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Com Botafogo no peito, Maicosuel troca férias por expectativa da volta

Na cidade de Cosmópolis, meia diz que Alvinegro devolverá confiança perdida na Alemanha e servirá de atalho para a seleção

Por Gustavo Rotstein
Direto de Cosmópolis, SP


                                      Maicosuel mostra cordão com escudo do Botafogo
                                      (Foto: Gustavo Rotstein / Globoesporte.com)

O tempo é de férias, mas o descanso passa longe da rotina de Maicosuel. Após uma temporada apenas discreta pelo Hoffenheim, da Alemanha, o jogador retornou ao Brasil na última segunda-feira e, desde então, vive dias agitados. Enquanto mantém a forma física correndo atrás da filha Eduarda, de 2 anos, apronta os últimos detalhes da festa que vai oficializar a união com a mulher Mari, dia 29. Além disso, se ajusta à ampla casa recém-comprada na cidade de Cosmópolis, a 130 quilômetros de São Paulo, onde nasceu. Mas a expectativa maior é por saber se conseguirá concretizar o sonho de retornar ao Botafogo, clube o qual defendeu por apenas quatro meses, em 2009, mas que está literalmente no seu peito desde que foi negociado com o clube europeu, em maio do ano passado.

Maicosuel não tira de maneira alguma do pescoço o cordão com pingente do escudo do Botafogo, que ganhou do vice de futebol André Silva pouco antes de deixar General Severiano. Na Alemanha, o acessório foi a maneira que encontrou para mostrar a si mesmo a fidelidade ao clube ao qual deu a preferência no momento de negociar sua volta. E foi no dia que recebeu o GLOBOESPORTE.COM na sua casa em Cosmópolis que o meia ficou sabendo da liberação do Hoffenheim. Naquele momento a ansiedade aumentou, pois uma reunião marcada para este sábado poderá decidir seu futuro.

Retornar ao Botafogo seria colocar fim a um tempo de angústia. Maicosuel avalia a temporada na Alemanha como pessoalmente enriquecedora, mas ao mesmo tempo estressante. Os constantes desentendimentos com o técnico Ralf Rangnick – que chegou a multá-lo em € 10 mil (cerca de R$ 22 mil) por três minutos de atraso a um treino do qual diz não ter sido avisado – minaram a confiança de um jogador que sonha com a seleção brasileira. E, para ele, o melhor lugar recuperar a alegria de jogar é em General Severiano.

GLOBOESPORTE.COM - Como têm sido os primeiros dias de férias no Brasil e na sua cidade?

MAICOSUEL - Uma correria louca. Tenho muita coisa para resolver: casa nova, casamento, algumas burocracias e, além de tudo, minha filha, que acorda às seis da manhã todos os dias (risos). Mas daqui a pouco acalma, e vou poder fazer um churrasco, conversar com meus amigos, jogar videogame e baralho, bater uma bola...

E essa possibilidade de retornar ao Botafogo também tem tomado conta dos seus pensamentos ultimamente?

Não tem como ser diferente. Pergunto sempre ao meu empresário sobre as novidades. A ansiedade é grande. Minha mulher vive me questionando se realmente vamos voltar ao Rio. Acho que tudo já deveria estar resolvido, mas sei que não é fácil. Todo mundo sabe que quero voltar ao Botafogo, que é um clube com o qual tenho uma dívida e onde fiz muitos amigos.

Sua passagem pelo clube, em 2009, foi de apenas quatro meses, mas criou-se um carinho recíproco. Por quê?


           Maicosuel com mulher, filha e pai em Cosmópolis
            (Foto: Gustavo Rotstein / Globoesporte.com)

Foi um casamento que deu certo. Criei uma grande identificação com clube e torcida, e por ter amigos pessoais como André Silva, que vai ser meu padrinho de casamento, sinto-me seguro. O status, o reconhecimento e o nome que tenho hoje se devem ao Botafogo. Não conquistei títulos, mas fiquei marcado por mostrar o meu melhor futebol. Aprendi a gostar do clube rapidamente, e além de tudo está no meu país. Depois que saí, vi que realmente não é fácil.

Por falar nisso, qual avaliação que você faz da sua passagem pelo futebol da Alemanha?

Todo mundo me perguntava se era a hora certa de sair do Botafogo, mas precisava arriscar, pois tenho meus objetivos e uma família para sustentar. Agora estabeleci metas maiores, e não seria bom permanecer num clube onde tenho poucas chances de jogar. Houve muitos probleminhas que atrapalharam, e por isso não deu certo. Quero disputar o Brasileirão, recuperar a confiança que perdi e estar novamente ao lado das pessoas de quem gosto.

Quais as dificuldades que viveu dentro de campo e de que forma acha que forma a experiência no Hoffenheim contribuiu para a evolução do seu futebol?

É um futebol mais pegado, com muita correria e no qual se arrisca menos do que no Brasil. Meu estilo de jogo não deu certo na Alemanha por causa disso. Eram treinos que pareciam jogos, e não me adaptei bem. O treinador cobrava toques rápidos, mas meu estilo foi sempre de conduzir muito a bola. Hoje sinto-me mais preparado e desenvolvido. Quando assistia aos jogos do Brasil pela televisão, ficava impressionado com os espaços no campo. Lá não tem nada disso, pois a marcação é intensa.

O que você busca nessa provável volta ao Brasil e ao Botafogo?

Por causa de uma série de problemas, meu futebol vinha caindo um pouco, e achei que seria bom voltar. Além disso, penso na seleção brasileira, e embora saiba que na Europa eu possa ter uma visibilidade maior, acho que com a confiança de voltar e jogar com regularidade, estarei mais perto de cumprir este objetivo.

Você tem o objetivo de ser mais um filho do Papai Joel?
Maicosuel mostra campinho de futebol de sua nova casa em Cosmópolis (Foto: Gustavo Rotstein)

Sei que Caio e Somália são filhos dele, e tomara que eu possa chegar lá também. Na Alemanha, acompanhei a chegada do Joel ao Botafogo, e gostei quando ele falou que naquele momento a festa começaria. É uma pessoa confiante naquilo que pode fazer, e isso é transmitido aos jogadores.

Depois da sua saída, Caio passou a ser o xodó da torcida do Botafogo. Qual a sua análise do atacante?

É um jogador que me impressionou muito. Quando ele despontou, falei com o André Silva que ele precisava ser bem trabalhado, pois tem muita qualidade. O Caio é excelente com a bola no pé, chuta bem, é ousado e tem habilidade.

A torcida do Botafogo criou uma grande expectativa por ver de volta aquele Maicosuel que brilhou em 2009. Está pronto para a responsabilidade?

Sempre fui de assumir responsabilidades em todos os clubes por onde passei. Quando cheguei, falava-se muito do fato de eu substituir o Lucio Flavio. Estou tranquilo. Sei que a responsabilidade existe por ser um dos maiores investimentos do Botafogo. Se acertar a volta, entendo que os olhos estarão apontados para mim e que se não for bem, o carinho da torcida vai diminuir. Mas estou preparado, mesmo sabendo que precisarei de um tempo para readaptação. O Joel é um grande treinador e vai fazer de tudo para que eu desempenhe meu melhor futebol. Além disso, terei um grupo qualificado ao meu lado. Estou fazendo algo que gosto, e ninguém vai tirar isso de mim