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Justiça determina que CBF aumente intervalo entre partidas para 72 horas

Entidade diminuiu espaço entre partidas para 2015, mas sentença diz o contrário



Igor Siqueira - Rio de Janeiro (RJ)


Jose Maria Marin e Marco Polo Del Nero (Foto: Bruno de Lima/ LANCE!Press)

Jose Maria Marin e Marco Polo Del Nero decidiram mexer no intervalo entre partidas para 2015(Foto: Bruno de Lima/ LANCE!Press)


Poucos dias depois de diminuir o intervalo mínimo entre os jogos de um mesmo clube no futebol nacional de 66 horas para 60 horas, a CBF se deu mal na Justiça e, segundo uma decisão proferida pela 8ª Vara do Trabalho de Campinas, São Paulo, vai ter que aumentar o espaçamento entre partidas para 72 horas no calendário de 2015.

A sentença é fruto de uma ação aberta pela Federação Nacional dos Atletas de Futebol (Fenapaf). A CBF, caso não consiga derrubar a decisão no recurso ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas, estará sujeita ao pagamento de multa de R$ 25 mil/dia, que será revertida ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

O embasamento da juíza Milena Casacio Ferreira Beraldo, que proferiu a sentença, foi feito com um parecer do Ministério Público do Trabalho (MPT) de Campinas, assinado pelo promotor Eduardo Luís Amgarten.

- Estudos e pesquisas recentes da lavra de especialistas renomados da área da fisiologia do esporte juntados com a exordial (ação) – não infirmados por outras provas - revelam a crucial importância do descanso muscular entre partidas por no mínimo 72 horas cuja violação acarreta evidente prejuízo ao restabelecimento fisiológicomuscular do jogador - escreveu a magistrada.

A redução do intervalo mínimo entre jogos foi feito pela CBF no regulamento geral de competições. A entidade vai divulgar a versão final do documento na sexta-feira. Segundo o L!Net apurou, a entidade viu que nem ela mesma estava respeitando as 66 horas e, para evitar que continuasse a descumprir o próprio regulamento, reduziu para 60 horas.

A CBF foi procurada para comentar a decisão judicial em Campinas, mas o departamento jurídico da entidade ainda não se pronunciou.

Mais um: Daniel entra na Justiça e pede rescisão unilateral com o Bota

Depois de Gabriel, meia também está fora do clube, que deve ser notificado nesta quarta-feira. Vínculo, renovado no início do ano, ia até 2017 com uma multa milionária

Por Rio de Janeiro
daniel botafogo (Foto: Satiro Sodré / Botafogo)Daniel não defende mais o Botafogo (Foto: Satiro Sodré / Botafogo)

Depois de Gabriel, outro jogador que se destacou no Botafogo em 2014 está de saída do clube. O meia Daniel também entrou com uma ação na Justiça na última quarta-feira e conseguiu uma liminar para rescindir de forma unilateral seu contrato com o Alvinegro, que ia até 2017. A alegação do atleta, assim como do volante, é o atraso no pagamento de salários e depósitos de FGTS. Pessoas próximas a ele confirmaram que ele não veste mais a camisa do Glorioso.

A decisão deve ser publicada nesta quarta-feira, quando o Botafogo e a CBF também devem ser notificados. Daniel se recupera de uma grave lesão que sofreu no joelho. No início de setembro, na vitória sobre o Ceará por 4 a 3, no Castelão, o meia, de apenas 20 anos, rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo. Ele fará o restante do tratamento por conta própria.

Daniel começou sua carreira nas categorias de base do Cruzeiro e se transferiu para o Botafogo para atuar na equipe dos juniores depois de não chegar a um acordo para renovação com a Raposa. Na pré-temporada deste ano, o meia foi integrado aos profissionais e teve chances durante o Carioca, mas alternou bons e maus momentos. Como já havia uma grande expectativa em cima dele, o clube renovou o contrato dele até 2017 e fixou a multa rescisória em 20 milhões de euros (cerca de R$ 68 milhões) para clubes do exterior e de R$ 55 milhões para equipes brasileiras.

Durante o Brasileiro é que Daniel despontou como uma grande promessa, mas a lesão contra o Ceará, pela Copa do Brasil, interrompeu seus planos. Sua saída do time foi apontada como um das razões para queda de rendimento da equipe na competição. O meia disputou 28 jogos pelo Botafogo, 13 deles no último Brasileiro, e marcou e cinco gols.

Botafogo avança mais um estágio na tentativa de voltar ao Ato Trabalhista

Representantes alvinegros saem animados após reunião com a Contadoria do TRT. Expectativa é de uma definição do caso antes do recesso para as festas de fim de ano

Por Rio de Janeiro
Candidatos á presidência do Botafogo - Carlos Eduardo Pereira (Foto: Thiago Fernandes / Globoesporte.com)Carlos Eduardo Pereira, presidente do Botafogo
(Foto: Thiago Fernandes / Globoesporte.com)

A diretoria teve nesta terça-feira uma reunião com a Contadoria do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio de Janeiro, o que representa mais um passo para o clube tentar voltar ao Ato Trabalhista e ter parte de suas receitas desbloqueadas. Agora, a proposta alvinegra será levada até a juíza centralizadora. Se for aprovada, seguirá para a presidência do Tribunal.


Os representantes botafoguenses saíram do encontro animados. Se o pedido for endossado, o clube voltará ao Ato e em até 48h poderá ter acesso ao dinheiro. A expectativa mais otimista é de que a decisão aconteça antes do recesso para as festas de fim de ano.

- Tivemos mais uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro e, junto com a equipe da contadoria do Tribunal, chegamos ao fechamento de números que foram considerados compatíveis com o orçamento do Botafogo e com o interesse do Tribunal. A contadoria encaminhará para a juíza centralizadora essa proposta e, estando de acordo, ela encaminhará para a presidência do Tribunal Regional do Trabalho para a homologação. Temos muita confiança na proposta que o Botafogo fez, uma proposta de muito esforço e sacrifício, mas também com certeza que, sendo essa proposta aceita, será um marco muito importante para a recuperação da credibilidade e do funcionamento normal do Botafogo - disse o presidente Carlos Eduardo Pereira ao site oficial.


O percentual do que ainda será penhorado, caso o pedido do Bota seja aceito, ainda será decidido pela Justiça de acordo com a receita do clube. A decisão é importante para a diretoria poder planejar seu orçamento para 2015, o que ainda não foi possível.

Bota confirma René Simões e o apresenta nesta quarta-feira

Técnico chega ao Alvinegro para substituir Vagner Mancini, que não renovou, e terá a missão de levar o Glorioso novamente para a Série A

Por Rio de Janeiro
René Simões Botafogo (Foto: Assessoria de Imprensa / Botafogo FR)René Simões na sede do Botafogo, em General Severiano
(Foto: Assessoria de Imprensa / BFR)

A diretoria do Botafogo confirmou nesta terça-feira a contratação do técnico René Simões, que passou o dia no clube para acertar os últimos detalhes de seu contrato.  Ele será apresentado nesta quarta-feira, em General Severiano, e ocupará o cargo deixado por Vagner Mancini, que não renovou com o clube. Sua missão de levar o Glorioso de volta para a Série A do Campeonato Brasileiro depois do rebaixamento deste ano, além de liderar uma grande reformulação no elenco e lidar com os problemas financeiros enfrentados pelo Alvinegro.

Apesar de alguma rejeição interna, René Simões, que completa 62 anos nesta quarta, é visto como um profissional experiente e capaz de motivar os jogadores neste momento de reformulação e incertezas. Ele conta com um apoio importante, o de Carlos Alberto Torres, nomeado Embaixador do Futebol do Botafogo e quem indicou sua contratação.

René já conquistou o título da Série B em 2007 quando dirigia o Coritiba. No Rio, ele foi técnico do Fluminense, entre 2008 e 2009, e diretor de futebol do Vasco em 2013. O técnico tem ainda como destaque em sua carreira o fato de ter classificado a Jamaica para a Copa do Mundo de 1998 e ter conquistado a medalha de prata com a seleção brasileira feminina nas Olimpíadas de Sidney, em 2000.

A ideia inicial da diretoria do Botafogo era acertar primeiro com o novo diretor de futebol. Anderson Barros, que estava no Coritiba, era o favorito a assumir o cargo, mas o fato de ele ter trabalhado no Bota durante a gestão de Maurício Assumpção pesou contra ele, que acertou nesta terça-feira com o Vitória.

ABC sonha com atacante Wallyson para celebrar centenário em 2015

Revelado pelo clube potiguar em 2007, atacante foi dispensado pelo Botafogo após rebaixamento para a Série B. Jogador é desejado por dirigentes e torcedores

Por Natal
Wallyson treino do Botafogo (Foto: Vitor Silva / SSPress)Wallyson foi dispensado do Botafogo após o rebaixamento à Série B (Foto: Vitor Silva / SSPress)

Mesmo antes de iniciar as comemorações para o seu primeiro centenário, o ABC pode dar um grande presente aos torcedores em 2015. A contratação do atacante Wallyson, revelado pelo Mais Querido em 2007, é tratada com carinho nos bastidores do clube e dirigentes buscam meios para viabilizar a transação. O jogador de 26 anos, que não renovou com o Botafogo após fazer parte da má campanha que rebaixou o time carioca à Série B do Campeonato Brasileiro, curte férias em Natal e aguarda definição dos seus empresários sobre o seu destino na próxima temporada.

O presidente Rubens Guilherme disse ao GloboEsporte.com que o ABC está preparando várias ações, dentro e fora de campo, para festejar o centenário, e que o retorno do atacante pode ser uma grande ação de marketing para o clube. Em 2015, o clube disputará três competições: o Campeonato Potiguar, a Copa do Brasil e a Série B do Campeonato Brasileiro.

- Isso é um desejo de todo dirigente e de todo torcedor abecedista. Ele (Wallyson) foi o último craque a ser revelado pelo ABC. Ele é um atleta novo, com muita habilidade e que adquiriu muita experiência, até internacional, por conta dos vários clubes e competições que já disputou. Trazer Wallyson de volta ao ABC pode ser uma situação real, mas dependemos de vários fatores. Um jogador com a qualidade dele no nosso elenco, seria excelente para nossos trabalhos com o setor de marketing do clube - revelou Rubens.

Loja do ABC - Rubens Guilherme, presidente do ABC (Foto: Jocaff Souza)Presidente Rubens Guilherme confirma desejo de ter Wallyson em 2015 (Foto: Jocaff Souza)

Como os direitos econômicos do atacante são ligados ao Deportivo Maldonado, clube de investidores no Uruguai, o jogador seria negociado por empréstimo até o final de 2015. Para que a negociação se concretize, os salários de Wallyson - em torno de R$ 80 mil - seriam pagos por um grupo de conselheiros abecedistas, além de receitas provenientes de ações de marketing, que seriam destinadas ao pagamento dos direitos de imagem do jogador. O presidente do ABC não descarta a possibilidade de acerto com o atacante, mesmo sabendo do alto valor da negociação.

- Não custa nada sonhar com o retorno dele. Ele é uma figura muito simples e que tem o carinho de toda a torcida do ABC. Até o final desta semana, estamos resolvendo algumas pendências do nosso departamento de futebol, e, assim que possível, iremos conversar sobre esse assunto (Wallyson) - finalizou.

Wallyson tem 26 anos e despontou para o cenário nacional em 2007, quando foi campeão potiguar e conquistou o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro com o ABC. No ano seguinte, foi negociado com o Atlético-PR. Depois, ainda defendeu o Cruzeiro, sendo artilheiro da Copa Libertadores em 2011. Após sofrer grave lesão no mesmo ano, foi emprestado ao São Paulo. Após passagem pelo Bahia, no ano passado, defendeu o Botafogo em 2014 e fez parte do grupo que foi rebaixado para a Série B.

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Ainda sem orçamento para 2015, Bota faz contagem regressiva pelo Ato

Novo vice jurídico do clube aposta que até o fim da semana o TRT terá endossado a volta do Alvinegro ao programa, considerado fundamental para sanear as finanças

Por Rio de Janeiro
Carlos Eduardo Pereira, presidente do Botafogo (Foto: Luciano Belford / SSPress (Flickr do Botafogo))Carlos Eduardo Pereira, presidente do Botafogo
(Foto: Luciano Belford / SSPress (Flickr do Botafogo)

Havia a expectativa no Botafogo de ter uma boa notícia na segunda-feira sobre uma convocação para a discussão da entrada do clube no Ato Trabalhista, o que não aconteceu. Ainda. A previsão do clube, agora, é de que isto aconteça até a próxima sexta-feira. Se tudo correr dentro do planejado, o clube poderá novamente ter acesso a sua receita de 24h a 48h após o parecer final do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).


Novo vice-presidente jurídico do clube, Domingos Fleury afirmou que a imagem do Botafogo ficou desgastada, mas que aos poucos a credibilidade está sendo reconquistada.


- Acredito que venha a reposta até o final da semana sobre a proposta que o Botafogo apresentou. Houve um desgaste muito grande com a gestão anterior, que foi acusada de desviar recursos do Ato. Tentamos retomar a credibilidade, e isso acho que já conseguimos. Se chegarmos a um acordo, e acho que será favorável, será emitido um parecer para o TRT endosse a volta do clube ao Ato. Não tem prazo, mas acredito que possa acontecer a partir desta quarta. Certo é que a decisão será proferida antes do recesso de fim de ano - afirmou.


O percentual do que ainda será penhorado ainda será decidido pela Justiça de acordo com a receita do Bota. A decisão é importante para o clube poder planejar seu orçamento para 2015, o que ainda não foi possível.


- A proposta que fizemos foi com base nos contratos que se encerram este ano. Não sabemos, por exemplo, se vamos renovar com a Viton 44. Deixamos claro que os valores são uma projeção, já que a única receita certa que nós temos é do televisionamento dos jogos. Nem orçamento para 2015 não temos, estamos dependendo disso - finalizou Fleury.


A diretoria também está de olho em uma receita que poderá ajudar o clube a pagar um mês de salários na carteira de trabalho a funcionários e atletas, por meio de uma ação feita regularmente pelo Sindicato dos Clubes do Rio de Janeiro (Sindeclubes). De acordo com o advogado Henrique Fragoso, o Bota conseguiu verba para pagar apenas uma parte dos funcionários, e está em busca do restante do dinheiro para fechar a folha completa.
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Por que caiu? Caiu por quê? Dossiê Botafogo: da Libertadores à Série B

Série do GloboEsporte.com mostra os bastidores da queda do time alvinegro e do descontrole gerencial que levou o clube a um dos piores anos de toda sua história

Por Rio de Janeiro
Header BOTAFOGO - Por que caiu? Caiu por quê? (Foto: Infoesporte)



Foram seis anos de mandato. Dois títulos estaduais. Uma vaga na Libertadores. Ele contratou Seedorf. Revelou Dória, Gabriel e Vitinho. Tornou o Engenhão um estádio lucrativo. Como é possível que, ao deixar a cadeira de presidente do Botafogo, o dentista Maurício Assumpção saia tão rejeitado? Que ele sequer tenha tido coragem de, na reta final de seu mandato, assistir aos jogos do time no estádio? Que esteja sendo considerado o pior presidente da história por alguns torcedores?

       CAPÍTULO I
Dossiê Botafogo Mauricio Assumpção  (Foto: Editoria de Arte)Dossiê Botafogo

       CAPÍTULO II
Dossiê Botafogo Seedorf  PB (Foto: Editoria de Arte)No ar: 16/12

      CAPÍTULO III
Dossiê Botafogo Libertadores PB (Foto: Editoria de Arte)No ar: 17/12

      CAPÍTULO IV
Dossiê Botafogo Gabriel  PB (Foto: Editoria de Arte)No ar: 18/12


A resposta está numa série de erros cometidos já em seu primeiro mandato – que se agravaram no segundo e explodiram em 2014. Mesmo pagando mais de R$ 100 milhões em dívidas de presidentes anteriores, Assumpção se perdeu. A tentativa de conquistar um título nacional e  cumprir as promessas de campanha – contratar um jogador de "fechar aeroporto" e construir CTs para a base e para o profissional – fez com que o Botafogo gastasse muito mais do que arrecadava. Assumpção deixou de pagar encargos salariais e recolher impostos. Perdeu a confiança da Receita Federal e do Tribunal Regional do Trabalho. Por fim, terminou sua gestão de forma clandestina, sem confiança nem de seus departamentos jurídico e financeiro.
A contratação de Seedorf, em julho de 2012, foi um marco em todos os sentidos. A torcida adorou, a mídia elogiou, mas nos bastidores ela sinalizava uma aposta. Como um clube que não pagava encargos e driblava dívidas podia fazer a maior contratação do futebol brasileiro? Assumpção apostava no Proforte, que não veio. Vieram as penhoras e o estrangulamento do clube agravado pelo descontrole financeiro na gestão do futebol.

O GloboEsporte.com ouviu jogadores, dirigentes, empresários, treinadores e profissionais que passaram pelo clube nos últimos anos para entender a destruição alvinegra. E explicar como o clube que começou 2014 na Taça Libertadores chegou a dezembro rebaixado, com oito meses de salários atrasados e uma dívida que ultrapassa R$ 700 milhões.

1 – A primeira gestão

O clube que Maurício Assumpção recebeu em 2009 vivia sérios problemas. O elenco profissional tinha poucos jogadores sob contrato. A base, apesar do esforço de alguns profissionais, não tinha apoio algum. Ele assumiu como candidato único, mas rapidamente brigou com seus dois principais pilares políticos: o Movimento Carlito Rocha e o grupo que viria a se tornar o "Mais Botafogo".

Os primeiros se sentiram traídos na eleição, quando Maurício trocou a vice-presidência jurídica. O "Mais Botafogo" abandonou a gestão ainda no início, numa renúncia coletiva de vice-presidentes. A gestão se baseou num tripé de profissionais: Sérgio Landau (diretor executivo), Renato Blaute (diretor financeiro) e Anderson Barros (gerente de futebol profissional).

Os dois últimos responderiam aos vice-presidentes Cláudio Good (financeiro) e André Silva (futebol). Good saiu ainda em 2009, e o vice-geral Antonio Carlos Mantuano acumulou o cargo até que, em 2010, Marcelo Murad assumisse. Em 2011, Blaute brigou com Landau, e Murad deixou de ser vice financeiro para assumir como diretor. Mantuano ficaria como vice geral até 2012, quando brigaria com Maurício e passaria a ser oposição.

Dossiê Botafogo - mauricio Assumpção (Foto: André Durão)

Mauricio Assumpção comemora eleição à presidência do Botafogo em 2008 (Foto: André Durão)

2 – Divisão entre base e profissional
As divisões de base seriam a joia da coroa da gestão Assumpção. Ao contrário de Bebeto de Freitas, que não ia a Marechal Hermes, o novo presidente frequentava jogos, dava palpites e até preleções. Sempre apoiado em seus dois homens de confiança: Bernardo Arantes e Sidnei Loureiro.

Bernardo, que antes trabalhava com o agente FIFA Pedro Cabral, ficou responsável por contratos e contatos. Sidnei chegou como coordenador técnico, ganhando R$ 28 mil. Acima dele havia o diretor Marcelo Calumby, o gerente Humberto Redes e seu auxiliar, Coronel Ronaldo. Em três meses, Redes e Ronaldo foram ejetados.

– Nós chegamos com muito gás, e eles não estavam no mesmo pique – disse Sidnei Loureiro, anos depois.

Ainda em 2009, Calumby resolveu ir embora quando contestou uma viagem da base para a Holanda, bancada por empresários em troca de percentual de jogadores. A viagem havia sido autorizada por Maurício. Calumby percebeu que não mandava nada e saiu, deixando a base sem diretor.

Maurício Assumpção e Sidnei Loureiro Botafogo (Foto: Thales soares)

Coordenador técnico, Sidnei Loureiro conversa com Mauricio Assumpção (Foto: GloboEsporte.com)

3 – Prospecção
Bernardo Arantes começou a fazer trabalhos de prospecção de contratos de base em litígio. Com isso, trouxe Daniel (do Cruzeiro) e Dankler (do Vitória). Graças às parcerias, o Botafogo pegou vários bons jogadores. Gabriel veio do Paulínia-SP, e Vitinho, do Audax. Em virtude dos contatos de Anderson, Jádson e Gilberto chegaram via MFD quando o CFZ foi desativado. E Caio estava no Volta Redonda.

O lado ruim: o percentual do clube em boa parte dos jogadores da base era em média de 50%. Dória, revelado no clube, tinha 40% de seus direitos vinculados ao Niterói Futebol Clube, de seu empresário Jolden Vergette. Caio, por conta de dívidas com seu empresário Reinaldo Pitta, tinha apenas 8% dos direitos vinculados ao clube.

Com investimento, a base do Botafogo melhorou tecnicamente. O time foi campeão de juniores em 2011 usando vários jogadores que tinham ficado da gestão anterior, como Cidinho, Renan Lemos e Lucas Zen. E ganhou novamente o título em 2014.

Dossiê Botafogo - Caio (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)Oriundo do Volta Redonda, Caio era apenas 8% do Botafogo (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)

4 – Campanhas irregulares

Em 2009, o Botafogo construiu um time às pressas, trazendo Maicosuel, Reinaldo e Victor Simões para uma estrutura ainda precária. A gestão Assumpção encontrou um elenco destroçado, com apenas quatro jogadores com contrato profissional. Com um time muito limitado sob comando de Ney Franco, o Botafogo ganhou a Taça Guanabara e foi à final do estadual. Perdeu para o Flamengo nos pênaltis, depois que Maicosuel e Reinaldo se lesionaram no primeiro jogo da decisão. No Brasileirão, brigou no sufoco para se salvar do rebaixamento na última rodada, e duas contratações tiveram papel fundamental: o goleiro Jefferson e o atacante Jobson.

Veio 2010, e o clube trouxe dois atacantes estrangeiros: o argentino Herrera e o uruguaio Loco Abreu. Loco estreou contra o Vasco, no Engenhão, onde o Alvinegro acabou goleado por 6 a 0.


O ex-presidente Carlos Augusto Montenegro e o ex-vice de futebol Ricardo Rotemberg (que tinha contratado Zárate e Castillo) abriram fogo contra Anderson Barros e Maurício Assumpção pela primeira vez, reclamando que Dodô era ídolo alvinegro e tinha feito três gols pelo Vasco. E detonando o camisa 13.

– O Loco Abreu ganha o dobro que o Dodô. O time não teve vergonha. Estamos entregues – bateu Montenegro.

Dois meses depois, o Botafogo ganhou a Taça Guanabara em cima do mesmo Vasco, com um gol de Loco. E depois faturou o estadual em cima do Flamengo com a célebre cavadinha do camisa 13. O uruguaio virou um ídolo muito acima de Dodô, que deixou o Vasco para jogar em times de menor prestígio.

Dossiê Botafogo - Loco Abreu e Zagallo (Foto: Alexandre Durão)

Ao lado de Zagallo, Loco Abreu é apresentado no Botafogo, em General Severiano (Foto: Alexandre Durão)

5 – Marketing a mil
Fora de campo, o Botafogo desenvolvia várias ações de marketing. O diretor Marcelo Guimarães lançava camisas alusivas a craques do passado, fazia homenagens e eventos que chamavam a atenção de outro clubes. Não era uma gestão voltada para arrecadar, mas sim para divulgar a marca do clube. Guimarães contratou o irmão de Maurício Assumpção, Marcelo, para ser repórter da "Botafogo Experience" e do programa Incêndio, que o clube publicava em seu canal no You Tube. No Facebook, os dois trocavam elogios.

marcelo (Foto: facebook)

Marcelo Guimarães ao lado do ex-zagueiro Gonçalves. Elogios do irmão de Mauricio Assumpção (Foto: Facebook)


6 – A queda de André

Em 2010, o Botafogo de Joel Santana ia bem no Brasileiro até perder quatro jogadores por lesão  (Fábio Ferreira, Marcelo Mattos, Maicosuel e Herrera). Acabou vendo a vaga na Libertadores virar fumaça na última rodada, com uma derrota para o Grêmio no Olímpico. No ano seguinte, o time treinado por Caio Junior sofreu um apagão quando ameaçava entrar na briga pelo título.

As performances reacenderam a fogueira sob o departamento de futebol. Os conselheiros culpavam a "falta de cobrança" do time. Assumpção resolveu limar seu vice de futebol, André Silva, conhecido pela gentileza com que tratava jogadores e funcionários.

Anderson Barros ficou sozinho no futebol, no papel de gerente, diretor e arrecadador de recursos. No fim do ano, ele contratou Oswaldo de Oliveira para ser o treinador em 2012.

vice-presidente de futebol Andre Silva - Botafogo (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)

André Silva, vice de futebol demitido após mais um insucesso do time (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)

7 – Seedorf chega, Loco sai
O Botafogo perdeu a decisão do estadual para o Fluminense e começou instável o Brasileirão. Herrera saiu na janela do meio do ano e não teve reposição. Lucas, lateral-direito promissor, foi expulso na final do Carioca e na partida de volta contra o Vitória pela Copa do Brasil, contribuindo para as duas derrotas. As críticas cresceram fora de campo – Oswaldo havia barrado Loco Abreu –, e os salários atrasavam.

Em julho, chegou Seedorf, que causou um cataclisma no grupo. O holandês não admitia certas práticas e opinava em tudo, da logística até a nutrição dos atletas. Quis mudar até o hino do clube. Viu os cartazes de atletas antigos no Engenhão e falou.

– Tem que botar os atletas do presente. Cadê o Jefferson, por exemplo?

Dossiê Botafogo - Seedorf (Foto: Fernando Soutello / Agif)

Seedorf, a "contratação de fechar o aeroporto" de Mauricio Assumpção (Foto: Fernando Soutello / Agif)


8 – Anderson Barros na berlinda
O time sentiu as mudanças. O elenco se dividiu com a presença imperial de Seedorf. Oswaldo soube aos poucos contornar as tensões, mas em campo era necessário reconstruir. O treinador ainda tentava encaixar Fellype Gabriel e o uruguaio Lodeiro em seu esquema, e tinha indicado Rafael Marques, que vira jogar no Japão, para o ataque.
O nome do atacante foi aprovado pelo Comitê de Futebol, mas a operação era muito cara – cerca de R$ 290 mil mensais – e pôs Anderson Barros na berlinda de vez. Com o time fora da briga pela Libertadores, as críticas explodiram. Os homens próximos de Assumpção diziam que faltava cobrança no profissional.
– Eles batiam nisso, mas não era verdade. Havia cobrança e um ambiente positivo, só que ninguém que era de fora via – diz um ex-funcionário do clube.
Muito próximo de Assumpção, Sidnei Loureiro batia com firmeza. Dizia que na base tudo funcionava e atacava também nas escolhas de reforços. Rafael Marques era o principal alvo. O gerente da base comentava nos bastidores que o atacante era "a pior contratação do Botafogo em todos os tempos." A tese encontrava eco na imprensa, na torcida – que vaiava Rafael – e nos cardeais. Assim como fizera criticando a contratação de Loco Abreu, Montenegro abriu fogo contra o gerente.

– Rafael Marques tem o mesmo número de gols de um zagueiro: zero. O Anderson Barros é remunerado para errar desse jeito?
Rafael Marques, Botafogo, Apresentação (Foto: Marcos Tristão / Agência o Globo)
 
Rafael Marques, em sua apresentação. Atacante foi motivo de discórdias (Foto: Marcos Tristão / Agência o Globo)

9 - O custo Seedorf
A fritura de Anderson foi um pouco ofuscada pela chegada de Clarence Seedorf, a "contratação de fechar aeroporto" com a qual Assumpção sempre sonhou. O holandês desembarcou no Galeão diante de uma torcida extasiada. Nos bastidores, porém, havia preocupação. O Botafogo tinha um Comitê de Futebol que discutia as contratações. Dele participavam o gestor do futebol, Anderson Barros; o diretor-executivo do clube, Sérgio Landau; o vice-presidente financeiro, Marcelo Murad; o vice de futebol, André Silva; o vice-geral, Paulo Mendes; e ocasionalmente outros dirigentes. O presidente Maurício Assumpção não era membro "para não influenciar o trabalho do comitê".

Desde 2010, Assumpção sonhava com o craque. Os números, porém, não batiam. Em junho de 2012, uma reunião do comitê bateu o martelo: o clube não teria como pagar a Operação Seedorf. Numa votação houve unanimidade: todos os membros foram contra a contratação. No dia seguinte, Landau solicitou novo encontro e levou a mensagem de que "o presidente entendia a contratação como importantíssima para resgatar a autoestima da torcida". Assumpção pedia que o comitê reconsiderasse a decisão e afirmava também que "ele, Maurício, seria responsável por levantar recursos para pagamento dos altos salários do holandês".

– Então para que servia o comitê? Maurício decidiu sozinho – disse um dirigente que fez parte das reuniões.

Seedorf chegou em julho de 2012 e ficou no Botafogo até janeiro de 2014. No total, foram 17 meses ao custo de R$ 18 milhões – mais de R$ 1 milhão por mês. O clube teve ganhos de imagem e de receita, como o aumento do sócio-torcedor de oito mil para 18 mil pessoas (depois caiu novamente), mas a despesa foi bem maior que a entrada de recursos. Já na chegada houve custo por conta da recepção com direito a helicóptero e hospedagem no Hotel Fasano. E o Botafogo não conseguiu tirar proveito financeiro de Seedorf. O clube sequer fechou um contrato para explorar sua imagem e alguns negócios trazidos pelo holandês não prosperaram.

Dossiê Botafogo - Seedorf e mauricio Assumpção (Foto: Fernando Soutello / Agif)

Seedorf e Mauricio Assumpção: chegada do craque holandês foi luxuosa (Foto: Fernando Soutello / Agif)

10 – A pedra fundamental
As melhorias na base viraram o cartão de visitas de Maurício Assumpção. Com parcerias e investimentos em pessoal, o time melhorou sua performance e a captação de atletas. A estrutura, porém, continuava muito ruim. O sonhado Centro de Treinamento era uma promessa de campanha de Maurício. Em agosto de 2012, o presidente resolveu lançá-lo e promoveu um evento em Marechal Hermes ao lado de toda sua diretoria para lançar a pedra fundamental do CT, com direito a uma bela maquete.

Um mês depois, em setembro de 2012, Sidnei Loureiro esteve na UFRJ, onde deu palestra sobre a "revolução na base alvinegra". Com uma apresentação em Power Point, falou do futuro brilhante, das revelações e apresentou o plano do futuro CT de Marechal Hermes com diversos diagramas. Havia um problema, no entanto: a maquete e os diagramas não cabiam no terreno do clube. O projeto na maquete previa 55 mil metros quadrados e avançava sobre um terreno do Exército. Em reportagem de Vicente Seda, o GloboEsporte.com mostrou que o terreno do clube era consideravelmente menor: 19,5 mil metros quadrados.

Marechal Hermes Botafogo (Foto: Divulgação)

Projeto do CT para as categorias de base em General Severiano (Foto: Divulgação)

Perguntado sobre por que mostrara um projeto maior do que o terreno, Loureiro disse que seriam campos menores apenas para treino e que esperava a cessão do resto do terreno pelo Exército. Assumpção, por sua vez, prometeu no lançamento que o CT estaria pronto até o fim de 2013. O clube resolveu demolir mesmo sem ter um projeto aprovado ou com recursos viabilizados. O presidente acreditava que, uma vez demolido, convenceria investidores a pagar a construção. Mas sua credibilidade já estava em queda. Resultado: o Botafogo derrubou o pouco que tinha e nada construiu. Hoje, Marechal Hermes encontra-se com obras inacabadas e sem uso.

General Severiano_Marechal Hermes Botafogo (Foto: Diego Rodrigues)
 
Vestiário em Marechal Hermes: obras começaram, mas foram interrompidas (Foto: GloboEsporte.com)

11 – A última cartada
As pancadas de Carlos Augusto Montenegro surtiram efeito. O desgaste de Anderson Barros com a torcida era grande. Os torcedores reclamavam que o time ficava no quase, e o gerente de futebol era apontado como o responsável pelos constantes fracassos do time em competições nacionais. Não havia mais André Silva como escudo, e Sidnei Loureiro tinha a confiança plena do presidente. A cama estava feita para a mudança. Em setembro de 2012,  Anderson encontrou no Engenhão faixas de uma torcida organizada pedindo a sua saída e a de Oswaldo.

– Ele sabia que aquilo não era por acaso, que alguém tinha deixado isso chegar ali – disse um assessor.
Anderson tinha conhecimento de que sua situação não era fácil, só que ele ainda contava com alguma simpatia de Assumpção. O presidente sabia que o gerente de futebol não apenas tinha estruturado o departamento, mas que também buscava recursos para pagar salários criando cestas de atletas ou até conseguindo empréstimos com seus contatos no mercado. Mas mesmo isso era alvo das críticas internas, com toda sorte de suspeitas sendo levantadas para alvejá-lo. Os fracassos consecutivos na Copa do Brasil não ajudavam. Com o Brasileiro de 2012 indo para o espaço, entre agosto e setembro Anderson engendrou uma última cartada. Convidou Loureiro para ser seu auxiliar no profissional. E avisou a Assumpção.
– Presidente, ele ainda não está pronto. Precisa ser preparado.
Sidnei, porém, tinha pressa. Não queria ser apenas mais um. Chegou no profissional sem meias palavras e fazendo exigências.
– Ele chegou tocando o terror na comissão técnica – disse um ex-funcionário do clube.
  Sergio Landau, diretor executivo, Anderson Barros, gerente de futebol, e Chico Fonseca, vice de futebol (Foto: Thales Soares / Globoesporte.com)

Anderson Barros entre o diretor executivo Sérgio Landau (esq) e o vice de futebol Chico Fonseca (Foto: Globoesporte.com)

Anderson tentou administrar, mas ficou revoltado ao descobrir que Sidnei tinha levado ao presidente, sem passar por ele, uma apresentação feita pelo preparador de goleiros da base, Christiano Fonseca, que dizia que "Jefferson não sabia sair do gol". Era uma crítica clara ao trabalho do preparador Flavio Tenius.
– O Flavio Tenius tem duas Libertadores. Quem é Christiano Fonseca pra falar alguma coisa? – perguntou um membro da comissão.
Sidnei ficou sem clima no profissional. Voltou para a base alegando que iria tocar o projeto dos mil gols de Túlio, mas na verdade já começava a planejar como o futebol ficaria em 2013.

– Os dois erraram. Sidnei chegou querendo mandar, o Anderson não soube compor, e o Maurício se omitiu em vez de aparar as arestas – diz um ex-membro da comissão técnica.
Em novembro, Chico Fonseca – empossado como novo vice-presidente de futebol – avisou a Anderson que ele não ficaria em 2013.

12 – Túlio 1.000

Ainda em 2012, o Botafogo criou um projeto de marketing para tentar faturar com os 1.000 gols de Túlio. Relevando a contabilidade criativa do atacante, o clube tentou marcar uma série de amistosos para que o veterano jogador fizesse sete gols e chegasse ao almejado sonho. A ideia era que o milésimo pudesse ocorrer num jogo do profissional inclusive – algo que Oswaldo de Oliveira não cogitava de modo algum.

O projeto fracassou de forma retumbante, em meio à discórdia entre o então diretor de marketing Marcelo Guimarães e o presidente Maurício Assumpção. Resultado: Túlio foi fazer o milésimo por outro clube e entrou na Justiça contra o clube alegando vínculo empregatício e pedindo reparação por danos morais. Já ganhou em primeira instância.
Dossiê Botafogo - Tulio Maravilha (Foto: André Durão)

Tulio Maravilha na apresentação do seu projeto dos 1.00 gols (Foto: André Durão)

13 – Fim da era AB
A briga com Sidnei Loureiro tinha selado o destino de Anderson Barros. Ele deixou o Botafogo em dezembro de 2012, acertando antes as vendas de Elkeson e Maicosuel. Não se despediu nem recebeu nenhuma palavra do presidente Maurício Assumpção. Criticado pelas campanhas de 2011 e 2012 e pela contratação de Rafael Marques, Barros pagou a conta de campanhas que geravam expectativas, mas não conquistas nacionais. E de erros como John Lennon, Jean Coral e Vinícius Colombiano.

A torcida esquecia, porém, de seus acertos: Jefferson, Jobson, Loco Abreu, Antonio Carlos, Herrera, Elkeson, Maicosuel, Andrezinho, Lucas, Marcelo Mattos, Renato, Fellype Gabriel, Lodeiro, entre outros. Não via que ele havia estruturado o departamento de futebol profissional e tinha a confiança dos atletas e de agentes do mercado. Com o 12º orçamento entre os clubes da Série A e atolado em dívidas, o Botafogo tinha montado bons times. E feito bons negócios, como as vendas de Cortês para o São Paulo (R$ 6 milhões – foi comprado um ano antes por R$ 1 milhão), Elkeson (6,5 milhões de euros para a China), Renato Cajá (1 milhão de euros também para a China) e Márcio Azevedo (2,5 milhões de euros para a Rússia). 
Depois de sua saída, o clube vendeu apenas jogadores feitos em casa: as revelações Jádson, Vitinho e Dória. A última contratação de Anderson Barros antes de deixar o clube foi o zagueiro André Bahia.
anderson barros fabio ferreira seedorf botafogo treino (Foto: Thales Soares / Globoesporte.com)Anderson Barros conversa Seedorf. Holandês foi contrário à saída do dirigente (Foto: Globoesporte.com)

14 – A bronca de Chico
Em novembro de 2012, Chico Fonseca, futuro vice de futebol, informou a Anderson Barros sua saída no fim do ano. Uma comissão de atletas, Seedorf à frente, tentou conversar com Maurício Assumpção pedindo a permanência de Barros. Chico Fonseca ficou irritado. Sem experiência com jogadores profissionais, ele resolveu ir para cima. Em dezembro de 2012, após um treino, ele reuniu os atletas na sala de imprensa do Engenhão, na frente de toda a comissão técnica. E falou grosso. Disse que Anderson estava indo embora, que era só um funcionário e que eles, jogadores, também eram funcionários e deviam cumprir ordens. Começou manso, mas acabou subindo o tom. Foi interrompido por Seedorf.
– Abaixa a voz. Não estou gostando do seu tom. Se você falou, também vai ouvir.
Uma pequena discussão se seguiu. Irritado, Chico simplesmente abandonou a reunião. Temendo um impacto negativo no grupo, ele telefonou para Anderson Barros, que já tinha deixado o estádio.
– Fiz merda. Dá para você corrigir?
chico fonseca bolivar botafogo apresentação (Foto: Thales Soares / Globoesporte.com)

Chico Fonseca junto a Bolívar. Dirigente perdeu comando logo na chegada (Foto: Thales Soares / Globoesporte.com)

Anderson voltou ao estádio, reuniu os atletas e contemporizou.  E Seedorf ganhou pontos com os outros jogadores.

– Chico nasceu morto como vice de futebol. Passou a ser odiado ali, logo depois de assumir – disse um membro da comissão técnica que presenciou a discussão.
A partir daquele momento, Chico passou a não engolir as ações de Seedorf. Qualquer decisão capaz de desestabilizar o holandês ganhava força com o dirigente, que não aceitava o ar de superioridade com que o jogador desfilava pelo Engenhão e por General Severiano.

AMANHÃ: DOSSIÊ BOTAFOGO II - 2013, O ANO DA ILUSÃO. 

Fora do Bota, Junior Cesar diz que sai decepcionado com sua passagem

Lateral-esquerdo afirma que ainda não sabe onde vai atuar em 2015, mas que seu desejo era permanecer no Rio de Janeiro

Por Rio de Janeiro
Junior Cesar Botafogo x Palmeiras (Foto: André Durão / Globoesporte.com)Junior Cesar não estará no elenco do Botafogo em 2015
(Foto: André Durão / Globoesporte.com)

O nome de Junior Cesar estava na lista divulgada pela nova diretoria do Botafogo com os 17 jogadores que não faziam mais parte dos planos do clube. Apesar de o seu contrato terminar no último dia de dezembro e dos problemas que viveu no Alvinegro neste ano, ele afirmou que seu desejo era permanecer.

Apesar de a relação dos atletas ter sido divulgada, ele disse que não houve contato dos dirigentes, e que ainda não sabe onde vai jogar em 2015. Sua preferência era que fosse no Rio de Janeiro.

- Não fiquei surpreendido, até por tudo que convivemos no Botafogo, pela dificuldade que o clube estava passando financeiramente. Eu tinha o pensamento de continuar, mas é uma decisão que temos que respeitar. Meu objetivo é continuar no Rio de Janeiro ano que vem. Por mais que a diretoria do Botafogo tenha divulgado essa lista com meu nome, ninguém me procurou para falar nada, mas está em aberto. Ainda não tenho nada definido para o próximo ano - disse o lateral à rádio Brasil.

O lateral-esquerdo fez sua segunda passagem pelo Bota, e o gosto que ficou foi armago, principalmente por causa do rebaixamento e da grave crise financeira. Apesar disso, ele diz que vai levar com ele uma grande admiração da torcida botafoguense.


- Saio um pouco decepcionado. Vim contente de retornar ao clube, estava muito feliz, mas não fui tão feliz quanto esperávamos. Mas são coisas do futebol. O principal que tenho a agradecer é o torcedor. A torcida foi maravilhosa a todo momento, por tudo que estava passando o clube, todos os problemas, mesmo assim o torcedor estava ao nosso lado. O torcedor botafoguense sabe que tem um espaço especial no meu coração.

Junior Cesar comentou sobre a escolha da nova diretoria pelo técnico René Simões, que deve ser confirmado nos próximos dias. O lateral contou que teve uma boa impressão quando trabalhou com ele no Fluminense.

- O René é muito sério, muito profissional. Tive a oportunidade de trabalhar com ele no Fluminense em uma situação semelhante a essa que vive o Botafogo hoje, tentando fugir de rebaixamento e se recuperar. Acredito que ele vai somar muito ao clube.


Com a saída de Junior Cesar, o único lateral-esquerdo especialista até o momento no elenco é o jovem Guilherme, que tem apenas um jogo no profissional, a derrota por 5 a 0 para o Santos, no Pacaembu, pela Copa do Brasil. Na última rodada do Brasileiro, contra o Atlético-MG, quando o titular estava suspenso, Fabiano foi improvisado. Em 2015, há a possibilidade de Lima retornar de empréstimo do Goiás.

Dankler faz planos para 2015 e afirma: "Vamos jogar como time grande"

Zagueiro, que não tem permanência assegurada, acredita que reformulação deixará a equipe mais competitiva na próxima temporada

Por Rio de Janeiro
Ainda não existe uma posição oficial no Botafogo se o zagueiro Dankler vai permanecer em 2015, apesar de ainda ter contrato em vigência com o clube. Ele, no entanto, já faz planos para a próxima temporada e acredita que a reestruturação fará o time mais competitivo para brigar por título. Mesmo tendo muita rejeição entre os torcedores, o defensor terminou o Campeonato Brasileiro como titular.

Dankler, Botafogo, coletiva (Foto: Vitor Silva/SSPress)Dankler durante entrevista. Zagueiro espera o Botafogo mais (Foto: Vitor Silva/SSPress)


Se permanecer, Dankler é, até o momento, uma das poucas opções do setor defensivo, já que André Bahia acertou com um clube japonês. Os jovens Matheus Menezes e Igor Rabello são os outros atletas à disposição.
Vamos jogar como um time grande, como todos merecem. Vamos brigar por títulos, seremos reestruturados.
Dankler, zagueiro do Bota

- A nova diretoria sabe quais são os problemas e o que precisamos. Não tenho dúvida que vai trazer jogadores com o peso do Botafogo, vamos jogar como um time grande, como todos merecem. Vamos brigar por títulos, seremos reestruturados. Não temos previsões sobre salários atrasados, mas o novo presidente tem nossa confiança e a qualquer momento isso vai ser resolvido. Vamos começar um 2015 diferente e positivo - disse à Rádio Tupi.


O ano de 2014 foi para a torcida botafoguense esquecer, mas Dankler acredita que é possível tirar ensinamentos. De positivo, acredita que a postura da torcida de apoiar o time até o fim tem que ser mantida.


- Queria estar falando da permanência do Botafogo na Série A após um ano muito complicado, mas isso não aconteceu, não deixamos o clube na elite. Mesmo assim vejo pontos positivos neste ano que foi tão conturbado, com organização muito ruim. Ano que vem vamos trabalhar para retornar a Série A. A torcida não merecia, recebemos apoio até o fim, mas aconteceu. Vamos descansar e voltar para trazer o Botafogo para Primeira Divisão - avaliou.


O clube ainda não divulgou a programação do elenco para a pré-temporada.

Central do Mercado: Oswaldo vai para o Palmeiras, René Simões para o Bota

Sábado é recheado de notícias envolvendo técnicos. Na movimentação dos jogadores, Marcos Rocha pode ir para o Porto, e Pratto é dado como certo no Galo

Por Rio de Janeiro

Oswaldo de Oliveira (Foto: Ricardo Saibun / Divulgação SantosFC)Oswaldo de Oliveira (Foto: Ricardo Saibun / Divulgação SantosFC)

Enquanto os jogadores estão de férias, as diretorias dos clubes brasileiros se movimentam para armar os elencos para o início dos trabalhos para a temporada 2015. Neste sábado foram as notícias sobre os técnicos que agitaram o mercado. No Palmeiras, Oswaldo de Oliveira deixou o contrato muito bem encaminhado para ser anunciado na terça-feira como novo comandante da equipe.

Quem também deixou tudo praticamente certo com seu novo técnico foi o Botafogo. O presidente Carlos Eduardo Pereira confirmou que René Simões é o escolhido da nova diretoria para tentar tirar o clube da Série B. Só falta assinar o contrato e fazer o anúncio. No Corinthians, a situação não está tão perto de um desfecho. Apesar de ter caminhado na negociação com Tite, o Timão enfrenta a concorrência do Internacional. O treinador pediu paciência para poder tomar sua decisão.


Cristóvão Borges recebeu da diretoria do Fluminense uma proposta de renovação. Mas, como a ordem nas Laranjeiras agora é apertar os cintos, o técnico não teria aumento de salário agora. Há, no entanto, a possibilidade de discussão de novos valores ao longo da próxima temporada. A expectativa é de que tudo se resolva na próxima semana.


01
Marcos Rocha alvo do Porto. Pratto dado como certo no Galo


O sábado também teve notícias sobre a possibilidade de transferências de jogadores. Como Danilo, do Porto, interessa ao Barcelona, a equipe portuguesa já pensa em uma alternativa para recompor seu elenco. Marcos Rocha, do Atlético-MG, seria o alvo. Neste caso, Patric, que pertence ao Galo e se destacou no Sport, poderia voltar para BH. Levir Culpi gostaria de contar com o atleta em 2015.

O técnico teve boas notícia neste sábado, a renovação de contrato do volante Pierre, que fica até o fim do próximo ano, e a cada vez mais concretizada contratação do atacante Lucas Pratto, do Vélez Sarsfield. A imprensa argentina informou que tudo está resolvido pelo valor de R$ 13 milhões, mas a diretoria atleticana preferiu ainda não confirmar o acordo.

Lucas Pratto comemoração jogo Newell's contra Velez (Foto: EFE)

Lucas Pratto está a caminho do Galo, garante imprensa argentina (Foto: EFE)

O Internacional está envolvido em mais um duelo, segundo a imprensa francesa. O "L'Equipe" noticiou que o destino do atacante Lucas Barrios, que atua pelo Montpellier, será o Brasil, mas que o clube ainda não está decidido. O Colorado briga com o Flamengo para ter o argentino naturalizado paraguaio. Outra notícia que envolve o Rubro-Negro é o fato de Matheus, filho de Bebeto, não estar mais nos planos do clube.

Na Itália, a imprensa local especula que o São Paulo poderia tentar repatriar Hernanes, do Inter de Milão, para ocupar o posto deixado por Kaká, que vai jogar pelo Orlando City. Outro paulista que busca reforços é o Palmeiras, que está perto de contratar o lateral-direito Lucas, ex-Botafogo, e negocia com o zagueiro Vitor Hugo, de 23 anos e disputou a última Série B pelo América-MG.

02
Veteranos em ação em Alagoas

Apesar da idade considerada avançada para jogar futebol profissional, alguns veteranos fazem planos para disputar o próximo Campeonato Alagoano. É o caso do folclórico atacante Aloísio Chulapa, de 39 anos, do zagueiro Selmo Lima, de 38, e do atacante Junior Amorim, de 42.