Marcelo Machado
Belo Horizonte
Alemão, Euller e Paulo Isidoro agora são formados como técnicos de futebol
O mercado da bola ganhou mais 80 pretendentes a técnicos de futebol, entre os quais nomes bem conhecidos, como Euller, Cléber, Paulo Isidoro e Alemão, entre outros. Em evento realizado na noite desta segunda-feira, no Minas Tênis Clube 2, em Belo Horizonte, eles receberam o certificado de conclusão do curso promovido pelo Conselho Regional de Educação Física de Minas Gerais (CREF-MG).
A festa foi prestigiada por craques do passado e do presente, como o ex-goleiro João Leite, o ex-zagueiro e técnico Procópio Cardoso, o armador Lincoln (atualmente em litígio com o Galatasaray, da Turquia) e o atacante Fred, do Fluminense.
- Só tem fera nessa formatura. Se eles repetirem como técnicos 30% do que fizeram com a bola nos pés, só vai sair Telê Santana daqui - brincou Fred.
Um dos formandos, o atacante Euller, de 38 anos, disse que antes de iniciar a carreira de treinador pretende jogar pelo América até 30 de abril de 2012, data do centenário do clube, quando o jogador estará com 41 anos.
- Até lá, quero me preparar muito, estudando e fazendo estágios. Vou me inspirar no Telê Santana, com quem aprendi muito do que sei de futebol. Ele foi mais do que um técnico para mim. Foi um pai - afirmou Euller.
O Filho do Vento acredita que os ex-jogadores são mais aptos a exercer a função de treinador.
- Aquele que viveu o futebol como jogador tem grande vantagem em relação aos outros, pois conhece o mundo dos jogadores e vai saber como lidar com um grupo, a hora de cobrar, entre outras coisas.
O ex-jogador Paulo Isidoro, de 56 anos, pensa da mesma forma. Dono de uma escolinha de futebol, ele quer trabalhar com as categorias de base.
- Pela experiência ao longo da carreira, temos mais facilidade, mas ainda assim venho me aprimorando para seguir a carreira de treinador. Estou à espera de uma oportunidade. Minha intenção é trabalhar com a base - disse ele, que jogou nas décadas de 70, 80 e 90 por clubes como Atlético-MG, Grêmio, Santos e Cruzeiro, além de ter disputado a Copa do Mundo de 1982 pela seleção brasileira.
O ex-zagueiro Cléber (Atlético-MG, Palmeiras e Cruzeiro), que atualmente é parceiro de César Sampaio na empresa que administra o Rio Claro, clube que disputará a Série A1 do Paulistão de 2010, ainda não decidiu quando pretende dar início à carreira de técnico:
- O importante é que tive a oportunidade de me credenciar. Sobre a carreira, é uma decisão que ainda vou ter de tomar.
O ex-volante Alemão, que disputou as Copas de 1986 e 1990 pela seleção e que já exerce a carreira de treinador, disse que o curso foi importante:
- Fazer o curso foi fundamental, porque completa tudo o que falta em um treinador. Foi bom receber esse certificado - disse ele, que jogou por Botafogo, Napoli e São Paulo, entre outros clubes.
Espécie de paraninfo da formatura, Procópio Cardoso fez um alerta aos aspirantes a técnicos. Segundo ele, os treinadores precisam tomar muito cuidado na relação com os empresários que atuam no futebol.
- Vocês conhecem futebol. Portanto, tudo que se refere às quatro linhas vai ser fácil. O problema é o extracampo, são as artimanhas, as contratações que são feitas para lesar os clubes e enriquecer alguns. Então, duas palavras são fundamentais: ética e Deus - disse Procópio em seu discurso.
Realizado na Escola de Educação Física da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o curso promovido pelo CREF teve duração de cem horas de aulas teóricas e cem horas de estágios supervisionados. As disciplinas estudadas: Direção de Equipe e Planejamento Estratégico, Fisiologia do Esforço Aplicada ao Futebol, Preparação Física, Psicologia do Esporte e Treinamento Técnico Tático Aplicado ao Futebol.
- O objetivo do curso foi regularizar os provisionados, ou seja, pessoas com experiência na área, seja como jogador ou treinador, mas que não tinham uma formação adequada. Como a lei vai impedir que pessoas sem capacitação atuem na área, fizemos esse curso - explicou Jurandy Gama Filho, presidente do CREF e coordenador do curso.