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Túmulo de Garrincha segue abandonado




Na véspera de completar 26 anos de sua morte, LANCENET! visita local onde Mané foi enterrado.


Filha do ídolo faz apelo


Rosângela do Santos, filha do Mané, ao lado do túmulo do pai


(Crédito: Paulo Wrencher)

Rômulo Paganini RIO DE JANEIRO Entre em contato


Uma das histórias contadas pelos saudosistas botafoguenses era de que o eterno Garrincha tinha o hábito de chamar os adversários de João. Mas o Anjo das Pernas Tortas foi tratado exatamente como um marcador apelidado por ele mesmo.


Terça-feira, completam-se 26 anos da morte de Mané. Em seu túmulo no cemitério de Raiz da Serra, em Magé, o eterno camisa 7, bicampeão mundial com a Seleção, divide sepultura com quatro pessoas.


O jazigo está com o nome de Jorge Rogonisky, sobrinho de Garrincha. Além dele dividem o espaço: Edenir, Teresa e José Luis. Todos parentes de Mané. A única memória na sepultura, que está em péssimo estado, é a frase:


“Aqui descansa em paz aquele que foi a alegria do povo”.


Nem mesmo um escudo do Botafogo – que defendeu por mais de 10 anos – existe no local.


– A memória dele deveria ser respeitada. Gostaria que o Botafogo ou a CBF cuidassem do local. Eles poderiam reconstruir o mausoléu – desabafou um das filhas de Garrincha, Rosângela dos Santos.


Dois anos após a morte do craque, em 1985, a prefeitura de Magé resolveu criar um monumento para abrigar os restos mortais. Hoje, o mausoléu continua desativado esperando o impasse com a família.


– A irmã de Garrincha (dona Rosa) não quer o irmão em outra cova. Porém, ela está convencida de que se o mausoléu for reformado os restos mortais ficarão em um local separado – explicou Rosângela.


No entanto, a burocracia funerária também impede que qualquer atitude seja tomada imediatamente. José Luis, sobrinho de Garrincha, foi sepultado há um ano e meio e, obrigatoriamente, a cova só poderá ser aberta quando forem completados três anos.


– Para transportar os restos mortais para outra sepultura custa R$ 25. Eu faria isso com o meu dinheiro, mesmo ganhando pouco. O problema é que eu não tenho condições de arcar com as obras do mausoléu. Não tenho R$ 10 mil – lamentou José Carlos, coveiro do cemitério e torcedor do Botafogo.


A trajetória de Mané Garrincha


Sport Clube Pau Grande

Começou no infantil no clube da cidade natal. Aos 19 anos fez um teste no Botafogo e foi aprovado.


Botafogo Atuou no Alvinegro de 1953 a 1965. No total foram 245 gols e cinco títulos importantes:


Campeonato Carioca de 1957, 61 e 62 e bicampeonato do Torneio Rio-São Paulo (1962 e 1964).


Seleção Brasileira

Mané foi bicampeão mundial em 1958 e 1962. Em 60 partidas com a camisa da Seleção, perdeu apenas uma vez.


Outros clubes

Atuou por Corinthians, Atlético Junior (COL), Flamengo e Olaria, mas não teve sucesso nesses clubes.


Adeus...

Aos 49 anos, morreu em 20 de janeiro de 1983 o eterno Mané Garrincha. O ex-jogador, que sofria da dependência de álcool, teve uma infecção generalizada deixando 13 filhos.