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Em longa entrevista, Joel diz: 'Temos de dar resposta à torcida'

POR MARCIA VIEIRA - O Dia Online


Seis vezes campeão carioca — com títulos pelos quatro grandes clubes —, o técnico Joel Santana aceitou o desafio de assumir o Botafogo pouco depois de humilhante goleada de 6 a 0 para o Vasco, no Engenhão. A primeira tarefa do treinador foi levantar o astral dos jogadores e melhorar a abalada relação com a torcida alvinegra. O objetivo inicial era conseguir a vaga na semifinal da Taça Guanabara. Agora, o ‘Papai Joel’ já tem metas mais ambiciosas e garante que os jogadores do Botafogo vão saber dar a resposta no campo, a partir de hoje, diante do Flamengo.

Em outros Cariocas, você conseguiu surpreender os favoritos, mesmo com um time inferior tecnicamente. Este ano a história vai se repetir?

Joel: Eu não sei, ainda não temos nem um mês no cargo, mas a gente sente que a equipe vem tendo uma melhora, a cada dia que passa. O trabalho está sendo muito bem feito, mas a gente não teve uma sequência de jogos para dar segurança. Mesmo assim, estou confiante no desempenho do nosso grupo.

O seu maior desafio tem sido trabalhar o lado psicológico dos jogadores após a goleada de 6 a 0 para o Vasco?

Tive pouco tempo para trabalhar e colocar a minha filosofia no grupo e ainda encontrei jogadores totalmente cabisbaixos. O que procurei mostrar a eles é que não adianta dar sequência a esse tipo de situação. Precisamos mudar de uma maneira ou de outra porque temos que dar uma resposta à nossa torcida. A torcida não quer mais esperar. Então nós viemos de um sacrifício muito grande, eles, principalmente, conseguiram uma classificação às semifinais e agora nós vamos pegar, teoricamente, uma equipe considerada pela imprensa como uma das melhores do campeonato. Vamos enfrentar o atual campeão carioca e brasileiro e vamos com toda a nossa força.

A torcida está traumatizada com três vice-campeonatos consecutivos justamente para o Flamengo e muitos estão até mesmo com medo de uma nova goleada no jogo de hoje à noite. O que você diria a esses torcedores?

Estou confiante. Eles têm que ter confiança no grupo e no trabalho que está sendo feito. Vai ser um jogo igual, mano a mano, uma decisão de campeonato e, em decisão de campeonato, o favorito se mostra dentro de campo. Vamos responder à ansiedade da torcida e pode ter certeza de que o time vai lutar bastante.

Vai ser o dia do patinho feio virar cisne?

Ainda não sei (risos). Cada um tem uma opinião. A nossa classificação foi dentro do previsto. Nós perdemos dentro do primeiro turno três pontos. Os considerados papões perderam dois e nós ficamos só um ponto atrás deles. Então, a coisa não é tão feia quanto parece. Este grupo está trabalhando, tenho confiança neles e espero que respondam a essa confiança. Eles não vão me decepcionar não, pode ter certeza.

Os jogadores do Botafogo ficaram quietinhos no Carnaval. Foi um pedido seu para manter a concentração da equipe?

Eles não ficaram quietinhos, não. Eles tiveram que fazer o trabalho que estamos fazendo. O trabalho nosso é esse. Sabemos da nossa responsabilidade, sabemos do nosso trabalho, do que temos que fazer, e foi cumprida uma coisa que conversamos. Achamos que neste momento era o melhor.

Os jogadores do Flamengo curtiram muito o Carnaval. Isso pode representar uma vantagem para o Botafogo nesta partida decisiva da Taça Guanabara?

Do Flamengo, eu não falo. O que posso dizer é que no futebol eu já vi de tudo. Eu já vi clube viajar mais de 22 horas vindo da Arábia, vir para o jogo e engrossar a partida. Em futebol tudo é possível. Antes do jogo, tudo o que for falado não é correto. No futebol, às vezes você tem respostas inesperadas dentro de campo. E, no fim, o que fica é o resultado.

Dizem que o Somália é seu filho, seu xodó. Ele vai ser a surpresa na escalação do seu time?

Isso é você que está falando. Eu não falei nada, estou quietinho. Aliás, nós estamos quietinhos. O Somália veio do Rio Grande do Norte e nós ainda estamos nos conhecendo. É difícil conhecer 35 filhos em duas, três semanas. Eu cheguei aqui no dia 27 e ainda falta muita coisa. Estou conhecendo os jogadores e eles me conhecendo e está tudo correndo direitinho. Eles estão procurando fazer o que determinamos. Espero que amanhã (hoje) eles façam uma apresentação de gala, digna desse clube, dessa estrela dos jogadores que passaram por aqui, de uma história muito grande desse clube. E, acima de tudo, de honrarmos a camisa, representando bem a torcida dentro de campo.

Ficou ainda alguma dúvida na cabeça do treinador para definir a escalação da equipe?

Não, mas não vou divulgar a escalação do meu time até a hora do jogo. Mas já estou pronto há muito tempo.