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Um ano atrás enquanto isso…

por Gustavo Poli

 Após a trigésima-terceira rodada do Campeonato Brasileiro, faltando apenas cinco jogos para cada time… o campeonato está aberto. Quatro times brigam pelo título – tendo apenas quatro pontos a separá-los: Corinthians, Fluminense, Cruzeiro e Botafogo. Epa… Cruzeiro? Algo errado aí? Ano errado. Estamos falando do Campeonato Brasileiro de 2010 – que após 33 rodadas era liderado pelo Fluminense com 58 pontos, seguido por Corinthians e Cruzeiro (ambos com 57) e pelo Botafogo (54). Depois deles, tínhamos cinco times com 50 pontos (Santos, Inter, São Paulo, Grêmio e Atlético-PR)

Um ano faz muita diferença… ou não. Em 2011, o pelotão da frente é mais amplo. Tem figuras repetidas:  Corinthians,Fluminense e Botafogo. Os atores novos são Vasco, Flamengo e o surpreendente Figueirense. Os líderes (Vasco e Corinthians) têm os mesmos 58 pontos que o tricolor carioca tinha no ano passado a esta altura. A onça se aproxima do bebedouro e, olhando com distanciamento, dois times parecem mais esfomeados: o Fluminense, com 31 pontos e 10 vitórias em 14 jogos no returno; e o Figueirense, que há cinco rodadas tinha 38 pontos e pensava apenas em se garantir na Série A.

A tabela mais fácil segue sendo do Corinthians – especialmente nos próximos três jogos. Mas, como demonstrou o América-MG… a facilidade é sempre teórica. Nesta fase outros elementos entram em jogo. Nervosismo de uns, desespero de outros – e as revigorantes malas brancas – capazes de transformar miau em rugido. O Timão joga agora contra o Furacão – no Pacaembu lotado – e depois faz um jogo decisivo contra o Ceará em desespero no PV. A seguir recebe o Galo – provavelmente já livre da degola – em casa. E finaliza contra Figueirense (F) e Palmeiras.

Botafogo e Vasco se enfrentam no Engenhão no próximo domingo. Um empate tende a remover o Botafogo da briga pelo título. O Vasco não – até porque tem dois jogos relativamente fáceis a seguir – Palmeiras fora e Avaí em São Januário. É bom frisar o “relativamente’ – porque… quem sabe como estará o Palmeiras daqui a 15 dias? Se perder para o Grêmio no Olimpico, o time de Felipão vai certamente jogar à vera contra o Vasco, pois a linha do rebaixamento estará mais próxima.

Depois de enfrentar o Vasco, o Botafogo – que perdeu três dos últimos cinco jogos – visita o América-MG, pega o Inter em casa, viaja para jogar contra o Galo antes de fechar contra o Fluminense. Tabela que hoje soa mais ingrata do que no passado.


Os times que começam com F – também têm caminhos árduos pela frente. O Fluminense tem dois jogos aparentemente fáceis (América-MG e Grêmio) em casa. Se faturar seis pontos – tem grande chance de abocanhar a liderança – pois leva vantagem em número de vitórias (bastará um empate do Corinthians e outro do Vasco). Mas, a seguir, pega três pedreiras: Figueirense fora, Vasco e Botafogo. Sim, o campeão brasileiro faz quatro de suas últimas partidas no Rio – e bate todo mundo no primeiro critério de desempate (número de vitórias).

O Flamengo tem outro tipo de vantagem – enfrenta fora de casa dois times que já estão no modo Hello 2o12: Coritiba e Atlético-GO. Mas Hello 2012 é também um convite à mala amiga. E os jogos em casa do Fla são encrespados: Figueirense e Inter – ambos possivelmente ainda sonhando com alguma coisa – e o clássico derradeiro contra o Vasco.

O Figueira, o meteoro da hora (onde anda o Atletico-GO?), entrou de vez na conversa da Libertadores. E – se ganhar todos seus jogos – a começar pelo Galo no próximo domingo – pode ganhar um título impensável. O time de Jorginho enfrenta a seguir Flamengo (fora), Flu  e Corinthians (em casa) – antes de fechar com o Avaí na Ressacada. Ou seja – tem três jogos em casa e quatro em Santa Catarina para fechar a melhor campanha de sua história.

Quem vai ganhar? O nostradamus aqui foi carbonizado vivo ao dizer que o Vasco derraparia após a vigésima-oitava rodada. Hoje a bola-de-cristal amanheceu tricolor. O Fluminense soa mais voraz e talentoso do que os outros. Tem três jogadores acima da média  (Deco, Fred e Rafael Sóbis) fazendo diferença. E como empatou apenas duas vezes no campeonato inteiro: contra o Atlético-PR (fora) e contra o Vasco – ambos em 1 a 1 – vai levar vantagem se terminar com o mesmo número de pontos de qualquer outro. O Figueira ganhou as últimas cinco – mas não tem jogadores do mesmo nível. É claro que, neste campeonato improvável,  a bola de cristal de hoje é o caco de vidro de amanhã.

Serão cinco rodadas de tirar o fôlego. Se chegarmos a 4 de dezembro com um retrato parecido com o atual… haja Galvão Bueno, amigo. Haja coração. Vai ser de arrepiar.