Gustavo Rotstein
Rio de Janeiro
Revelação do Botafogo, Caio tem contrato de cinco anos com o clube
Há quase um ano, o Botafogo, praticamente de mãos atadas, lamentou a saída de Maicosuel. O Hoffenheim, da Alemanha, pagou 4,6 milhões de euros (R$ 12,8 milhões na época) e tirou de General Severiano aquele que então era o seu principal nome. A vitória por 4 a 1 sobre o Madureira, na última quinta-feira, mostrou que o Alvinegro tem novamente uma revelação no Campeonato Carioca. Caio, de 19 anos, desponta como destaque do time, e a diretoria, agora, faz o possível para evitar que a parte ruim da história se repita.
No início de 2009, Maicosuel assinou contrato de três anos de duração com o Botafogo. O jogador pertencia ao fundo de investimento Traffic, e cabia ao clube 20% do valor de uma futura negociação. O Hoffenheim cobriu com folga a multa rescisória de 3 milhões de euros, e ao Alvinegro, que chegou a fazer uma proposta considerada alta em termos de mercado nacional, restou embolsar cerca de R$ 2,5 milhões e dar adeus àquele que, na época, era a sua referência.
No fim do ano passado, Caio, ainda nos juniores, começou a chamar a atenção da diretoria do Botafogo, que se movimentou para que ele assinasse um contrato de cinco anos de duração. A negociação foi protagonizada pela Companhia de Participações Esportivas (conhecida como fundo de investimento), e, assim como no caso de Maicosuel, o Alvinegro passou a ter uma participação nos direitos econômicos do atacante.
Com o pensamento no episódio Maicosuel, o Botafogo decidiu colocar no contrato que o clube interessado em tirar Caio de General Severiano precisará desembolsar quase 6 milhões de euros (cerca de R$ 15,5 milhões, segundo o câmbio atual). O montante é uma via de mão dupla, pois significará um alto valor indenizatório do Alvinegro ao jogador no caso de rescisão de contrato. O atacante, portanto, é literalmente uma aposta.
- A única forma de um clube brasileiro tentar segurar um jogador é o valor de saída, o resto é história. Não posso confirmar números, mas diria que a multa do Caio é razoável. De qualquer maneira, acredito que ele está mais protegido do que o Maicosuel esteve - afirmou o gerente de futebol alvinegro Anderson Barros.
Caio pensa em criar raízes no clube: 'Quero ser um ídolo'
O dirigente reconhece que o Botafogo pouco poderia fazer se um clube aparecesse com uma proposta por Caio que superasse o valor da multa estipulada no contrato. Mas Anderson Barros acredita que a cobiça acontecerá apenas se o atacante de 19 anos mantiver o nível de suas atuações também num campeonato tecnicamente elevado, como o Brasileirão.
- O Caio mostrou que é talentoso, mas é fato que ele ainda vive um processo de amadurecimento. Seria primeiro preciso saber como ele se comportaria disputando outras competições, já que ele sequer disputou uma partida inteira pelo Botafogo. É claro que não temos qualquer intenção de negociá-lo, e lembro que se ele seguir dessa maneira, chegaria ao fim da temporada valendo três vezes mais - analisou o gerente de futebol.
Embora não esconda, como qualquer jovem brasileiro, o sonho de jogar na Europa, Caio afirma que seu pensamento está totalmente voltado para o Botafogo. Um de seus planos é deixar o status de xodó para, em pouco tempo, se transformar numa referência em General Severiano.
- As coisas estão acontecendo, mas não verdade ainda não aconteceram. Disputei apenas quatro jogos como profissional do clube, e quero ser um ídolo do Botafogo. Acho que estou no caminho certo e sei que preciso ficar mais tempo aqui, criar uma identificação. Lógico que ir para a Europa dependeria da proposta, mas gostaria de ir quando estivesse mais consolidado para não ter o risco de voltar pouco tempo depois - explicou o atacante.