Americanos de todas as idades clamaram pelo imóvel da Rua Campos Sales
Americanos lotaram sede e fizeram barulho para evitar leilão (Crédito: Paulo Wrencher)
Vinicius Perazzini
RIO DE JANEIRO
Aos gritos de "a sede é nossa", cerca de 200 torcedores compareceram nesta terça-feira ao "Abraço à Sede", realizado na sede do América, localizada na Rua Campos Sales, na Tijuca. Mobilizados para que o clube não perca seu patrimônio, os americanos cantaram sem parar e literalmente, abraçaram o imóvel, com todos unidos por mãos dadas.
Segundo Stefano Salles, organizador do evento, a conta aberta em nome da AMAB (Amigos do América da Baixada) com objetivo arrecadar fundos para saldar a dívida do Alvi-Rubro, precisa de ajuda.
- Há como parar o processo. Acreditamos que a sede não será vendida, mas as coisas não acontecem sem esforço. Vamos agir em todas as frentes, sensibilizar as autoridades e manter a sede. É algo reversível, pois o que está em jogo é a história do clube. Temos o apoio do prefeito, mas queremos também ao nosso lado a iniciativa privada. Qualquer tipo de ajuda será aceita - afirmou.
Residente na mesma rua que o clube, Stefano Salles também destacou a importância do prédio para a região e recordou o passado das instalações.
- Sou sócio, frequentador e torcedor do América. A sede é nossa identidade. Por exemplo, aqui já foi um estádio. Por sinal, o primeiro do Brasil a abrigar um jogo com arquibancada e placar eletrônico. Nossa sede também hospedou a reunião fundadora da Federação de Futebol de Salão do Estado do Rio de Janeiro e tantos outros fatos da sociedade, como a noite em que o Zagallo conheceu sua esposa, por exemplo. Temos um museu da história do Futebol Carioca, além de balies e diversos shows - revelou.
Fundador da torcida Inferno Rubro, Dario Meirelles, se orgulha de suas origens dentro da sede americana.
- Já tive até cargo no clube, mas sou do povo. O América é um clube social tijucano, que inspira o bairro até os dias de hoje. A sede é utilizada por todos e sempre está aberta - disse.
Já para Sérgio Faria, torcedor do Sangue desde os tempos áureos do clube, o prédio vale mais que qualquer quantia em dinheiro.
- Aqui é a minha casa. Por mais velha que ela possa aparentar, vale muito para a Tijuca e aqui estão as nossas histórias - contou.
A manifestação contou com torcedores de todas as idades, além de moradores da região. Muitas bandeiras e até mesmo uma caricatura com o time campeão da última Série B do Estadual estavam na porta da sede. Lembrado na festa, o título recente marca uma nova fase de glórias para João Luiz, fanático americano.
- Vou em qualquer lugar pelo meu time. Minha família toda é Alvirrubra e vivo pelo Sangue. 2009 foi o começo de uma nova fase - garantiu.
Em defesa do América, Merrwelvelson Junior, advogado dos sócios e conselheiro do clube, explicou que sede continuará em poder do clube.
- Juridicamente, há totais possibilidades de continuarmos com a sede. Um patrimônio tombado jamais foi vendido no Brasil. É uma de nossas defesas, se o decreto feito pelo Eduardo Paes valer. Além disso, a dívida foi contraída por um contrato de assinatura ilegal, feito por alguém sem poderes, que não poderia valer. Temos diversos motivos ao nosso lado - alegou.
Convidada de honra, Dona Ruth, torcedora-símbolo do América, foi homenageada com flores e resumiu o sentimento dos presentes.
- Não vamos deixar a sede. Se isso acontecer, será como perder um filho muito querido - lamentou.