Inicialmente, frase foi atribuída a Botafogo e Vasco por conta de longo jejum de títulos na primeira metade do Século XX
Bruno Saldanha
Rio de Janeiro (RJ)
Rio de Janeiro (RJ)
Muito se fala do rótulo de time supersticioso que o Botafogo tem. Nas glórias e, principalmente, nos fracassos, já existe o dito popular: “Tem coisas que só acontecem ao Botafogo”. Foi este o pontapé inicial que o zagueiro Antônio Carlos deu na coletiva da última quinta-feira para resumir que algo quase impossível - o triunfo por quatro gols de diferença para devolver a goleada sofrida pelo Fluminense na final do Carioca - tem mais chance de acontecer com o Glorioso do que outro time.
Mas, afinal, como surgiu esta famosa frase? A reportagem do LANCENET! procurou saber com o historiador e jornalista alvinegro Roberto Porto. Segundo Porto, em versão que o também alvinegro Luiz Mendes o repassou, a frase original seria “Há coisas que só acontecem ao Botafogo e ao Vasco.”
Tudo começou em 1937, quando o Vasco teve um acidente de carro a caminho das Laranjeiras, onde enfrentaria o Andarahy. Com o atraso, o juiz já se preparava para declarar o W.O. a favor dos visitantes, que pediram mais tempo até que o time cruz-maltino chegasse.
O jogo se realizou e o Vasco venceu, por 12 a 0. Para o Andarahy, a histórica derrota culminou no rebaixamento e, posteriormente, na falência do clube. O massagista Aruminha era também um umbandista conhecido em Vila Isabel e enterrou um sapo no campo de São Januário. O objetivo era que o Vasco tivesse um jejum de doze anos de conquistas.
O Vasco ficou oito anos sem títulos e, coincidentemente, o Botafogo também teve uma escassez de conquistas, fazendo com que fosse criada a frase para ambos os times.
Porém, de 1945, fim do jejum, até 1950, o Vasco colecionou quatro títulos cariocas e um título sul-americano, todos invictos, fazendo com que a frase fosse atribuída somente ao Botafogo, que não saiu do jejum com o mesmo sucesso.
A frase ganhou ainda mais força a partir de 1948, quando o presidente alvinegro da época, Carlito Rocha, implementou diversas superstições na equipe, como as combinações de uniforme, o cachorro Biriba e as cortinas, sempre presas, de General Severiano.
Não seria nada mal que, caso o título Carioca vá para General Severiano amanhã, um capítulo relacionado à essa frase seja escrita na História do Botafogo.
OTIMISMO É TRABALHO DE PSICÓLOGA
Um dos principais trunfos do Botafogo é a psicologia. A atual gestão do clube investiu bastante nesse setor e vê o incentivo ao otimismo como forte cartada.
– Estamos trabalhando e conversando entre nós. Por ser um dos mais experiente, procuro sempre falar com o grupo – disse o volante Renato.
A partir do suposto “azar” que o Botafogo vinha tendo nas finais de Campeonato Carioca contra o Flamengo, Maurício Assumpção exigiu um trabalho maior da psicóloga Maíra Ruas para que o foco fosse desviado do fator sorte para o fator trabalho.
– Ela vem em toda reunião e geralmente fala com os jogadores. Ela trabalha mais a parte individual – finalizou Renato.
COISAS QUE SÓ ACONTECEM...
- Boas:
Ajuda de Biriba
Em 1948, o Botafogo venceu o Carioca em cima do Vasco, campeão sul-americano naquele ano. O cão Biriba virou símbolo da conquista, já que quando entrada no campo o Alvinegro sempre ganhava os jogos.
Em 1948, o Botafogo venceu o Carioca em cima do Vasco, campeão sul-americano naquele ano. O cão Biriba virou símbolo da conquista, já que quando entrada no campo o Alvinegro sempre ganhava os jogos.
Título incrível
Em 1968, o Fla precisava de um empate com o Bonsucesso para vencer a Taça Guanabara, mas perdeu. O Bota fazia excursão pelo exterior e voltou às pressas. Goleou o Fla por 4 a 1 e foi campeão
Em 1968, o Fla precisava de um empate com o Bonsucesso para vencer a Taça Guanabara, mas perdeu. O Bota fazia excursão pelo exterior e voltou às pressas. Goleou o Fla por 4 a 1 e foi campeão
Fim do jejum
Em 1989, depois de 21 anos sem títulos, o título Carioca sobre o Fla foi marcado pela curiosidade nos números. Mazolinha, camisa 14, cruzou para Maurício, 7, marcar. 14 + 7 = 21. Fim do jejum.
Em 1989, depois de 21 anos sem títulos, o título Carioca sobre o Fla foi marcado pela curiosidade nos números. Mazolinha, camisa 14, cruzou para Maurício, 7, marcar. 14 + 7 = 21. Fim do jejum.
- Ruins:
Dramático
Na Sul-Americana de 2007, o Bota venceu o River Plate, da Argentina, por 1 a 0, no Engenhão. Na volta, vencia por 2 a 1 até os 30 minutos da etapa final, mas tomou três gols e foi eliminado.
Dupla lesão e vice
Na decisão do Carioca-09, o Bota vencia o Fla no jogo de ida por 2 a 1. No mesmo lance, Reinaldo e Maicosuel se lesionaram e saíram. O Fla empatou. Na volta, novo empate por 2 a 2 e derrota nos pênaltis.
Quanto azar!
A revista argentina “El Gráfico” elegeu os dez clubes mais azarados do mundo. O Bota ficou em sexto lugar com a explicação de ter tido craques e não ter conseguido traduzir seu reinado a nível local.