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O capítulo final de Maurício Assumpção na presidência do Botafogo
À beira da Série B, time entra em campo para sua última partida sob o comando do dirigente que, após início promissor, acumulou desafetos

por Eduardo Zobaran






RIO - É difícil lembrar, mas Maurício Assumpção já exibiu ares de “popstar”. Em 2012, quando surfava a onda Seedorf, o prometido “craque para fechar aeroporto”, o presidente alvinegro tinha tratamento de ídolo. Em Macapá, quando foi prestigiar o Feijão do Fogão — evento criado para atrair sócios fora do Rio —, Assumpção foi às lágrimas ao ser recepcionado por torcedores no aeroporto como se fosse uma estrela do time. Mais tarde, formou-se uma fila para autógrafos tão longa quanto a que aguardava pela assinatura de Túlio Maravilha, artilheiro do último título nacional do clube, em 1995.


Hoje, quando o time entrar em campo, às 19h30m, para enfrentar a Chapecoense, em Santa Catarina, a Era Maurício Assumpção chegará ao fim após seis anos de dois mandatos. Na terça-feira, haverá eleições no clube, com quatro chapas, em que todas se dizem de oposição ao presidente. O novo mandatário assumirá imediatamente.

De forma melancólica, com dívidas entre R$ 700 milhões e R$ 780 milhões — em um clube com receita de R$ 100 milhões anuais —, o presidente poderá devolver o futebol alvinegro à Série B, repetindo a humilhação vivida no rebaixamento em 2002. Isso acontecerá hoje caso o Botafogo perca, e o Vitória vença o Figueirense, às 17h, no Orlando Scarpelli, também em Santa Catarina.

— Ele se descolou da realidade. Clubes têm orçamentos e enquadram suas despesas de acordo com as receitas — critica Carlos Eduardo Pereira, que ajudou a lançar a primeira candidatura de Assumpção, foi seu concorrente na reeleição seguinte e hoje é um dos quatro candidatos à presidência.

Em 2008, quando foi eleito, Maurício Assumpção chamava a atenção pelo perfil diferente dos dirigentes do futebol brasileiro. Morador de Copacabana, dentista e torcedor fanático, daqueles que abria seu consultório na madrugada para atender aos jogadores acidentados em jogos, ele ganhou a simpatia de quase todos. Após um primeiro ano em que escapou do rebaixamento graças a milagres de Jefferson e lampejos de Jóbson, o ano seguinte veio com a contratação de Loco Abreu e um título estadual sobre o Flamengo, com direito a cavadinha na última decisão do velho Maracanã.

— O grande erro foi abrir mão de um processo de profissionalização que vinha dando certo no primeiro mandato — ressalta o candidato Marcelo Guimarães, ex-diretor de marketing, demitido em 2013 e que usa um termo que ficou conhecido para se referir aos amigos do presidente, como Sidney Loureiro, ex-diretor de futebol, e o volante Rodrigo Souto. — Trocou o que tinha feito pela “Turma da praia”.


5% em contrato milionário
Passados seis anos desde que assumiu, Maurício, hoje com 53 anos, aparenta abatimento e cansaço, embora já não mais atenda em seu consultório. Para estudantes de marketing esportivo, dá aula sobre gestão de arenas, ainda que uma das maiores críticas seja a forma como conduziu a crise vivida pela perda do Engenhão. Filiou-se ao PMDB, partido de Eduardo Paes, Sérgio Cabral e do botafoguense Luiz Pezão, mas é difícil imaginar que hoje se elegeria a um cargo público.

No futebol, tem como principal aliado Rubens Lopes, presidente da Federação de Futebol do Rio, contestado por Flamengo, Fluminense e Vasco (antes da volta de Eurico Miranda). É desafeto de clubes como Atlético-MG, que acredita que Maurício, ao ajudar a implodir o Clube dos 13 de olho em maiores recursos para o Botafogo, não se atentou para o fato de que aumentava a disparidade financeira entre Flamengo e Corinthians e os demais. Fora do futebol, foi este ano às lágrimas diante da presidente Dilma Rousseff ao falar sobre a crise alvinegra.

Negócios polêmicos
Nada manchou tanto sua imagem quanto a revelação de que uma empresa de seu pai, falecido no ano passado, receberia 5% de comissão no contrato com a Guaraviton, patrocinadora do Botafogo desde 2010. Só na atual temporada, a Guaraviton investiu mais de R$ 20 milhões.
— Foi imoral e antiético — condena o candidato Vinícius Assumpção, que faz questão de ressaltar não ter parentesco com Maurício. — As pessoas dizem que não foi ilegal, mas foi. Ele usou a empresa do pai. É nepotismo.

Essa não foi a única polêmica envolvendo patrocínios. No início do ano, fechou contrato com a TelexFree, denunciada por operar esquema de pirâmide investigado no Brasil e nos Estados Unidos. O acordo tentava minimizar os problemas financeiros, fortalecidos com a saída do Ato Trabalhista por não cumprir acordo com a Justiça do Trabalho. No fim de seu mandato, as penhoras se tornaram recorrentes.

Em 2014, poucos meses após ver o Botafogo na Libertadores depois de 18 anos de espera, deixou de ser assíduo nos jogos, com receio da reação da torcida. Nem aos treinos ia, coisa que só voltou a fazer após a demissão de Emerson, Bolívar, Edílson e Júlio César. Esses foram os jogadores que, ao lado do ídolo Jefferson, titular da seleção brasileira, participaram de reuniões com o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro para que uma cúpula de torcedores milionários quitasse as dívidas com o elenco.

— Ele optou pelo isolamento. Confiava em pouquíssimas pessoas para a troca de ideias. Isso aumenta a margem de erro — reclama Thiago Cesário Alvim, que foi vice-presidente de Comunicação de Assumpção e deixou a diretoria para se candidatar à presidência.


Adesivo: ‘Pior da História’
Entre os poucos elogios à sua gestão, está a valorização das divisões de base do clube, que revelou jogadores como Dória, Gabriel e Vitinho. Apesar disso, sua maior promessa, a construção de um centro de treinamento para os jovens, jamais saiu do papel. No clube, frequentadores da sede social também observaram melhorias na estrutura.

Na terça-feira, a oposição promete criar um clima hostil para a presença do dirigente. Foram confeccionados 1.500 adesivos com os dizeres “O pior presidente da história”, título historicamente de Charles Borer, que vendeu a sede de General Severiano em 1977. Já há adesão de integrantes das quatro chapas. Há mais de dois meses que Maurício Assumpção é procurado pela reportagem e protela um pedido de entrevista.

Mancini diz que foi "bombeiro" em alguns momentos do ano no Bota

Sem entrar em detalhes, técnico afirma que teve de lidar com assuntos que não são da competência de um treinador e garante luta até não haver mais chances

Por Rio de Janeiro
Mesmo que o Botafogo permaneça na Primeira Divisão, o saldo da temporada alvinegra é considerado extremamente insatisfatório para os torcedores. Ao longo do ano, fatos polêmicos como o atraso de salários dos funcionários e a demissão do quarteto formado por Emerson Sheik, Bolívar, Edilson e Julio Cesar foram colocados em pauta. Aos jogadores e à comissão técnica, restava tentar manter a concentração no campo, no futebol. Mas, a três rodadas do fim do Campeonato Brasileiro, o técnico Vagner Mancini, que não "abandonou a barca", como ele próprio diz, afirma que teve de lidar com assuntos que não são da competência de um treinador. Sem entrar em detalhes, o comandante disse que serviu como "bombeiro" em algumas situações.

- Agora que fui perguntado, eu não vou mentir. Eu tive, sim, que me meter em algumas coisas que geralmente não são da competência de um treinador. Com todos esses assuntos durante o ano, tive que lidar com algumas coisas, conversei, fiz um papel que não seria de um técnico. Mas não adianta eu falar isso agora. Eu estaria sendo oportunista se chegasse agora e falasse o que houve de errado no início do ano - afirmou Mancini.
Mancini, Treino do Botafogo (Foto: Vitor Silva / SSPress)
Mancini teve que atuar como "bombeiro" durante o ano (Foto: Vitor Silva / SSPress)


Neste domingo, na Arena Condá, a equipe tem um duelo decisivo contra a Chapecoense. Mancini disse que é inevitável pensar nos outros confrontos que influenciam diretamente na vida do Botafogo na tabela, mas garantiu luta de seus comandados até quando ainda houver chances de permanência na Série A.

- Essas coisas são normais do futebol. Se eu dissesse que não penso nos outros confrontos, estaria sendo hipócrita. Temos a chance se conseguir esses nove pontos nos três jogos que restam, e enquanto tiver essa possibilidade, vamos lutar. Em nenhum momento no campeonato o time foi mole, sempre lutou, sempre correu. Esse jogo vai exigir muito de nós na parte física, vamos com um time mais forte nesse sentido.

A equipe alvinegra, que está em Chapecó desde o início da noite de sexta-feira, treina na cidade às 10 horas desta manhã. Ronny é a novidade entre os jogadores que foram relacionados para a partida - Carlos Alberto ainda sente dores na coxa e segue fora de combate. Jobson, ao que tudo indica, após o revés com o treinador, vai para o jogo.

Botafogo e Chapecoense se enfrentam neste domingo, na Arena Condá, às 19h30 (de Brasília). A partida é válida pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro. Somente a vitória interessa ao Alvinegro.

Caso Elkeson: sem reunir dinheiro, Bota fica vulnerável a perda de pontos

Diretoria não consegue angariar R$ 150 mil que poderiam aumentar prazo para quitar dívida. Doação pode chegar na próxima semana, com novo presidente

Por Chapecó, SC

Como se já não bastassem os resultados em campo, o Botafogo passou a ficar ainda mais vulnerável ao rebaixamento. A sexta-feira chegou ao fim sem que a diretoria conseguisse os R$ 150 mil que complementariam uma primeira parcela do pagamento relativo à transferência de Elkeson, em 2012. A partir de agora, resta ao Alvinegro torcer para que a Fifa não aplique a perda de seis pontos pelo fato de o clube não ter repassado R$ 800 mil ao Vitória, formador do meia-atacante que foi comprado pelo Guangzhou Evergrande, da China.

Na última sexta-feira o Botafogo conseguiu R$ 150 mil, emprestado por torcedor que costuma colaborar com o clube, e ganhou mais alguns dias para tentar o mesmo valor. A ideia era que, com R$ 300 mil pagos ao Guangzhou, a Fifa aumentasse o prazo, convencida de que o Alvinegro vinha se esforçando para resolver a questão em meio à sua crise financeira.
Mas apesar dos esforços, a diretoria não conseguiu reunir os outros R$ 150 mil pretendidos e agora fica na expectativa dos desdobramentos. Pessoas inseridas no dia a dia do clube acreditam que este valor deve ser conseguido a partir da próxima quarta-feira, quando o novo presidente assume o Botafogo – as eleições serão na terça.
Agora, o Alvinegro espera que o Guangzhou Evergrande não acione novamente a Fifa nos próximos dias e, assim, atrase a sentença até que o clube consiga novas doações. Dessa forma, restará ao Botafogo lutar contra o rebaixamento somente no campo.

Para ex-dirigente, "cinco milhões" de botafoguenses podem reabilitar clube

Fernando Carvalho, responsável por reconstrução do Internacional, diz que diretoria do Alvinegro precisa mobilizar torcida após queda "irreversível"

Por Rio de Janeiro

VÍDEO AQUI
http://globotv.globo.com/sportv/redacao-sportv/t/ultimos/v/ex-presidente-do-internacional-fernando-carvalho-acredita-em-recuperacao-do-botafogo/3780474/

Tendo assumido o Internacional em situação delicada em 2002, Fernando Carvalho teve papel decisivo como dirigente na reconstrução do clube que resultou em conquistas importantes, como quatro Campeonatos Gaúchos, além de uma Taça Libertadores e um Mundial de Clubes. Presente no “Redação SporTV”, o ex-presidente colorado disse ver uma luz no fim do túnel para o Botafogo, que pode ser rebaixado novamente, em sua história, neste final de semana, no Campeonato Brasileiro. Segundo Carvalho, o Alvinegro precisa mobilizar sua torcida em torno do momento vivido pelo clube (assista ao vídeo).

- Sempre há luz no fim do túnel, principalmente para uma grande entidade como o Botafogo que possui cinco milhões de torcedores. Grande número para uma reconstrução. De um momento ruim, se pode tirar uma grande oportunidade. Ir para a segunda divisão, acho irreversível nesse momento. Mas pode tirar uma oportunidade desde que seus dirigentes mobilizem os botafoguenses em torno do clube, os conscientizem desse momento trágico pelo qual a entidade está passando. A partir daí, tem que gerar receitas. Acho que consegue sair dessa situação – disse.

Jobson, Treino do Botafogo (Foto: Vitor Silva / SSPress)

Botafogo, de Jobson, agoniza para não cair
(Foto: Vitor Silva / SSPress)

Carvalho comandou o Inter entre os anos de 2002 e 2006. O ex-dirigente lembra de um erro comum que superou em sua época como presidente: contratos curtos com jogadores. Segundo ele, os atletas não ficavam focados com pouco tempo de vínculo com o clube. O problema quase custou a presença do time na elite em 2003, já que o Colorado precisou vencer o Paysandu, por 2 a 0, em São Luís, para não ser rebaixado.

- Vivíamos um cenário de legislação ainda não consolidada. Era o início da Lei Pelé. Não se sabia como seria a relação entre clube e jogadores. A gestão que terminou não fez contratos longos. Poucos haviam ao terminar o ano. O principal erro foi contratar jogador por apenas um ano. O ideal era por dois, três anos, porque se não, não se vincula ao clube. A questão de ser colorado, flamenguista. A partir de outubro, além de estarmos com salário atrasado, também tinha esse problema dos jogadores não terem a vinculação para o próximo ano. Com isso, não ficaram focado no campeonato daquele ano.

O Botafogo possui 33 pontos e é o penúltimo na tabela do Brasileirão. O Alvinegro enfrenta a Chapecoense neste domingo, na Arena Condá, e pode ser rebaixado caso saia derrotado e conte com uma combinação de resultados contra ele. O Inter é o quinto colocado, com 60 pontos, e enfrenta o Atlético-MG, no sábado, no Beira-Rio.

Jefferson lamenta dispensas: "Não me perguntaram se estava de acordo"

Goleiro critica diretoria pela saída de nomes importantes e diz que vai esperar eleição para decidir futuro: "Minha vida financeira estacionou"

Por Rio de Janeiro


VER VÍDEO AQUI

Depois da derrota para o Figueirense por 1 a 0, a situação do Botafogo se complicou e o rebaixamento se aproxima cada vez mais. O time pode cair neste domingo, se perder para a Chapecoense e o Vitória vencer o Figueirense. Um dos líderes do alvinegro, Jefferson desabafou em entrevista exclusiva para o Esporte Espetacular. O goleiro da Seleção não deixou pergunta sem resposta. Revelou que o vestiário do Botafogo está cabisbaixo, falou sobre os sete meses de direito de imagem que o clube lhe deve, contou que já foi sondado para sair e disse que não concordou com as dispensas de Edílson, Emerson Sheik, Bolívar e Júlio César. 

Jefferson, como é passar por duas situações opostas deste jeito, ao mesmo tempo sendo convocado e ameaçado de rebaixamento com o Botafogo?   
- Olha, é uma experiência nova na minha carreira. É um momento muito especial que eu estou vivendo. E hoje aqui no Botafogo, a gente sabe que a gente vive um momento tenso, onde os jogadores já entram ansiosos na partida. Eu já aprendi a ganhar, a perder, e é nesse momento que o guerreiro se sobressai. É lamentável, viu. Eu particularmente chego triste em casa. Aprendi a amar o Botafogo e acho que o respeito é muito grande pela camisa do clube. O que eu posso dizer para os torcedores é que eu sinto muito por tudo que está acontecendo, acho que eles não mereciam o que aconteceu desde o início do ano até agora.  

Quais foram as grandes falhas do Botafogo?  
- Acho que o planejamento esse ano não correu bem. Tivemos muitos problemas fora de campo, muitas coisas vazaram daqui de dentro. Então, hoje, não tem como sugar muita coisa dos jogadores, porque os jogadores estão exaustos emocionalmente. Acho que o que atrapalhou mais o Botafogo não foi dentro de campo e sim o extra. Salário, perda do Engenhão, greve, discussão que saiu fora do clube, dispensa de jogador.  Muita coisa que você acaba pegando tudo isso e reflete dentro de campo.  

Repórter Thiago Asmar e Jefferson (Foto: Reprodução TV Globo)

Repórter Thiago Asmar e Jefferson (Foto: Reprodução TV Globo)

Você chegou a criticar publicamente a postura da diretoria, principalmente do presidente Maurício Assumpção. Continua tendo aquela opinião?  
- Eu como capitão e representante dos jogadores não conseguia ver o Botafogo na situação em que estava e o nosso presidente não estando junto com a gente aqui. Eu acho que foi só essa minha cobrança. Era você perder os jogos e não ter ninguém ali para estar junto com você.   

Concordou com a dispensa de Emerson Sheik, Edílson, Júlio César e Bolívar?
- Nem me perguntaram né. Nem me perguntaram se eu estava de acordo ou não... 



(interrompe) Acha que por ser capitão você deveria ter sido consultado?  
- Eu acho que sim. Como capitão seria bom até para eu estar passando para os jogadores e tendo outra visão. Mas como eu falei: a gente é funcionário.  

Jefferson concedeu entrevista ao Esporte Espetacular (Foto: Reprodução TV Globo)Jefferson concedeu entrevista ao Esporte Espetacular (Foto: Reprodução TV Globo)

Você acha que eles seriam importantes para o grupo fugir dessa situação?  
- Sem dúvida nenhuma. Com certeza, com todo o currículo que esses quatro jogadores têm, com certeza eles acrescentariam bastante para esse grupo aqui.   


Junto com os quatro dispensados, você era um dos que mais cobravam os salários. A saída dos companheiros enfraqueceu o time também fora de campo?  
- A partir do momento em que o Botafogo deixou de cobrar, foi aí que começou a cair. Porque o filho que você ama, você corrige, cobra, dá puxão de orelha. Então, a partir do momento em que os jogadores pararam de cobrar, é como se... Ah, então, entre aspas, ficou tudo elas por elas.  A partir do momento em que a gente estava cobrando, assumindo a responsabilidade, o time estava envolvido. A partir do momento em que começou a minar um, minar outro, ameaçar um, ameaçar outro, o Botafogo começou a perder força.

 
Você falou que tem sete meses de atraso nos direitos de imagem e que representam a maior parte do salário. Como ficar assim?  
- Nesse ano minha vida financeira parou, estacionou. Isso é uma das coisas que a gente fica triste. Eu perdi essa garra... que eu digo que é garra de leão. Quando você é um leão, você vai, cobra, peita. Diz que está junto. Cobra as promessas. Diz: “E aí? Prometeu? Vamos cumprir?”  Com garra, você acaba crescendo, chamando um, chamando outro.

 
Como recuperar a motivação dos mais jovens diante da ameaça cada vez maior do rebaixamento?  
- Você chega hoje no vestiário e vê jogadores de cabeça baixa, com a autoestima baixa. Uns acreditam, outros já estão desesperançosos. O maior adversário do Botafogo, hoje, é o fator psicológico. O maior adversário do Botafogo hoje é entrar em campo com confiança, acreditando que a gente pode vencer.  

Jefferson, pensativo, responde a tudo (Foto: Reprodução TV Globo)Jefferson, pensativo, responde a tudo (Foto: Reprodução TV Globo)

Como foi a derrota para o Figueirense?  
- Tentamos. Claro que teve o lance do Jóbson que errou o pênalti, só que tentamos, corremos atrás. A bola não está caindo. A gente tem que ser homem de entrar em casa, levantar a cabeça, abraçar a esposa, os filhos, as filhas, e falar: “olha, o que eu pude fazer pelo Botafogo eu fiz”.  

Muito se fala que o Jéfferson pode sair do Botafogo. Tem propostas?  
- Tem sondagens sim. Mas estou esperando o dia 25 de novembro para conversar com a próxima diretoria e saber o planejamento, a minha importância no projeto deles para, aí sim, abrir o leque ou fechar o leque.   


O goleiro titular da seleção brasileira disputaria uma série B no ano que vem?  
Pela grandeza do Botafogo. Todos os goleiros gostariam de estar jogando no Botafogo, independente se é a série A ou série B. O Botafogo é grande, tem história e na série B com certeza tem mais visibilidade do que muitos times na série A. A gente sabe que é difícil, que é complicado. Mas a gente vai fazer o máximo possível pra sair dessa situação.

Chape x Bota: alívio quase completo de um pode decretar queda do outro

Chapecoense praticamente sela permanência com vitória, enquanto o Glorioso pode até cair nesta rodada. Degola é decretada com revés combinado a triunfo do Vitória

Por Chapecó, SC
O desespero de permanecer na Série A em 2015 é comum a Chapecoense e Botafogo. Entretanto, a motivação e o ambiente são o que diferenciam as duas equipes que se enfrentam neste domingo, às 19h30 (de Brasília), na Arena Condá, em Chapecó (SC). Os catarinenses comemoraram uma goleada em pleno Maracanã - 4 a 1 sobre o Fluminense -, e uma vitória em casa pode deixá-los muito perto da permanência na elite. A situação dos cariocas, em contrapartida, ficou praticamente irreversível após a derrota para o Figueirense, na última quarta-feira. Novo revés neste domingo combinado a um triunfo do Vitória sobre o Figueira, em Florianópolis, rebaixa o Glorioso já nesta rodada (saiba mais clicando aqui).

Aplicar 4 a 1 no Fluminense no Maraca deu novo ânimo para o Verdão do Oeste no Campeonato Brasileiro. Com os três pontos obtidos no Rio, o time saiu da zona do rebaixamento e está mais confiante pela permanência na Série A. Com pouco tempo para trabalhar após o confronto, o técnico interino Celso Rodrigues comandou apenas um treinamento e não encaminhou a escalação para domingo. Para o embate, o clube repetiu a promoção da última partida e colocou ingressos a R$ 10. A intenção é ter casa cheia no fim de semana para bater um adversário direto e se distanciar do Z-4.

Mesmo em caso de vitória, a situação do Botafogo continuará complicada, sendo obrigado a vencer os dois jogos restantes. A equipe chega para enfrentar a Chapecoense ainda abalado pelo último resultado. Uma de suas consequências foi uma grande turbulência no ambiente interno por conta de uma áspera discussão entre o técnico Vagner Mancini e o atacante Jobson, que perdeu um pênalti.
O Premiere transmite a partida ao vivo pelo sistema pay per view. O GloboEsporte.com acompanha todos os lances em tempo real, com vídeos. 
HEADER escalacoes 690 (Foto: Infoesporte)



Chapecoense: Celso deve manter a base da equipe que venceu o Flu na quinta-feira. Na defesa, Jaílton é quem deve entrar no lugar de Douglas Grolli, suspenso pelo terceiro amarelo. A provável escalação é: Danilo; Fabiano, Rafael Lima, Jaílton e Rodrigo Biro; Bruno Silva, Wanderson, Abuda e Camilo; Tiago Luis e Leandro.
Botafogo: o Botafogo segue com desfalques que restringem as opções de Vagner Mancini para escalar a equipe. Assim, o treinador decidiu manter contra a Chapeconse a equipe que iniciou a derrota para o Figueirense, na última rodada.O Alvinegro deve começar com a seguinte formação: Jefferson, Régis, Dankler, André Bahia e Junior Cesar; Marcelo Mattos, Gabriel, Bolatti e Murilo; Jobson e Bruno Corrêa.
HEADER quem esta fora 690 (Foto: Infoesporte)


Chapecoense: André Paulino e Tiago Saletti seguem no departamento médico, que ganhou o volante Ricardo Conceição, com lesão nas duas panturrilhas. O zagueiro Douglas Grolli levou o terceiro amarelo e está fora.
Botafogo: Carlos Alberto não se recuperou de lesão muscular e segue fora da equipe. O volante Andreazzi e os atacantes Wallyson e Rogério são outros que continuam entregues ao departamento médico.
header pendurados 690 (Foto: arte esporte)

Chapecoense: Abuda, Diones, Leandro e Rodrigo Biro.

Botafogo: Airton, Andreazzi, Gabriel, Jefferson, Junior Cesar, Marcelo Mattos, Rodrigo Souto e Rogério.

Marcelo Mattos quer reação em caso de queda: "Não será o fim do mundo"

Após choro em derrota para o Figueirense, volante lamenta situação do Botafogo após campanha de destaque em 2013

Por Chapecó,SC
Marcelo Mattos Treino do Botafogo Chapecó (Foto: Gustavo Rotstein)Marcelo Mattos treina em Chapecó: novo desafio para evitar rebaixamento do Botafogo (Foto: Gustavo Rotstein)

Segundo sua projeção, Marcelo Mattos voltaria a reforçar o Botafogo em julho após a pausa para a Copa do Mundo, quando estaria totalmente recuperado de uma cirurgia na região pubiana. Mas um problema no processo de cicatrização adiou o projeto em quatro meses. O volante conseguiu retornar somente no último domingo, quando pouco pôde fazer para impedir a derrota por 1 a 0 para o Fluminense. Embora seja um reforço recente no campo, Mattos não demorou a se envolver com o drama alvinegro. Na última quarta-feira ele deixou o campo chorando depois da derrota para o Figueirense, em São Januário.

Driblando falta de condicionamento físico e ritmo de jogo, Marcelo Mattos já é um ponto de apoio do técnico Vagner Mancini para os últimos três jogos do Botafogo no Campeonato Brasileiro. Um dos líderes do elenco, o volante garante que não faltará superação para tentar vencer uma situação que se mostra quase irreversível, mas afirma que os jogadores não podem se dar por vencidos se o pior acontecer já neste domingo, contra a Chapecoense, em Santa Catarina.

- No ano passado o Botafogo fez um baita campeonato, chegou à Libertadores e eu fiz parte disso tudo. Aí nós vemos o Botafogo desde janeiro com mudanças em todos os aspectos e ficamos tristes. A gente tenta resolver em campo e não acontece, então é difícil. Não era só por causa daquele jogo (o choro contra o Figueirense). Esperava um ano de conquistas, inclusive a da Libertadores, e vejo nossa situação. O Botafogo é um time grande, não é para estar nas últimas três rodadas brigando para não cair. Eu não gostaria de fazer parte disso - afirmou.

Marcelo Mattos garante que, por mais que os resultados sejam negativos, não vem faltando dedicação por parte dos jogadores. Com contrato em vigor ao longo da próxima temporada, o volante diz estar disposto a fazer parte da recuperação alvinegra em 2015, seja na Primeira Divisão ou na Série B.

- Se cair, não será o fim do mundo. Todos vão ter que continuar a vida de cabeça erguida. Claro que vamos fazer máximo para que não aconteça. Enquanto houve chance, podemos sair dessa, mas se acontecer, vamos continuar trabalhando. No futebol isso está sujeito a acontecer - explicou.

Com 30 anos e 138 partidas pelo Botafogo, Marcelo Mattos é um dos responsáveis por transmitir tranquilidade a um grupo formado em sua maioria por jovens pouco acostumados à pressão de enfrentar uma situação extrema num grande clube.

- O Gegê, por exemplo, é um jogador jovem e que se dedica muito. Tinha que estar o Seedorf aqui, e o Gegê entrar no lugar dele aos 30 minutos do segundo tempo para ganhar corpo, sentir a responsabilidade, começar a decidir jogos e então se firmar. Não pode ele ter que resolver. É uma situação muito difícil. Se houvesse mais experientes talvez o Botafogo não estivesse nessa situação - avaliou.
35ª RODADA
Jobson perde pênalti, Figueirense vence e eleva o drama do Botafogo

França garante 1 a 0 em São Januário, e atacante botafoguense vira vilão em derrota que deixa o time à beira do rebaixamento a três rodadas do fim

DESTAQUES DO JOGO
  • lance capital
    3 do 2º tempo
    A mão na bola de Cereceda deu ao Botafogo a chance de ficar à frente. Mas Jobson virou vilão ao isolar a cobrança, que fez o Figueirense crescer no jogo.
  • o herói
    França
    O volante do Figueirense foi quem pegou o posto de herói após Jobson perder o pênalti: marcou de cabeça seu primeiro gol no Campeonato Brasileiro.
  • como fica?
    luta contra Z-4
    O Figueira praticamente se livrou do risco de queda com 43 pontos. Já o Bota, com 33, ficou a cinco pontos do primeiro fora da zona faltando três rodadas.
A CRÔNICA
por GloboEsporte.com

O herói da fuga do rebaixamento do Botafogo em 2009 virou vilão em 2014. Em sete jogos desde que voltou ao clube, Jobson ainda não desencantou. Pior: desperdiçou um pênalti na noite desta quarta-feira, em São Januário, quando o placar ainda estava em branco. Melhor para o Figueirense, que deu de ombros para a situação delicada do adversário na tabela e soube aproveitar o nervosismo dos cariocas para vencer por 1 a 0, gol de França, diante de 7.406 pagantes (8.250 presentes). Resultado que praticamente tirou os catarinenses, com 43 pontos e em 13º lugar, da briga contra a degola. E multiplicou o drama botafoguense, que caiu para penúltimo lugar com 33, afundado no Z-4 a três rodadas do fim do Campeonato Brasileiro. A renda da partida foi de R$ 65.765,00.

O Figueirense, que já eliminou o Botafogo de uma semifinal de Copa do Brasil no Maracanã, em 2007, confirmou a fama de carrasco do Alvinegro carioca no Rio de Janeiro: conquistou agora o quinto triunfo em nove partidas disputadas na cidade pelo Brasileirão, somando ainda três empates e só uma derrota.

Botafogo x Figueirense  (Foto: Buda Mendes / Getty Images)

França comemora seu primeiro gol pelo Figueirense no Brasileirão (Foto: Buda Mendes / Getty Images)
As duas equipes voltam a campo no domingo contra adversários diretos na briga contra o rebaixamento. O Figueirense vai receber o Vitória às 17h (de Brasília) no Orlando Scarpelli, e o Botafogo visitará a Chapecoense logo depois, às 19h30.


Muitas falhas em jogo nervoso
A situação dos dois times na luta contra o rebaixamento transformou o jogo numa espécie de batalha de São Januário. Nervosa dentro de campo: dois cartões amarelos para o Figueirense com menos de cinco minutos (um por falta e outro por simulação), uma substituição por lesão (de Marquinhos), defesa do Botafogo batendo cabeça e muita disposição de ambos os lados. Aflita na arquibancada: presente em bom número, a torcida alvinegra demonstrava mais tensão do que empolgação. E jogadores tentavam incendiar o clima de caldeirão a cada bico pela linha lateral. Parecia que só o vencedor manteria sua vaga na Série A, apesar de a matemática dizer o contrário.


Uma falha de Dankler ao dar um chutão para o alto na própria área e permitir que Marcão dividisse de cabeça com Jefferson, representou bem o nervosismo do Botafogo no iníco. Deu sorte que o atacante não conseguiu aproveitar a melhor chance do primeiro tempo, assim como no único contra-ataque do Figueira, três contra dois, desperdiçado por um passe errado. O Alvinegro carioca só conseguiu levar perigo quando parou de abusar do chuveirinho e a trabalhar a bola nos últimos 20 minutos. Jobson parou em Volpi numa bomba de longe, André Bahia quase marcou sozinho de cabeça na área, e Bolatti isolou boa oportunidade na meia-lua.


Jobson, Botafogo X Figueirense (Foto: Vitor Silva / SSpress)

Jobson desperdiçou um pênalti e virou o vilão da derrota em São Januário (Foto: Vitor Silva / SSpress)

França desencanta, e Jobson vira vilão
A boa movimentação de Jobson nos primeiros 45 minutos fazia dele a maior esperança do Botafogo para a etapa final. A confiança era tanta em voltar a ser o herói na fuga do Z-4 que, ao ver o árbitro marcar pênalti no toque de mão de Cereceda na área, pediu a bola.


Mas a cobrança levantou areia em vez de a torcida, fez a bola sair por cima do travessão, e transformou o atacante em vilão. Principalmente porque, três minutos, depois aconteceu o castigo. O Figueirense, que cresceu no jogo e já havia obrigado Jefferson a fazer um milagre na cabeçada de Marcão, chegou ao gol com França, também pelo alto. O volante apareceu atrás da zaga e mandou no cantinho, aos seis minutos, fazendo seu primeiro gol no Brasileiro - feito que Jobson também poderia ter alcançado.


Ao ser substituído, aos 29, recebeu um mar de vaias. Mas não só ele. Bolatti e Murilo experimentaram da mesma fúria dos botafoguenses em São Januário. Os promovidos por Vagner Mancini, Yuri Mamute, Gegê e Zeballos, passaram longe de ser a solução. E o Botafogo se viu vítima do próprio nervosismo. Mesmo com amplo domínio da posse de bola, 67% contra 33%, viu o Figueirense segurar com unhas e dentes o placar favorável e ainda ficar mais perto de fazer o segundo do que de sofrer o empate. Nos acréscimos, a torcida trocou os protestos para cantar o hino do clube, numa espécie de força para superar um drama que ganhou contornos de impossível.

34ª RODADA

No Clássico Vovô, Flu, na teimosia, usa cabeça, vence Bota e embola G-4

Edson faz de cabeça aos 28 minutos do 2º tempo e deixa tricolores firmes na briga por vaga na Libertadores. Alvinegro segue lutando para não cair


DESTAQUES DO JOGO
  • muita firula
    Carlos Alberto
    De volta ao Botafogo, o camisa 19 teve, aos 25 minutos de jogo, a chance de deixar o time em vantagem, mas a firula a mais o atrapalhou na hora de concluir.
  • lance do jogo
    28 do 2º tempo
    Foram inúmeras as bolas alçadas na área pelo Flu. Só aos 28 do segundo tempo a jogada morreu na rede: Edson testou firme e fez o gol da vitória.
  • alegria de volta
    Walter
    Ele não decidiiu, mas fez a alegria dos tricolores. Walter entrou na metade do 2º tempo e deu vários dribles no fim que gastaram tempo aos gritos de "olé"
A CRÔNICA
por GLOBOESPORTE.COM

Dizem que a experiência anda de mãos dadas com a teimosia. Foi o que se viu no Clássico Vovô na noite deste sábado. No gramado do Maracanã pesado pela chuva, dois "velhinhos" travavam duelo à parte: o Fluminense sonhava vencer para voltar ao G-4 - dependendo de combinação de resultados - repetindo sem parar a jogada aérea. O Botafogo queria os três pontos para seguir na luta de não ser rebaixado insistindo nos contra-ataques durante os 90 minutos. E depois de tanto cruzar e cruzar para a área, o Tricolor conseguiu o seu gol de cabeça e levou a melhor. O potiguar Edson, de 23 anos, testou firme e marcou o gol da vitória, aos 28 minutos do segundo tempo.
O triunfo tricolor de 1 a 0 deixou o Flu com 57 pontos, em 5º lugar, embolado na briga pelo G-4, e fez a felicidade dos tricolores, que foram ao Maracanã em maior número do que os rivais - a renda, de R$ 685.900, teve público pagante de 19.709 e 22.608 presentes. Em situação mais dramática, o Botafogo segue com 33 pontos e na amarga 18ª posição. Na próxima rodada, a de número 35, os dois clubes cariocas terão pela frente adversários catarinenses. O Tricolor receberá no Maracanã a Chapecoense, na quinta-feira. O Alvinegro enfrentará na véspera, na quarta, o Figueirense, em São Januário.
Teimosia sem gol
Os dois times sabiam da necessidade de vencer, mas cada um entrou com uma estratégia. E ambos deixaram o primeiro tempo sem balançar a rede. O Flu mais ofensivo, mas também mais óbvio. O lema parecia ser "todas as bolas aéreas para o Fred". Seja com Chiquinho, pela esquerda, ou Jean, pela direita, a dificuldade foi grande. Primeiro porque o lateral-esquerdo errava os cruzamentos. Segundo porque a zaga alvinegra estava bem posicionada e marcava bem o atacante. Com Wagner se limitando a toques laterais e Sobis sem achar posição, era Conca quem armava com lucidez, mas tinha pouco espaço. Marcelo Mattos, onipresente no retorno, era um dos cães de guarda.
Edson comemora gol do Fluminense contra o Botafogo (Foto: Paulo Sergio / Photocamera)
 
Após testada firme, Edson comemora gol do Flu contra o Botafogo (Foto: Paulo Sergio / Photocamera)

E foi o camisa 5 quem deu o primeiro susto na partida. O Botafogo se defendia com muitos e sabia que precisava atrair o adversário para dar o bote no contra-ataque, explorando a velocidade de Jobson. E ele sofreu falta logo no começo. Régis cobrou, Marcelo Mattos cabeceou para boa defesa de Cavalieri. O time seguiu rezando a cartilha e, aos 25 minutos, viu Carlos Alberto, até então bem marcado por Valencia, livre, perder a maior chance. O camisa 19 tentou firula a mais e deu tempo a Marlon de prensar a bola. Foi a senha para algum tricolor arriscar, nem que fosse de fora da área. Edson tentou, mas sem direção. Precisou Conca dar caneta em Andreazzi daquelas de valer o ingresso para o Flu acordar mais no jogo. Logo, logo, Sobis deu mais emoção, batendo cruzado para Jefferson brilhar. Fora isso, a equipe não transformou o domínio em chances de gol.

Testada firme de Edson

Na segunda etapa, o Flu seguiu em busca do gol. E o Botafogo, no contra-ataque, teve mais uma chance, em arrancada de Andreazzi. Mas o jogador bateu em cima de Cavalieri. Dessa vez, o Flu acertou no troco: Jean finalmente cruzou na cabeça de Fred, e a bola foi para fora, mas chegou perto do gol. O time insistia no jogo aéreo. O centro de Chiquinho encontrou Conca livre para a cabeçada, mas Dankler salvou o que poderia ser o primeiro gol da partida. Toma lá, dá cá. E já sem Jobson e Andreazzi, mas com Gegê e Bolatti, o Alvinegro assustou no lançamento para a velocidade de Murilo. Mas o jogador encobriu demais Cavalieri e a trave.

Cristóvão resolveu mexer, e sacou Sobis para pôr Walter. Logo depois, o gol tricolor: Wagner acertou um cruzamento, e Edson, elétrico na partida, subiu mais alto que a zaga alvinegra e testou firme, aos 28. Jefferson ainda tocou na bola, mas nada pôde fazer: 1 a 0 para o Flu. O Botafogo foi obrigado a se soltar mais ao ataque, e o Flu seguiu na teimosia das jogadas aéreas. No fim, em meio ao desespero alvinegro, a torcida tricolor pedia "olé". Walter, perto da bandeirinha de escanteio, deu sua sambadinha. Era hora de segurar o resultado e comemorar. A briga pela Libertadores está mais viva do que nunca. O Botafogo segue no drama para não ser rebaixado.
 
33ª RODADA
Atlético-PR vence, alcança número mágico e mantém Botafogo no Z-4
Cléo marca duas vezes, uma delas de forma irregular, e ajuda Furacão a somar 46 pontos. Cariocas criam pouco e têm Junior Cesar expulso

DESTAQUES DO JOGO
  • deu trabalho
    Marcelo
    Veloz, o camisa 7 foi a principal válvula de escape dos visitantes. Além de dar o passe para o primeiro gol, finalizou três vezes e recebeu quatro faltas.
  • recorde negativo
    nove expulsões
    Com o cartão vermelho de Junior Cesar, o Bota tornou-se o time recordista neste quesito no nacional. Airton tem o maior número individual: dois.
  • faltou pontaria
    finalizações
    Com maior posse de bola, o Botafogo finalizou seis vezes a mais do que o rival: 16 a 10. Mesmo assim, Weverton fez apenas uma defesa difícil.
A CRÔNICA
por GloboEsporte.com


O Atlético-PR manteve sua boa fase, aproveitou o péssimo momento do Botafogo e fez 2 a 0 no Raulino de Oliveira, na noite deste sábado. Cléo marcou duas vezes, uma delas de forma irregular, e chegou a nove gols no Campeonato Brasileiro. Os paranaenses conseguiram a quinta vitória em seis rodadas e atingiram 46 pontos, número considerado suficiente para evitar o rebaixamento. Os cariocas veem o pesadelo ficar cada vez mais real ao desperdiçarem a chance de sair do Z-4 e somarem 33 pontos, por enquanto na 18ª posição.

O Furacão abriu o placar no primeiro tempo e sofreu alguma pressão no segundo - Zeballos acertou a trave, e Weverton fez defesa sensacional em chute de Jobson. Os visitantes viram a situação ficar mais tranquila depois da expulsão de Junior Cesar e marcaram o segundo em um contra-ataque já no fim, diante de 2.609 pagantes. O próximo adversário será o Sport, na Arena da Baixada.

A equipe carioca pode terminar a rodada em penúltimo lugar caso o Bahia vença o Goiás, neste domingo. Na 34ª rodada, faz o clássico contra o Fluminense, no Maracanã.


O Botafogo tinha mais a bola no pé nos minutos iniciais, mas as falhas nos momentos de definição perto da área adversária eram constantes. A primeira chance do jogo foi do Atlético-PR, aos quatro minutos, quando Jefferson logo foi obrigado a fazer ótima defesa após Marcelo, melhor em campo, cruzar para Marcos Guilherme aparecer completamente livre. Depois do susto, os donos da casa voltaram a esboçar tentativas, mas também voltaram a parar nos erros no passe final. As finalizações mal assustavam Weverton, que quase não trabalhou.


Foi dos pés de Marcelo que surgiu a jogada do gol que abriu o placar no Raulino de Oliveira. Aos 27, Dankler fez ótimo desarme mas saiu jogando errado. O atacante do Furacão encontrou Cléo adiantado. A arbitragem mandou seguir, e o camisa 9, sozinho, não perdoou. Teve tempo de colocar na frente, pensar e tirar o goleiro botafoguense da jogada. Em desvantagem, o Alvinegro seguiu dando espaços e diminuiu ainda mais as investidas antes do intervalo.


Vagner Mancini trocou Yuri Mamute por Bruno Correa na volta para o segundo tempo, mas a ineficiência ofensiva dos cariocas permaneceu. O Furacão, por sua vez, se manteve fechado e só saía na boa. Outra vez, no entanto, foi Jefferson o primeiro goleiro a trabalhar. Em cruzamento pelo lado esquerdo, se esticou todo para evitar novo gol de Cléo em cabeçada. Diante de uma defesa bem posicionada, o meio-campo do Botafogo criava ainda menos chances de gol. Airton, volante, por algumas vezes assumiu a função de armador da equipe.


Somente aos 20 minutos veio a primeira chance dos mandantes na etapa final, em finalização para fora de Gabriel. Mas instantes depois a situação ficou ainda pior. Junior Cesar deixou o braço no rosto de Deivid, levou o cartão vermelho direto e deixou o time com um jogador a menos. Perto do fim, dois lances ainda acordaram a torcida botafoguense. Mas a trave, em lance de Zeballos, e Weverton, após chute de Jobson, garantiram a vantagem paranaense. Cléo, novamente, aproveitou boa troca de passes em contra-ataque e deu números finais ao jogo.


Cléo Atlético-PR Botafogo (Foto: Gustavo Oliveira/ Site oficial Atlético-PR)

Autor de dois gols, Cléo comemora no Raulino de Oliveira (Foto: Gustavo Oliveira/ Site oficial do Atlético-PR)


32ª RODADA

Cruzeiro
2 x 1 Botafogo

18
°
Gols: Egídio , Marquinhos Gols: Léo(contra)
Cruzeiro marca cedo, tira o pé, leva susto no fim, mas vence o Botafogo
Rodrigo Souto e Bolatti abusam dos erros contra o líder, que não perdoa. Marquinhos e Egídio definem vitória. Léo faz contra nos acréscimos

DESTAQUES DO JOGO
  • momento decisivo
    4 min
    Bem contra o Fla, Rodrigo Souto, improvisado como zagueiro começou muito mal a partida. Um erro seu permitiu a Marquinhos criar toda a jogada do 1º gol.
  • nome do jogo
    Everton Ribeiro
    O meia do distribuiu chapéus - um em cada tempo -, tocou a bola com a categoria de sempre e deixou Marcelo Moreno na cara do gol pelo menos duas vezes.
  • sozinho
    Jefferson
    O goleiro não teve muito o que fazer nos dois gols logo no início da partida e ainda fez outras boas defesas, sendo o melhor jogador do Botafogo no Mineirão.
A CRÔNICA
por GloboEsporte.com


Não era jogo para cumprir tabela. Mas bem parecia. Com uma mínima inspiração no início da partida, o Cruzeiro definiu sua 19ª vitória na competição contra um Botafogo nervoso, que entregou rapidamente dois gols em falhas individuais e que só mostrou alguma reação no segundo tempo. Com 2 a 0 até os acréscimos - gols de Marquinhos e Egídio - diante de quase 36.004 pagantes (37.768 presentes, com renda de R$ 1.807.922), o relaxamento da Raposa por pouco não ameaçou o resultado positivo, quando Léo fez contra após cruzamento despretensioso para a área mineira. Nada que pudesse ameaçar muito o líder isolado do Brasileiro.

Ainda cinco pontos na frente do segundo colocado São Paulo, o Cruzeiro, com 64 pontos, administra boa vantagem para conquistar o título. No próximo domingo, pela 33ª rodada, o time de Marcelo Oliveira enfrenta o Criciúma, no Mineirão, às 19h30.
Com 33 pontos, o Botafogo segue na zona de rebaixamento - 18º lugar - e ameaçado de jogar a Segunda Divisão em 2015. Na próxima rodada, o time alvinegro enfrenta o Atlético-PR em Volta Redonda, às 21h, no estádio Raulino de Oliveira.


egidio cruzeiro x botafogo (Foto: Getty Images)

Egídio comemora seu golaço de falta contra o Botafogo, o segundo do Cruzeiro (Foto: Getty Images)

Em 15 minutos, Cruzeiro 2 a 0
Qualquer manual de atuação fora de casa pede que o visitante administre a pressão nos primeiros 15 minutos de partida. Imagine então quando se enfrenta o líder do campeonato? Mas logo aos quatro minutos Rodrigo Souto tentou dominar a bola, errou e Marquinhos, de chaleira, fez um bonito gol após dar um balão no zagueiro improvisado. Dez minutos depois, Bolatti passou mal a bola para trás. Na sequência, Souto, sem outro recurso, fez falta na entrada da área em Julio Baptista. Egídio bateu a falta no ângulo e Jefferson olhou, sem ter muito o que fazer: 2 a 0 Cruzeiro em 15 minutos de bola rolando.


Sem precisar fazer muita força, o Cruzeiro tinha um jogo que se desenhava tranquilo ainda no primeiro tempo. Naturalmente, o time de Marcelo Oliveira tirou o pé. O que poderia significar uma reação do Botafogo, acabou abrindo espaço na verdade para mostrar um pouco do nervosismo alvinegro. Primeiro, Junior Cesar acertou o pé esquerdo no rosto de Everton Ribeiro, em exagerada tentativa de cortar a bola. Minutos depois, o técnico Vagner Mancini tanto esbravejou contra o bandeirinha, o quarto árbitro e o juiz que terminou expulso. Em banho-maria, o líder do campeonato levou os 2 a 0 para o vestiário com tranquilidade.


vagner mancinii cruzeiro x botafogo (Foto: Denilson Dias/O Tempo/Agência Estado)

Vagner Mancini tanto reclamou que acabou expulso (Foto: Denilson Dias/O Tempo/Agência Estado)

Jobson movimenta o jogo

A etapa final começou animada. Os dois times perderam gols incríveis. Primeiro foi Carlos Alberto. O meia-atacante alvinegro recebeu cruzamento perfeito de Régis, pareceu não acreditar na falha de Dedé, e pegou muito mal na bola, tirando como um zagueiro da pequena área. Pouco depois, Everton Ribeiro levantou a cabeça e cruzou para Marcelo Moreno. O atacante cruzeirense perdeu a chance completamente sozinho na área botafoguense.


Os técnicos mudaram o time no segundo tempo. Nilton e Dagoberto substituiram Lucas Silva e Julio Baptista. Esbravejando muito de um camarote, Mancini colocou Ramírez e Jobson nos lugares de Bolatti e Rogério. O polêmico atacante ameaçou logo minutos depois, ao chutar forte e obrigar Fábio a fazer grande defesa. No fim, depois do tempo regulamentar e de Marcelo Moreno perder outras chances, o Cruzeiro retribuiu a ajuda do início do jogo com um gol contra do zagueiro Léo: 2 a 1. Era muito pouco para o Botafogo e o suficiente para mais uma vitória do time mineiro em busca do caneco.

Botafogo volta a brilhar na Arena da Amazônia e bate o Flamengo

Rogério e Wallyson garantem novo triunfo do Alvinegro em Manaus. Mal e dominado no primeiro tempo, time rubro-negro reage tarde no clássico

Por Manaus
  • seis minutos
    haja acréscimo
    Em um jogo sem confusões ou longas paralisações, o árbitro Ricardo Marques Ribeiro levou Mancini à loucura ao acrescer seis minutos na etapa final.
  • volante garçom
    Bolatti
    O argentino teve atuação destacada. Foi o principal protagonista na jogada do gol de Rogério, além de assistir Wallyson no segundo gol.
  • o alvo
    Lucas Mugni
    Escalado como armador da equipe e com a 10 às costas, Mugni nada criou. Mal o segundo tempo começou, e as vaias tornaram-se constantes.
Manaus faz bem ao Botafogo. No difícil mês de outubro, marcado por demissões de medalhões e pela chegada à lanterna na briga contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, o Alvinegro venceu somente na Arena da Amazônia – já havia batido o Corinthians há duas semanas. Na noite deste sábado, passou pelo Flamengo com um merecido triunfo por 2 a 1. Dominou o arquirrival nos 45 minutos iniciais e foi cirúrgico no segundo tempo. Rogério e Wallyson marcaram os gols alvinegros, e Eduardo da Silva descontou para os rubro-negros.

Com a vitória, o Glorioso ganha novo fôlego no Z-4: é o 17º colocado, com 33 pontos, um a menos que o Vitória, primeiro time fora do grupo que leva à Segunda Divisão. Com 40 pontos, o Flamengo manteve-se em 11º lugar. As duas equipes voltam a campo pelo Brasileirão no domingo, 2 de novembro. O Botafogo enfrenta o líder Cruzeiro no Mineirão, às 17h (de Brasília), e o Rubro-Negro recebe a Chapecoense no Maracanã, às 19h30.
Antes, no entanto, o Fla tem seu primeiro compromisso pelas semifinais da Copa do Brasil, contra o Atlético-MG – razão por que Vanderlei Luxemburgo poupou vários jogadores no clássico carioca. O jogo contra o Galo está marcado para quarta-feira, às 22h, no Maracanã.
Rogério e Carlos Alberto, gol Botafogo (Foto: Danilo Mello / Ag. Estado)

Carlos Alberto e Bolatti comemoram com Rogério, autor do primeiro gol (Foto: Danilo Mello / Ag. Estado)

Botafogo faz por onde e sai na frente
O primeiro tempo não apresentou uma partida de alto nível técnico aos torcedores que compareceram à Arena da Amazônia – 42.391 pessoas, com 39.561 pagantes, números abaixo dos 43.675 ingressos esgotados em 10 horas no primeiro dia venda, o que garantiria recorde de público no estádio construído para a Copa do Mundo. Ruim, todavia, também não foi. As equipes se movimentaram bastante, mas o Botafogo era mais ofensivo e, sobretudo, incisivo. Antes de marcar, aos 33 minutos, já havia chegado com perigo em finalizações de Carlos Alberto e Wallyson.

O gol, conquistado merecidamente, saiu em bela jogada coletiva. Bolatti partiu da intermediária de ataque e deu a Wallyson, que esperou o momento certo de devolver. O argentino se projetou, recebeu e rolou para Rogério, com um tapa de primeira, abrir o placar. Justo prêmio a um time que agrediu muito mais. O número de finalizações (6 a 3) e escanteios (6 a 0), ambos favoráveis ao Glorioso, refletiram a superioridade alvinegra. Desentrosado e atrapalhado pela falta de ritmo do lateral-direito Léo, o Flamengo não fez nada de relevante. Mugni até balançou a rede com um bonito toque de chaleira, mas estava impedido.

Wallyson define vitória com golaço
A volta do intervalo foi muito morna. Luxa até tentou aquecer seu time com as entradas de Eduardo da Silva e Elton nos lugares de Luiz Antonio e Nixon, respectivamente. Não deu. Aos 10, nova tentativa: sacou Mugni para a entrada de Igor Sartori. Nada feito. O jogo era fraquíssimo. O Flamengo nada fazia, e o Botafogo só se defendia. Até um lindo lance dar graça à etapa. Aos 22, Marcelo errou na saída de bola, Bolatti a recuperou e adiantou para Wallyson, que, em chute de rara felicidade, colocou no ângulo. Um golaço.

A fatura parecia liquidada. O Rubro-Negro seguia inerte, e o Alvinegro tentava administrar o placar. Veio o lampejo do Fla e dos pés do atleta que merecia. Melhor do Fla em campo, Anderson Pico pegou bola na lateral esquerda, cortou dois adversários e tocou para Gabriel, que só ajeitou. Pico disparou bomba na trave direita de Jefferson, e no rebote Eduardo da Silva empurrou para o gol vazio: 2 a 1, aos 29.

Aos 48, Jefferson, pouquíssimo exigido durante o jogo, fez jus à condição de titular da seleção brasileira. O Rubro-Negro aproveitou desatenção da defesa rival e cobrou escanteio rapidamente com Pico. Elton finalizou à queima-roupa, e o camisa 1 alvinegro operou um milagre para garantir o resultado. E que resultado para o Botafogo.