Total de visualizações de página

É preto no branco

É preto no branco/por Zé Fogareiro

Fala, Zé! Já chega desse papo de bairrismo, de preconceito. Só há menosprezo para quem se sente menosprezado. O que o sulista é mais que o nordestino? E vice-versa. Chega desse discurso imbecil, que só serve pra expandir uma disputa anêmica, dentro da nossa própria casa. Somos todos brasileiros e capazes. Dessa vez não devo desculpas a ninguém, porque – sinceramente - não agredi ninguém. Quando disse que Pernambuco não tem condições de sediar uma Copa do Mundo, estendo a afirmativa pro país inteiro (já tinha dito isso). Como disse: “As boas-vindas para a FIFA estão só começando”. É hora de repensarmos nossas estruturas.

Sobrevivo no Rio e te garanto: a polícia daqui é pior em termos de despreparo. Eu seria utópic
o de achar o contrário. Uma ida ao Maracanã e você concorda comigo, Zé. Quando exemplifiquei o hotel lebloniano, não quis afirmar que temos a Scotland Yard (que por sinal matou um brasileiro injustamente em Londres) assegurando a “paz” do Rio. Quis apenas mostrar o destempero da segurança.

O acontecido do último domingo seria repudiado em qualquer parte do país. As mazelas do Rio e de São Paulo todo mundo vê todo dia, toda hora. Afinal, estamos com a “bunda na janela” cotidianamente. Agora, algumas falhas do Brasilzão mesmo, aparecem somente nesses episódios. E por que não consertar? Sorrir e passar a mão na cabeça é atitude de quem não quer mudar. O esportista errou feio, mas as autoridades conseguiram sobrepor a infantilidade do zagueiro. Essa história de proibir jogos em Pernambuco é mais uma atitude euriquista, que eu gostaria de banir do futebol. Corrigir dói mesmo. Temos que, juntos, lutarmos para que isso não mais ocorra.

Eu vou continuar cobrando a punição dos envolvidos e conferindo jogos no Arruda, nos Aflitos, na Ilha do Retiro. A indignação com a atitude truculenta de alguns não pode se amplificar para um povo batalhador e alegre como o nordestino. Fica aqui a minha revolta com os que me entenderam mal e a minha esperança em não ver essa segregação blasfemada do século passado.

Sinceramente, eu fiquei envergonhado por mais essa ocorrência. Sabe por quê? Porque ela, somada com todas as outras, só resulta na afirmação que eles adoram gritar lá fora: povo subdesenvolvido. Eu, que moro aqui e conheço um pouco do que se passa, vou brigar sempre para que a soberba engula essas palavras ridículas. Pernambucano, Gaúcho, Paulista, Rondoniense, pouco importa. A nossa raça é BRASILEIRA.

E se quisermos progredir, temos que dar as mãos para que vergonhas assim não continuem engordando a nossa história. Abração, Zé!