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Botafogo celebra troca do 'êxodo' pela era da 'imigração'

Dirigente alvinegro diz que mudança de filosofia teve como resultado extensão dos contratos de ídolos como Jefferson e Herrera

Por Gustavo Rotstein
Rio de Janeiro


Novo contrato de Herrera marca nova época no Botafogo (Foto: Alexandre Cassiano/Globo)

No fim de 2008, a torcida viu um qualificado time do Botafogo se desfazer. Jogadores como Renato Silva, Andre Luis, Diguinho, Lucio Flavio, Carlos Alberto e Jorge Henrique deixaram o clube, e uma nova diretoria assumiu com a missão de reconstruir um elenco composto por cerca de dez nomes. Um ano e meio depois, a notícia da extensão dos contratos de ídolos do porte de Jefferson e Herrera mostram que os tempos mudaram. O que era “êxodo” transformou-se na “imigração” consolidada nas fronteiras de General Severiano.

Mesmo que ainda conviva com muitas dificuldades financeiras e a cada mês se desdobre para cumprir os prazos de pagamento de salários, o Botafogo passou a adotar a filosofia de valorizar a posse de seus jogadores. Em vez de se apoiar em investidores simplesmente para contar com reforços, o clube decidiu tornar-se parceiro deles, mantendo mesmo que uma pequena porcentagem dos direitos econômicos de seus atletas.

Assim, titulares como Jefferson, Alessandro, Leandro Guerreiro, Lucio Flavio, Herrera e Loco Abreu pertencem integralmente ao clube, o que dá ao Botafogo a segurança de planejar seu futuro na temporada. O próximo passo é incluir Maicosuel nesta nova filosofia, repatriando um jogador que pertence a um grupo de investimento e que o Alvinegro viu sair, em maio de 2009, sem quase nada poder fazer.

- A maioria dos clubes brasileiros vive situação financeira precária, e com o Botafogo não é diferente. Quando assumimos, no início do ano passado, éramos obrigados a fazer negócios com investidores que colocavam jogadores e o clube tinha apenas uma participação em caso de futura transferência. Na nova filosofia, queremos, na medida do possível, ter partes de todos os atletas - explicou o vice de futebol André Silva.

Por que buscar outro lugar? Tenho certeza de que fiz a melhor escolha"Loco AbreuCom 15 anos de carreira profissional e passagem por 17 clubes de sete países diferentes, além da seleção do Uruguai, Loco Abreu explica o porquê da tendência de mais chegadas do que saídas do Botafogo. O atacante de 33 anos diz ter encontrado boas condições de trabalho em General Severiano, onde está há cinco meses.

- O clube tem uma diretoria séria e oferece uma boa estrutura de trabalho. É fundamental quando o jogador tem apenas a preocupação de treinar e dar o seu melhor em campo. Por isso, por que buscar outro lugar? Tenho a certeza de que fiz a melhor escolha ao vir para o Botafogo - disse.

André Silva ressalta que a habilidade no Botafogo não está apenas nos pés dos jogadores que conquistaram o Campeonato Carioca de 2010, após três vices consecutivos. Segundo o vice de futebol, a diretoria vem encontrando meios de vencer as dificuldades financeiras para honrar compromissos e deixar o elenco tranquilo para desempenhar seu melhor futebol.

- Hoje felizmente os jogadores querem vir para Botafogo, um clube no qual existe uma diretoria próxima aos atletas. Apesar dos problemas, estamos cumprindo os compromissos. Não posso dizer que nunca iremos atrasar salários, mas estamos fazendo o possível para que não aconteça. Existe credibilidade - destacou.