Criados em Bangu, irmãos Thiago e Gabriel realizam no clube do bairro o sonho de atuar juntos e comemoram a recuperação da equipe no Carioca
Quando eram crianças, os irmãos Gabriel e Thiago Galhardo sonhavam jogar futebol.
- Gritei para ele: "Eu não, professor! É sacanagem isso! Deixa eu jogar com meu irmão, pô!". Claro que falei brincando, mas tinha uma pontinha de verdade, não é? Na hora do abraço, ainda falei que ele estava querendo roubar o meu lugar - contou.
Depois de três oportunidades, veio o jogo contra o Flamengo. No intervalo, o técnico Cleimar Rocha avisou aos irmãos que o grande dia havia chegado. Como um autêntico irmão mais velho, Thiago se mostrou apreensivo, já que o rival tinha Ronaldinho Gaúcho, ídolo da família. Mas, apesar da derrota por 2 a 1, a alegria tomou conta dos Galhardos.
- Tive medo. Não sabia como ele iria reagir. Mas tudo deu certo. No fim, estávamos muito emocionados. Foi ainda mais legal conseguir isso justamente no clube que revelou a gente. E em um momento histórico - relembrou Thiago, que só jogou ao lado do irmão como titular diante do Macaé.
Melhores amigos
Família não vê os jogos no estádio
- Ela falou que foi na hora em que meu irmão foi bater o pênalti. Saiu correndo da padaria e nem ouviu o gol (risos) - brincou Gabriel.
- Quem vê pensa que ela é maluca. Eu até acho que é mesmo (risos) - disse Thiago.
Futuro
Com passagem frustrada pelo Botafogo, rival do próximo sábado, Thiago Galhardo espera que os bons jogos pelo Bangu rendam uma nova oportunidade em um grande clube. Já Gabriel sabe que sua carreira está apenas começando e não vive a mesma expectativa ainda. Mas nada disso impede que os irmãos tenham a esperança de voltar a viver este sonho num futuro próximo. Afinal de contas, como cantou a Mocidade Independente, do bairro vizinho de Padre Miguel, no carnaval de 1992, "sonhar não custa nada".
Mas a realização do sonho não foi tão simples. Após um início de ano ruim no Comercial (SP), Thiago Galhardo acertou seu retorno ao Bangu. Ele reestreou diante do Olaria. Gabriel estava no banco de reservas e foi chamado para entrar. O momento tão sonhado estava próximo. Mas, na hora em que a plaquinha subiu, Thiago viu seu número. Um irmão entrava, e o outro saía. No jogo seguinte, contra o Botafogo, Gabriel entrou novamente no decorrer do jogo, desta vez no lugar de Almir. Mas, antes disso, Thiago Galhardo já havia sido substituído.
Gabriel, 18 anos, posa com o irmão Thiago, de 23 anos (Foto: Rafael Cavalieri/Globoesporte.com)
A terceira oportunidade veio no confronto com o Madureira. Novamente, Gabriel substituiria o irmão. Perto da lateral, Thiago ouviu as orientações do técnico Cleimar Rocha e brincou com o comandante.- Gritei para ele: "Eu não, professor! É sacanagem isso! Deixa eu jogar com meu irmão, pô!". Claro que falei brincando, mas tinha uma pontinha de verdade, não é? Na hora do abraço, ainda falei que ele estava querendo roubar o meu lugar - contou.
Depois de três oportunidades, veio o jogo contra o Flamengo. No intervalo, o técnico Cleimar Rocha avisou aos irmãos que o grande dia havia chegado. Como um autêntico irmão mais velho, Thiago se mostrou apreensivo, já que o rival tinha Ronaldinho Gaúcho, ídolo da família. Mas, apesar da derrota por 2 a 1, a alegria tomou conta dos Galhardos.
- Tive medo. Não sabia como ele iria reagir. Mas tudo deu certo. No fim, estávamos muito emocionados. Foi ainda mais legal conseguir isso justamente no clube que revelou a gente. E em um momento histórico - relembrou Thiago, que só jogou ao lado do irmão como titular diante do Macaé.
Melhores amigos
Os irmãos batem bola. Entrosamento é o melhor
possível (Foto: Rafael Cavalieri/Globoesporte.com)
possível (Foto: Rafael Cavalieri/Globoesporte.com)
Gabriel chegou ao Bangu em 2009, no infantil. Ele iniciaria a carreira no CFZ, mas a intervenção de Thiago junto à diretoria do Bangu mudou seu destino.
- Fui bem claro e disse que, se ele não fosse bem, poderia ser dispensado. Não queria vê-lo ali só porque era meu irmão. Mas o Gabriel mostrou talento e se firmou - afirmou Thiago.
No ano passado, veio outra notícia animadora: a promoção de Gabriel ao time profissional. Sem conseguir contato com o volante, a diretoria do Bangu resolveu ligar para Thiago, que já estava em São Paulo. E foi ele que avisou ao caçula.
- Não consegui conter a emoção e chorei muito quando o Thiago ligou me avisando. E a reação foi a mesma quando ele ligou meses depois dizendo que estava voltando para o Bangu - recordou Gabriel.
- Irmão a gente não escolhe. Amigo, sim. E digo que escolhi meu irmão como meu melhor amigo. Eu falo que o amo na frente de todo mundo. Na concentração, antes de dormir, vou lá e dou um beijo. Ele fica todo envergonhado - revelou Thiago, arrancando gargalhadas de Gabriel.
Ver um filho virar jogador profissional de futebol orgulha a família. Ver dois é ainda mais legal. Na família Galhardo, porém, o nervosismo caminha ao lado da emoção. Por isso, Valéria e Moacir, pais de Gabriel e Thiago, não acompanham os jogos nem por rádio, televisão ou internet.
Foi ainda mais legal conseguir isso justamente no clube que revelou a gente. E em um momento histórico"
Thiago Galhardo
Numa das poucas vezes em que foi a um jogo do filho, na final da Copa Rio de 2010, Valéria sentou na arquibancada ao lado de Gabriel para ver Thiago em campo, pelo Bangu, contra o Audax. Quando viu o meia fazer o gol da vitória no último minuto, a mãe não aguentou e precisou da ajuda do médico do clube.
- Ela ficou roxa, com a língua enrolada... Ficamos todos apavorados! De lá para cá, ela não vê mais. No jogo contra o Flamengo, ela tirou todos os aparelhos da nossa casa da tomada - revelou Gabriel.
A descontração é a marca dos irmãos antes de encarar o Botafogo (Foto: Rafael Cavalieri/Globoesporte.com)
Diante do Resende, no último domingo, Valéria tentou voltar ao estádio. Com menos de cinco minutos de jogo, saiu da arquibancada e esperou o fim do jogo numa padaria. Tudo estava calmo até a hora em que alguém ligou o rádio para ouvir a transmissão da partida.- Ela falou que foi na hora em que meu irmão foi bater o pênalti. Saiu correndo da padaria e nem ouviu o gol (risos) - brincou Gabriel.
- Quem vê pensa que ela é maluca. Eu até acho que é mesmo (risos) - disse Thiago.
Futuro
Com passagem frustrada pelo Botafogo, rival do próximo sábado, Thiago Galhardo espera que os bons jogos pelo Bangu rendam uma nova oportunidade em um grande clube. Já Gabriel sabe que sua carreira está apenas começando e não vive a mesma expectativa ainda. Mas nada disso impede que os irmãos tenham a esperança de voltar a viver este sonho num futuro próximo. Afinal de contas, como cantou a Mocidade Independente, do bairro vizinho de Padre Miguel, no carnaval de 1992, "sonhar não custa nada".