Prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia dá sua versão sobre o Engenhão, um estádio difícil de explicar
A participação do presidente Bebeto de Freitas no Bate-Bola segunda edição de quinta-feira repercutiu no blog. Torcedores do Botafogo acham que se o estádio foi colocado em licitação após consumir mais de R$ 380 milhões dos cofres públicos cabe a quem mandou construí-lo explicar.
De acordo. Por isso mesmo, entramos em contato com o prefeito Cesar Maia, que vive suas últimas semanas de mandato. Foram cinco respostas do alcaide, sempre por e-mail, às questões a ele enviadas pelo blog. Abaixo, um resumo da conversa virtual, feita por etapas ante respostas a princípio vagas.
De cara, fica evidente que ao abrir mão do estádio o objetivo do prefeito era empurrar para alguém uma enorme fonte de despesas. Clique na imagem abaixo para vê-la ampliada, leia o texto a seguir e tire suas conclusões.
Caro prefeito poderia me responder quatro perguntinhas, por gentileza?
1) Por que a prefeitura pedia menos de R$ 1,7 mil mensais por uma obra de R$ 380 milhões? Por que um valor tão baixo?2) Embora público, o local não ficou disponível para a população.
O que explica isso? Por que a pista de atletismo, por exemplo, não é utilizada por atletas da modalidade e/ou jovens da comunidade. Não era esse um dos legados do Pan 2007?
3) Em seu blog, o jornalista Paulo Vinícius Coelho, da ESPN Brasil, repassa informação obtida junto ao próprio presidente botafoguense: “Bebeto (de Freitas) espera a liberação de uma área nos fundos do estádio, para começar a alugar os galpões que existem no local”.
Por que a prefeitura não alugou, ela mesma, esses galpões ou os deixou fora da licitação, limitando a mesma ao uso do estádio, da praça desportiva?
4) Como todos sabem, o Engenhão custou bem mais do que se imaginava inicialmente. Se o senhor pudesse voltar no tempo, antes do início das obras do Engenhão, faria tudo igual novamente? O que mudaria?
Resposta de Cesar Maia aproximadamente três horas e meia depois:
Resposta de Cesar Maia aproximadamente três horas e meia depois:
Bobagem. O que a prefeitura recebe não é o aluguel mas o custo que deixa de pagar.
CM
O blog insistiu:
Grato pela resposta.Mas e quanto às perguntas 2, 3 e 4?
Obrigado,Mauro Cezar
Ele respondeu:
Ele respondeu:
2. Essa é uma questão de gestão no tempo. Um ano é pouco para o clube descobrir todas as potencialidades de uso.
3. É uma idéia de um grupo português com o qual o Botafogo negociava. De qualquer forma os espaços internos para bares/restaurantes, boutiques esportivas, estacionamento, museu do BFR,…serão utilizados no futuro.
4. O Engenhão custou o que deveria custar. Se confunde duas coisas.
1) a idéia apresentada para a candidatura que não contemplava um estádio olímpico.
2) as obras terem sido feitas em 3 licitações, e se ter tomado a primeira como a total.
CM
E insistimos de novo. Desta vez as respostas de Cesar Maia aparecem logo abaixo de cada uma das questões reformuladas:
a) O senhor acha correto o local não estar disponível para a população, mesmo tendo sido a construção feira com dinheiro do contribuinte?
R- O primeiro ano é de tomada de controle e conhecimento do equipamento. Depois vem as idéias e o uso mais amplo. É natural. Lembro que a Arena só agora está tendo um uso frequente.
b) E certo que tal obra feita com recursos públicos possa dar lucro a uma empresa privada, a Companhia Botafogo, após consumir tanto dinheiro, apenas para livrar o município das despesas de manutenção?
R- Lucro ? Só se for a prefeitura que não terá os custos de uns 15 milhões por ano com o equipamento e o terá para 2016. Pergunte quanto custa o Maracanã.
c) Por que a pista de atletismo, por exemplo, não é utilizada por atletas da modalidade e/ou jovens da comunidade que possam iniciar no esporte ali, nas instalações do estádio Olímpico? Não era esse um dos legados do Pan 2007?
R- Certamente será após o amadurecimento da gestão.
d) Bebeto (de Freitas) espera a liberação de uma área nos fundos do estádio, para começar a alugar os galpões que existem no local. O Botafogo alugou o Engenhão por R$ 32 mil mensais e ainda pode lucrar com esses galpões que nada tem a ver com o estádio? Por que a prefeitura não faturou separadamente com eles? É correto isso?
R- Essa é uma questão do COB pois não nos pertence.
CM
Evidentemente nem tudo está claro. Mais um e-mail foi enviado ao prefeito do Rio de Janeiro:
Só a manutenção do Engenhão custa R$ 15 milhões por ano, prefeito?Os galpões são do COB? Como assim? Poderia explicar melhor?Ainda não entendi como o senhor imagina que a estrutura venha a ser utilizada pela população, poderia ser mais específico?
Grato, Mauro Cezar
E ele respondeu:
Assim como não posso responder, o BFR também não poderia no primeiro ano e por isso deveria assumir com prudencia.O terreno é cedido ao COB que cedeu a prefeitura só a area do Engenhão.Cabe ao BFR responder. Não sou o concessionário.
CM
Postado por Mauro Cezar Pereira em 16.11.2008