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Sem Abreu, “plano B” de Joel Santana vira referência para o Botafogo

por André Rocha
Olho Tático - Globo Esporte




No segundo tempo da virada sobre o São Paulo no Morumbi, Joel Santana desfez o cauteloso 3-4-1-2, trocou Somália de lado e partiu para o ataque com Cordeiro apoiando pela esquerda, Cajá armando com Caio no meio e Edno fazendo companhia a Herrera no ataque.

Apreciável ou não, o Botafogo de Joel Santana tem o mérito de iniciar o campeonato brasileiro com uma forma de jogar bem definida. Embora o clube desejasse ainda estar disputando a Copa do Brasil, a concentração na principal competição nacional também pode ser uma boa vantagem neste início. Contra os “dispersos” Santos e São Paulo, inegáveis favoritos ao título, o time já somou quatro pontos que certamente serão importantíssimos mais à frente.

Porém, a ausência de “Loco” Abreu, servindo à seleção uruguaia, e de um substituto com as mesmas características indicam que a equipe deve deixar um pouco de lado as bolas aéreas que consagraram o alvinegro no título estadual e investir mais em velocidade e ações ofensivas pelo chão.

Na virada por 2 a 1 que acabou com um jejum de vitórias sobre o tricolor no Morumbi que já durava 15 anos em Brasileiros, um Bota mais ágil, técnico e “rasteiro” no segundo tempo soube trabalhar melhor a bola e definir o jogo nos últimos minutos.

A primeira etapa teve excesso de bolas levantadas nas áreas das duas equipes. Se os mais jovens têm curiosidade de saber como era o futebol inglês nos anos 1970/80, os primeiros 45 minutos foram uma réplica bastante fiel.

O São Paulo, mesmo repleto de suplentes, conseguiu dominar porque teve em Washington uma referência para os cruzamentos, ainda que o gol são-paulino que abriu o placar tenha sido de Léo Lima. Com Sandro Silva errando passes em profusão, Lúcio Flávio muito lento com a bola rolando e Caio e Herrera perdidos na frente contra um trio de zaga bem mais alto na média, o Bota só ameaçava nos cruzamentos de seu camisa 10 em faltas e escanteios para os zagueiros que chegavam à frente. Numa delas, centro perfeito na cabeça de Antonio Carlos, que marcou seu terceiro gol em duas rodadas e já é um dos artilheiros da competição.

No segundo tempo, o time visitante soube se impor não só pela maior motivação na partida, mas principalmente pelas substituições que alteraram a equipe taticamente: com as entradas de Marcelo Cordeiro, Renato Cajá e Edno nas vagas de Alessandro, Lúcio Flávio e Sandro Silva, Joel desmontou o 3-4-1-2, trocou Somália de lado para marcar Fernandinho, o substituto de Washington, e avançou Fahel para preencher o meio-campo.

Num ousado 4-2-2-2, com Caio recuando para armar à direita e Edno pela esquerda mais próximo de Herrera, o Botafogo colocou a bola no chão e numa jogada arquitetada por Cajá com o auxílio do atacante argentino, que se enroscou com Alex Silva no lance, o gol do meia aos 42 minutos fez justiça a quem mais lutou pela vitória e soube se reinventar durante o jogo para buscar o resultado.

As mudanças de Joel não são uma novidade. Ao longo do Estadual e na própria estreia do Brasileiro o treinador utilizou formações mais ofensivas de acordo com as circunstâncias do jogo e a equipe sempre cresceu de produção.

Com os prováveis retornos de Maicosuel e Jóbson ao clube, Joel terá que rever o estilo de jogo alvinegro, alternando os “chuveirinhos” com as trocas de passes em velocidade. Se a carência de opções obrigou o treinador a apostar tudo nas ligações diretas no início de seu trabalho, agora o elenco oferece mais alternativas e pede uma gradativa mudança de rota.

Nas próximas rodadas e, principalmente, na pausa por conta da Copa do Mundo, tempo é que não vai faltar para fazer do que hoje é um “plano B” uma proposta viável que aproveite melhor as novas peças disponíveis.