Vencedores em 87, Mauro Galvão e Paulinho Criciúma comemoram reação, mas acham difícil novo título. Semi deste sábado revive final contra o Bota
A semifinal entre Bangu e Botafogo, pelo segundo turno do Campeonato
Carioca, vai fazer alguns torcedores, e até ex-jogadores, voltarem no
tempo. O duelo revive a final da Taça Rio de 1987, ano em que o
Alvirrubro, campeão estadual de 1933 e 1966, conquistou pela última vez o
returno da competição, e de forma invicta. Na decisão, o time de Moça
Bonita, formado por craques como Mauro Galvão, Marinho, Arturzinho,
Paulinho Criciúma e Ado, por exemplo, levou a melhor por 3 a 1. O
atacante Marinho e o meia Arturzinho, duas vezes, marcaram os gols da
vitória, enquanto Berg descontou para o Alvinegro (veja os lances no vídeo acima).
Neste sábado, às 18h30m (de Brasília), no Engenhão, o Bangu terá a
chance se classificar para a decisão do returno e ficar mais perto de
encerrar o jejum de 25 anos sem levantar a Taça Rio. Ex-atleta do clube
no ano da última conquista, Mauro Galvão disse que ainda acompanha o
Alvirrubro, mas não acredita que o time consiga derrotar o Botafogo.
- Esse ano, acompanhei um pouco menos, não tive oportunidade de ver um
jogo todo. Sei que o time melhorou com a chegada do Almir, do Thiago
Galhardo, a mudança de comando acaba motivando todo mundo... Mas jogar
contra um time de peso, que está passando por um bom momento, acho
difícil. Num jogo só tudo é possível, mas sendo bem coerente, o Botafogo
é o favorito. O campeonato do Bangu já aconteceu, e o resultado acabou
sendo positivo com a fuga do rebaixamento. Tudo que vier agora é lucro -
ressaltou, lembrando da campanha da equipe na Taça Guanabara, quando
terminou o turno sem somar pontos.
pé (da esquerda para a direita): Gilcimar, Márcio Rossini, Oliveira,
Mauro Galvão, Racinha e Jacimar; Agachados: Marinho, Arturzinho, Tobi,
Paulinho Criciúma e Ado (Foto: Arquivo Pessoal)
Opinião compartilhada por Paulinho Criciúma. O ex-meia-atacante se
disse aliviado com a recuperação do Bangu no estadual, mas não considera
ser o suficiente para bater o Botafogo. Inclusive, manifestou sua
torcida pelo Alvinegro.
- Estava lamentando que o Bangu poderia cair, e eu não queria vê-lo na
segunda divisão, como alguns anos atrás. Estava preocupado. Sou
botafoguense de coração, mas tenho um carinho muito especial pelo Bangu.
Penso que ele não ganhe. O Botafogo é o favorito, tem obrigação de
vencer o jogo, tem um elenco superior, com jogadores de seleção como o
Jefferson, o Loco Abreu... Deve ganhar pela superioridade natural do
elenco. Vou torcer pelo bom futebol, mas vou torcer pelo Botafogo -
constatou.
Mauro Galvão: o zagueiro-volante do Bangu de 87
(Foto: Divulgação / Roque Mendes)
(Foto: Divulgação / Roque Mendes)
Se atualmente o Bangu amarga um tabu de nove anos sem vitória sobre os grandes do Rio
– por coincidência, a última também foi sobre o Alvinegro, por 2 a 1,
no Carioca de 2003 –, o time 87 foi carrasco desses adversários na Taça
Rio. Naquela campanha, o Alvirrubro derrotou Vasco, Flamengo e Botafogo,
e empatou com o Fluminense. Para servir de inspiração para a semifinal
deste sábado, Mauro Galvão explicou o segredo daquela equipe.
- Apesar de não ter centroavante, era um time chato de se marcar. Tinha
o Marinho solto na direita, o Ado do outro lado, e o Paulinho Criciúma e
o Arturzinho pelo meio. Para o Bangu, um time que faz parte do cenário
carioca, foi muito importante esse título. O fato de não sermos
favoritos certamente ajudou bastante. Os adversários acham que vai ser
mais tranquilo, e às vezes acabam se surpreendendo. Soubemos aproveitar
isso, mas nas finais do estadual já foi complicado. Depois, você já não é
mais novidade - recordou o zagueiro, que naquele time jogou improvisado
como volante.
Paulinho Criciúma: compôs o "quadrado mágico"
com Marinho, Ado e Arturzinho (Foto: Reprodução)
com Marinho, Ado e Arturzinho (Foto: Reprodução)
- Tínhamos uma consciência coletiva. Sabíamos das nossas limitações,
respeitávamos os grandes e marcávamos muito. Assim, nosso time jogava de
igual para igual - completou Paulinho Criciúma.
Na fase final do Carioca de 87, o Bangu não conseguiu repetir as boas
atuações, foi derrotado por Vasco e Flamengo, e viu o Cruz-Maltino ser o
campeão. Mas a conquista da Taça Rio abriu muitas portas para os
jogadores. No ano seguinte, Mauro Galvão, Paulinho Criciúma e Marinho
foram contratados pelo Botafogo.
O fator chamado Castor de Andrade
Patrono do Bangu nas décadas de 60 e 80, o antigo bicheiro Castor de Andrade, filho de um ex-presidente alvirrubro, foi o manda-chuva no clube
e ficou famoso pela injeção financeira no time. Para muitos, foi a
causa do sucesso da equipe com a montagem de grandes elencos, para os
ex-jogadores de Moça Bonita, apenas um pai.
- Era um contraventor, mas ao mesmo tempo era um presidente que todo
mundo queria ter. Paternalista, pagava o salário sempre em dia, dava
bichos com valores acima do normal... Chegava com umas maletas na
concentração e deixava dinheiro nas mesas de sinuca, de baralho, de
ping-pong... O grupo ficava muito feliz, mas não foi só isso (o motivo
pela boa campanha), nosso time era muito forte - resumiu Paulinho
Criciúma.