, que sofreu dois gols de cabeça em 14 no total, a ideia é investir nas bolas aéreas para vencer o Flamengo e seguir na busca pelo bicampeonato da Taça Guanabara.
- Nossa equipe é mais alta do que no ano passado, e as bolas altas são uma arma forte do Botafogo, precisamos aproveitar esse fato. Apesar do pouco tempo para treinamentos, o Joel tem batido nessa tecla.