Sidney Garambone
Apesar de evoluídos socialmente, ainda se vê muita injustiça na Europa. E ela voltará com ainda mais força, face à marginalidade imposta aos imigrantes e ao fim gradativo do “Welfare State”, estado de bem-estar social que, durante a Guerra Fria, proporcionou vários benefícios aos trabalhadores dos países do lado de cá da Cortina de Ferro.
E o futebol?
O futebol sempre sobreviveu no capitalismo, no comunismo, no anarquismo, no cristianismo, no islamismo…
Mas também é um celeiro de injustiças. A última aconteceu na terra da Santa Ceia de Da Vinci. Só que o Leonardo era outro.
O do Milan.
Leonardo sempre teve um papel importante no comando do futebol. Opiniões técnicas e até psicológicas sobre jogadores e futuros jogadores. Ex-atleta do clube, sempre transitou muito bem entre o vestiário e os gabinetes. Eis que o Milan se vê sem rumo nos meados de 2009. Eis que surge o nome de Leonardo. Nem o mais otimista dos milanistas acreditaria numa campanha digna. O time era considerado velho e previsível, Kaká tinha ido embora para o Real Madrid e Ronaldinho Gaúcho vivia um eterno inferno bolal.
Leonardo chegou, pôs o time para frente, expôs a defesa, mas conseguiu dignamente a classificação para a Liga dos Campeões. O que era para ser uma temporada vergonhosa transformou-se, em alguns momentos, na possibilidade de título.
E, antes do campeonato acabar, Berlusconi e companhia, muito educadamente, dispensam Leonardo. Que, muito educadamente, também garantiu que não houve litígio.
Achei deselegante.
E lembrou-me recentes demissões em grandes clubes brasileiros.
Deselegantes.
Como não houvesse amanhã.
Ou melhor, como não houvera ontem.