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Sem falar de Bota, Seedorf cita greve e exalta recorde de jogos em um ano

Holandês destaca trabalho que o manteve em condições de atuar no clube, mas não responde sobre sua permanência e a saída do técnico Oswaldo de Oliveira

 

Por Rio de Janeiro


Sempre que comparece a um evento específico, Seedorf não fala sobre outros assuntos. Assim, em entrevista coletiva depois de sua palestra no Footecon 2013, o holandês se recusou a responder sobre sua permanência no Botafogo ou a saída de Oswaldo de Oliveira.

Seedorf mostrou preocupação com o futuro do futebol brasileiro e admitiu a possibilidade de uma greve, atitude cogitada pelo Bom Senso FC, caso os pedidos do órgão não sejam atendidos.

- Isso significa que gosto muito do Brasil, dos brasileiros. O país me deu muita coisa. A troca é me preocupar em ajudar a melhorar - disse Seedorf, que acredita no bom senso.

- Somos trabalhadores e se no diálogo não conseguirmos outras ações devem ser feitas para que a decisão seja tomada por quem deve tomar. Mas gostei da reunião e não vai chegar a esse ponto.

FOOTECON 2013 Seedorf e Mancini  (Foto: André Durão ) 
Seedorf ao lado de Vagner Mancini, técnico do Atlético-PR, no Footecon 2013 (Foto: André Durão )
 
Sobre o calendário, Seedorf voltou a citar a diferença de dias entre o último jogo de uma temporada e o primeiro da seguinte. Na Europa, segundo ele, é de 85 dias. Aqui, teria uma média de 35.

- O calendário do Brasileiro é muito puxado para todos. Vários garotos de 20 anos tiveram lesão muscular duas ou três vezes no ano. Eu trabalhei muito com o Alex Evangelista, meu fisioterapeuta (e do Botafogo) e foi maravilhoso. Fiz 57 jogos esse ano (recorde pessoal) por isso. Há pessoas de bom nível profissional aqui. Na Europa, há coisas boas que o Brasil pode pegar e há coisas aqui que a Europa poderia pegar para aplicar - comentou Seedorf.

O holandês citou o nome de Alex Evangelista em um dia no qual o Botafogo demitiu o fisiologista Altamiro Bottino e os preparadores físicos Leandro Cardoso e Marlos Almeida. O próprio Alex e outros membros da comissão técnica tiveram reuniões durante esta terça-feira, mas não suas situações seguem indefinidas, inclusive a de Gabriel Oliveira, filho de Oswaldo, que trabalha como analista de desempenho. O treinador deixou o clube na segunda-feira.

Pacotão do Brasileirão tem Walter como líder de faltas e 'banheiras'

Além das infrações, atacante do Goiás termina a competição com o maior número de impedimentos. Holandês Seedorf foi quem mais errou passes

 

Por Rio de Janeiro
 

Walter comemoração Goiás contra Bahia (Foto: Carlos Costa / Agência Estado) 
Walter lidera faltas cometidas e impedimentos no
Brasileirão (Foto: Carlos Costa / Agência Estado)
 
Walter aterrorizou as zagas adversárias durante todo o Brasileirão. Além do enorme poder de finalização, o camisa 9 do Goiás também ajudava bastante na armação da equipe. Não era difícil ver ele saindo da área para organizar as jogadas ofensivas do time com categoria e visão de jogo. A marcação era forte, e muitos podem imaginar que o atacante foi um dos mais caçados do campeonato. Mas não. Curiosamente, o artilheiro do Esmeraldino terminou a competição como o jogador que mais cometeu faltas, com 87 ao todo, seis a mais que o meia Éverton, do Atlético-PR, segundo da lista.

Outro ponto desfavorável para Walter são os impedimentos. O atacante do Goiás foi flagrado em posição irregular em 27 oportunidades. Ele também fechou esta estatística na liderança, mas com a companhia de William, da Ponte Preta. Ambos ficaram entre os cinco principais goleadores do Brasileirão (13 gols para Walter e 14 para William), e talvez se tivessem sido um pouco mais atentos ao posicionamento, poderiam ter incomodado mais o baixinho Éderson na briga pela ponta da artilharia.

Seedorf foi o cérebro do Botafogo na competição. Dos pés do craque holandês partiam quase sempre as principais jogadas alvinegras. Uma prova disso são as nove assistências para os companheiros marcarem. No entanto, sua participação intensa na criação também fez com o que o meia terminasse o campeonato no topo dos passes errados. O camisa 10 errou o fundamento 180 vezes no Brasileirão, superando D'Alessandro, do Internacional, e Egídio, do Cruzeiro, que aparecem logo na sequência com 161.

Pacotao_Brasileirao_2013_3 (Foto: arte esporte)

O Vitória fez uma excelente campanha e terminou na quinta colocação com 61 pontos, o mesmo número do Botafogo, que ficou com a vaga no G-4 por ter um triunfo a mais (17 a 16). E muito se deve às grandes atuações de Wilson. O goleiro rubro-negro foi quem mais fez defesas difíceis no Brasileirão, 81 ao todo, superando, por exemplo, o campeão Fábio, do Cruzeiro, com 62.

Willians comemora gol do Inter no Gre-Nal (Foto: Alexandre Lops/Divulgação, Inter) 
Willians foi mais uma vez o maior ladrão de bolas do
campeonato (Foto:Alexandre Lopes/Divulgação Inter)
 
Nas roubadas de bola não teve para ninguém. O volante Willians, do Internacional, conseguiu 111 roubos na competição, 23 a mais que Ralf, do Corinthians, o segundo colocado do ranking. Outro número impressionante é o de Kleber, do Grêmio. O Gladiador foi disparado o jogador mais caçado do Brasileirão. Ele sofreu 161 faltas, 30 a mais que D'Alessandro, que vem na sequência.

A média de público subiu um pouco. Foram 14.969 pagantes em 2013 contra 13.004 no ano passado. O maior público ficou com empate por 0 a 0 entre Santos e Flamengo, no Mané Garrincha, em Brasília, na primeira rodada. 63.501 pagantes assistiram ao duelo na capital federal, que marcou a despedida de Neymar do Peixe. Já o número de cartões diminuiu. Neste ano, os árbitros mostraram 1.629 amarelos e 107 vermelhos, enquanto em 2012 foram 1.878 amarelos e 113 vermelhos.

Confira abaixo mais alguns números do Brasileirão 2013:
finalizações brasileirão 2013 (Foto: Reprodução )
 

Seedorf sugere datas do Brasileiro intercaladas com as dos estaduais

Jogador do Botafogo pede melhor distribuição de jogos e diz que nacional deveria ser disputado durante o ano inteiro: 'O calendário é um problema'

 

Por Rio de Janeiro


FOOTECON 2013 Seedorf (Foto: André Durão )Seedorf acha que problema não é quantidade de jogos, mas a sua distribuição (Foto: André Durão )
 
Seedorf apresentou uma sugestão de mudança no calendário do futebol brasileiro em sua participação no Footecon, fórum de gestão que é realizado há dez anos no Rio de Janeiro. Ele não levou anotações e deu opiniões fortes, pedindo o fim da malandragem no país, em mesa ao lado de Felipe Ximenes, ex-gerente do Coritiba, Américo Faria, superintendente do Boavista, e Vagner Mancini, técnico do Atlético-PR, mediada por Fernando Gonçalves, executivo da Traffic.

Seedorf sugeriu a disputa do Campeonato Brasileiro em dez meses. Mas manteve os campeonatos estaduais e pediu que fossem realizados de forma intercalada ao Brasileiro, o que tornaria a competição mais longa, mantendo o número de jogos.

- O calendário é um problema, sim. Não é a quantidade de jogos, mas a distribuição. Fiz uma proposta sem perder nada de usar o Brasileiro o ano todo e levar mais para frente o estadual, que seria valorizado. Seria uma opção para o treinador fazer rodagem de jogadores. Às vezes, há alguns com salários importantes no banco que ficam sem jogar e, assim, teriam seus minutos. Dessa forma, os clubes não mandariam mais embora o treinador tão rapidamente - disse o holandês.

A opinião de Seedorf foi diretamente contrária ao que Américo Faria apresentou. Ele mostrou números que, em sua análise, diziam que o Brasil precisa na verdade de mais jogos. Para ele, os clubes que jogam a Taça Libertadores deveriam se adequar ao calendário, e não o contrário.

Seria uma opção para o treinador fazer rodagem de jogadores. Às vezes, há alguns com salários importantes no banco que ficam sem jogar e, assim, teriam seus minutos Seedorf, sobre Brasileiro e estaduais serem disputados simultaneamente
 Integrante do Bom Senso F. C., Seedorf lembrou a necessidade de haver maior respeito entre todos os setores do futebol. Para ele, há uma preocupação em ser mais malandro do que o outro para levar vantagem.

- Precisamos mostrar que não é guerra. Todo mundo tem responsabilidade. Devemos convidar todo mundo a fazer o correto. Competência tem muito aqui, não é falta de profissionalismo. É um querer ser mais malandro que outro, só querem ganhar dinheiro e ninguém melhora - comentou Seedorf.

Apesar dos problemas ainda existentes, o holandês acredita no sucesso do futebol brasileiro. Para ele, o potencial é de um líder mundial no esporte.

- O futebol cria expectativa como entretenimento. Não é mais esporte. Precisamos criar um produto melhor, e o potencial do Brasil é para virar o melhor produto do mundo - afirmou Seedorf, que fez questão de falar com Zagallo durante a palestra, lembrando a semifinal da Copa do Mundo de 1998, quando o então técnico da seleção brasileira o convidou para jogar no Brasil, fato que acabou acontecendo no ano passado, ao ser contratado pelo Botafogo.

Aos 39, Paulo Baier divide prêmio com Seedorf e outros veteranos

Jogador do Atlético-PR também lembra de Alex, Juninho Pernambucano e Zé Roberto e afirma que permanece no Furação para Libertadores 2014

 

Por São Paulo



Maior artilheiro da história dos pontos corridos, Paulo Baier não apenas segue nos gramados, aos 39 anos, como foi escolhido um dos melhores meias do Campeonato Brasileiro. Na festa que premiou os destaques, na noite desta segunda-feira, o jogador do Atlético-PR não esqueceu de outros veteranos, com quem fez questão de dividir o prêmio (assista ao vídeo).

- Quero dividir isso com alguns jogadores que são importantes dentro do futebol brasileiro. Fui escolhido meia, mas gostaria de dividir com Seedorf (37 anos), o Zé Roberto (39), o Alex (36) e o Juninho Pernambucano (38). Nós, jogadores de 38, 39 anos, abrimos porta para essa meninada que está vindo aí - disse, citando os atletas do Botafogo, Grêmio, Coritiba e Vasco, respectivamente.

FRAME Paulo Baier, do Atlético-PR, recebe prêmio (Foto: Reprodução SporTV) 
Paulo Baier, do Atlético-PR, recebe prêmio de
melhor meia (Foto: Reprodução SporTV)
 
Animado com o momento da carreira, Paulo Baier afirmou que não pensa em parar e disse ter um acordo com o presidente do Furacão para renovar o contrato e defender o clube paranaense na Libertadores do próximo ano.

- Temos acordado com o presidente e ele já anunciou. Não tem nada no papel ainda, mas confio muito no presidente e com certeza em 2014 estarei presente em mais um ano - garantiu.
Chamado de garotão pelo apresentador Galvão Bueno, Paulo Baier disse que se sente muito bem, apesar de estar perto dos 40 anos.

- Tenho 39, com espírito de 29 - respondeu.

Paulo Baier também recebeu o troféu do companheiro Manoel, do Atlético-PR, escolhido melhor zagueiro da competição, ao lado de Dedé, do Cruzeiro. Manoel sentiu-se mal e não pôde comparecer à festa, realizada nesta segunda-feira, em São Paulo.

R10 desbanca Seedorf e Montillo e vence enquete do gol mais bonito

Craque tem 44,3% dos votos, contra 39,4% do meia do Peixe. Souza (Cruzeiro), Seedorf (Botafogo) e Marcelo (Atlético-PR) completam a lista 

 

Por Rio de Janeiro



Após ficar pouco mais de dois meses longe dos gramados por conta de uma lesão na coxa esquerda, Ronaldinho Gaúcho voltou com moral para disputa do Mundial de Clubes. Destaque do Galo no empate de 2 a 2 com o Vitória, no último domingo, o camisa 10 venceu a enquete de gol mais bonito da 38ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com um bela cobrança de falta, a estrela alvinegra deixou para trás Montillo (Santos), Souza (Cruzeiro), Marcelo (Atlético-PR) e Seedorf (Botafogo).


No duelo que terminou empatado, em Belo Horizonte,  o time baiano saiu na frente com gols de Marquinhos e Maxi Biancucchi. Porém, com Ronaldinho Gaúcho inspirado, o Atlético-MG foi buscar o empate. O camisa 10 balançou as redes em uma cobrança de falta e em outra de pênalti. Com o resultado, o Galo acabou o Brasileirão na oitava colocação. Já o Leão ficou em quinto.

Ronaldinho Gaúcho (Foto: Maurício Paulucci ) 
 
Ronaldinho voltou aos gramados após dois meses. Meia foi o destaque do Atlético-MG (Foto: Maurício Paulucci )
 
Sétimo no Campeonato Brasileiro, o Santos derrotou o Goiás, sexto, por 3 a 0 no Serra Dourada. Montillo foi o destaque do time da Vila Belmiro com dois gols. Cícero fez o outro da partida. A partida marcou a despedida de Claudinei Oliveira do comando do Peixe.

No Maracanã, o jovem goleiro César, do Flamengo foi o destaque do empate em 1 a 1 com o Cruzeiro. Em sua estreia como profissional, a revelação rubro-negra teve grande atuação. Porém, em chute forte de fora da área, o volante Souza venceu o arqueiro e deixou sua marca no Maracanã. Hernane marcou para o time da casa. A Raposa terminou a competição em primeiro, enquanto os cariocas ficaram na 11ª posição.

O Botafogo venceu o Criciúma por 3 a 0, garantiu uma vaga no G-4 do Brasileiro e deixou sua vaga na Taça Libertadores encaminhada. Destaque do time na temporada, Seedorf deixou sua marca na última partida na temporada. Lodeiro e Elias também marcaram na vitória sobre o time catarinense, que acabou na 16ª posição.

Apesar da briga nas arquibancadas do estádio em Joinville, o Atlético-PR fez bonito, goleou o Vasco por 5 a 1, terminou na terceira posição e garantiu uma vaga na Libertadores. Marcelo, Pailo Baier e Éderson fizeram os gols do time paranaense. Edmilson descontou para os cariocas, que em 18º está rebaixado para Série B.
 

Bota faz reformulação na preparação física e demite vários funcionários

Depois da saída do técnico Oswaldo de Oliveira na segunda-feira, reuniões estão sendo realizadas nesta terça-feira em General Severiano para anunciar as mudanças

 

Por Rio de Janeiro

Fisiologista Altamiro Bottino Botafogo (Foto: Satiro Sodré / AGIF)Fisiologista Altamiro Bottino deixa o clube (Foto: Satiro Sodré / AGIF)
 
As mudanças do Botafogo não esperam apenas a definição da vaga na Taça Libertadores do ano que vem. Uma série de reuniões vem sendo realizadas em General Severiano para comunicar a demissão de funcionários do departamento de preparação física.
Já foram informados da saída o fisiologista Altamiro Bottino, no clube há seis anos e considerado referência em sua função, e os auxiliares de preparação Leandro Cardoso e Marlos Almeida. Outros membros da comissão técnica também vão conversar com os dirigentes do clube no decorrer da tarde.

O Botafogo já havia anunciado a saída do técnico Oswaldo de Oliveira na segunda-feira, um dia depois da vitória sobre o Criciúma e a confirmação do quarto lugar no Campeonato Brasileiro. Com ele, deixaram o clube o auxiliar Luiz Alberto e o preparador físico Ricardo Henriques.

A vaga na Libertadores de 2014 só será conquistada caso a Ponte Preta não conquiste a Copa Sul-Americana na final contra o Lanús, da Argentina, nesta quarta-feira. Só com essa situação definida é que o Botafogo anunciará oficialmente o nome do novo treinador.

Tite admite influência de organizadas nos clubes: 'Isso tem que ser barrado'

Ex-técnico do Corinthians diz que já foi impedido de treinar após eliminação para o Tolima e atuou como mediador em protesto de torcedores

 

Por Rio de Janeiro


http://globotv.globo.com/sportv/redacao-sportv/v/tite-diz-que-existem-interferencias-de-torcedores-nos-clubes/3008989/

Há três dias longe do comando do Corinthians, Tite admitiu que uma minoria de torcedores influencia negativamente os clubes de futebol, exigindo participação política e utilizando meios de coerção para intimidar os profissionais das equipes. Em participação no "Redação SporTV", o treinador disse que episódios como a violenta briga entre torcidas no jogo entre Atlético-PR e Vasco, no último domingo, irão se repetir caso medidas drásticas não sejam tomadas (assista ao vídeo).

- Já tivemos essa situação. É um pouco cultural. Há sempre essa iniciativa do torcedor, por todos os clubes por onde eu passei, achar que pode cobrar, te jogar um fogo de artifício, desrespeitar em um treinamento, achando que isso pode te mobilizar para fazer um jogo melhor. Isso tem que ser sim barrado. Tem que ser diretivamente, pelas pessoas que comandam. Tem que cobrar os profissionais de outras formas.

Há sim uma interferência, não sei quanto é em cada clube, mas que o profissional sente que há, sim"
Tite
 
Tite lembra a pressão exercida por parte de torcedores organizados após a eliminação do Timão para o Tolima, na Libertadores de 2011. Na competição deste ano, o treinador viveu o que considera o momento mais triste de sua carreira - a morte do torcedor boliviano em Oruro, atingido por um sinalizador durante uma partida contra o San Jose, em abril. Naquele dia, 12 corintianos foram presos acusados de envolvimento na morte do jovem Kevin Espada.

- Depois do jogo contra o Tolima, não conseguimos treinar. O presidente pediu para que todos os carros fossem cuidados, e eu resolvi na minha forma - disse o treinador, lembrando que os veículos foram quebrados por torcedores.

Técnico Tite participa do Redação (Foto: Reprodução SporTV) 
Técnico Tite participa do Redação SporTV
(Foto: Reprodução SporTV)
 
Sem revelar o nome da equipe, Tite recordou uma de suas experiências profissionais na qual teve de atuar como mediador entre um desentendimento entre torcedores e parte da diretoria.

- Assumi um clube em uma situação muito difícil. Tinha uma manifestação no primeiro jogo meu em que a torcida iria ficar de costas, para reclamar contra dois dirigentes. Fui conversar com as organizadas e disse que estava assumindo em uma situação difícil. Disse que se não tivesse o auxílio, teria seis ou sete jogos e viria outro profissional e seguiria a decadência, o clube seria prejudicado. A responsabilidade que eu tenho é não admitir indisciplina e não ter a melhor condição de trabalho possível. Há sim uma interferência, não sei quanto é em cada clube, mas que o profissional sente que há, sim.

Zagallo aposta em derrota da Ponte Preta, e Botafogo na Libertadores

Treinador lamenta saída de Oswaldo de Oliveira do Alvinegro, mas afirma: 'Falam de coisas que só acontecem ao Botafogo, mas não vai acontecer não'

 

Por Rio de Janeiro


http://globotv.globo.com/sportv/sportvnews/v/zagallo-analisa-brasil-na-copa-quem-quer-ser-campeao-nao-se-preocupa-com-sorteio/3008866/

Um dos principais nomes da história do Botafogo, Zagallo mostrou confiança na conquista da vaga para a Taça Libertadores. Apesar do clube ter terminado em quarto lugar no Campeonato Brasileiro, ainda precisa torcer para o Lanús ganhar a final da Copa Sul-Americana contra a Ponte Preta para se garantir na competição continental. O Velho Lobo também lamentou a saída de Oswaldo de Oliveira do comando do time e garantiu que desta vez não terão "coisas que só acontecem com o Botafogo".

- É uma perda grande por tudo que ele realizou. Com vários problemas dentro da própria equipe, perdendo jogadores importantes, tendo que promover os garotos e manteve a equipe durante longo período lá no G-4. Teve uma queda no final, mas voltou ao quarto lugar. Tenho certeza, não sou contra a Ponte Preta, não posso ser contra o Jorginho, mas é um jogo difícil na Argentina. Todo mundo fala de coisas que podem acontecer ao Botafogo. Não vai acontecer não. Vai disputar a Libertadores - garantiu.

Zagallo foi jogador do Botafogo entre 1958 e 1965, além de ter quatro passagens como treinador da equipe. Somando os tempos de atleta e de técnico da equipe, foram 23 títulos defendendo o Alvinegro.

A partida entre Lanús e Ponte Preta, pela decisão da Copa Sul-Americana, será disputada nesta quarta-feira, às 21h50m (de Brasília), no estádio La Fortaleza, na Argentina. No primeiro jogo, no Pacaembu, as equipes empataram por 1 a 1. Qualquer empate leva a partida para a prorrogação. Caso a igualdade se mantenha, haverá disputa de pênaltis.

Zagallo (Foto: Reprodução / SporTV.com) 
Zagallo mostrou confiança em classificação do Bota para a Libertadores (Foto: Reprodução / SporTV.com)

Mais um certo: após Edílson, Bolívar renova por um ano com o Botafogo

Depois de se tornar um dos líderes do grupo, zagueiro garante permanência para a próxima temporada antes mesmo da definição da vaga na Libertadores

 

Por Rio de Janeiro


Bolivar Botafogo e Portuguesa (Foto: Andre Durão) 
Bolívar foi o xerife do Botafogo na temporada (Foto: Andre Durão)
 
O primeiro a renovar contrato depois do fim do Campeonato Brasileiro foi o lateral-direito Edílson. Agora, o Botafogo acertou com o zagueiro Bolívar até o fim de 2014. Aos 33 anos, ele chegou ao clube no começo da temporada passada e terminou 2013 como o jogador que mais entrou em campo, com 58 jogos, ao lado do lateral-esquerdo Julio Cesar. Sempre como titular.

O acerto com Bolívar aconteceu antes mesmo da definição da vaga na Taça Libertadores do ano que vem. O Botafogo terminou na quarta colocação no Campeonato Brasileiro e depende da derrota da Ponte Preta para o Lanús, da Argentina, na final da Copa Sul-Americana para se classificar. Se conseguir, quebrará um jejum de 17 anos sem participar da competição.

Além de Bolívar e Edílson, o Botafogo ainda precisa resolver a situação do atacante Elias, que está emprestado pelo Resende até o fim do ano. Já o atacante Bruno Mendes também encerra seu compromisso no dia 31 de dezembro e não deve ficar.

O Botafogo espera a final da Copa Sul-Americana para definir o novo treinador. A saída do técnico Oswaldo de Oliveira foi confirmada na segunda-feira, uma dia depois da vitória sobre o Criciúma, no Maracanã, que garantiu a melhor campanha do clube desde a criação do sistema de pontos corridos no Campeonato Brasileiro em 2003.

Governo garante medidas imediatas contra violência em estádios: 'Vexame'

Na abertura do Footecon, no Rio, secretário nacional de Futebol, Antônio Nascimento, revela reunião na próxima quinta-feira: ‘Inadmissível o que está acontecendo’

Por Rio de Janeiro


 
http://globotv.globo.com/rede-globo/globo-esporte-rj/v/cenas-de-barbarie-torcedores-de-atletico-pr-e-vasco-se-agridem-intensamente-em-joinville/3006711/

O Footecon é um fórum de gestão de futebol que acontece há dez anos no Rio de Janeiro. No entanto, na abertura da edição de 2013, o tema violência nos estádios brasileiros não poderia ficar de fora. Representando o ministro do Esporte Aldo Rebelo, o secretário nacional de Futebol, Antônio Nascimento, falou sobre as cenas lamentáveis que ocorreram no último domingo em Joinville, na partida entre Atlético-PR e Vasco, quando as duas torcidas se confrontaram na arquibancada. Ele lamentou o episódio e prometeu medidas imediatas.

- Desculpa abordar esse tema, mas precisamos falar sobre isso. O governo está preocupado. O que aconteceu em Joinville foi um vexame. Tomaremos medidas imediatas. Teremos uma reunião na quinta-feira, em Brasília. Convidamos o Ministério Público, o conselho do Ministério de Justiça, a CBF, os clubes e as federações para uma conversar. É inadmissível o que está acontecendo – disse o secretário.
Antônio Nascimento falou em medidas drásticas, mas ressaltou que as leis para isso já existem. Ele rechaçou qualquer comparação com o futebol inglês da década de 80, uma vez que o Brasil conta com uma legislação específica, que é o estatuto do torcedor. Para ele, o que precisa acontecer agora é punição aos vândalos dos estádios brasileiros.  

- Nós temos uma legislação, que é o estatuto do torcedor. Estamos mais avançados que a Inglaterra estava na década de 80. Mas tem que colocar em prática, tem que prender. Com tudo o que vimos no domingo, em Joinville, apenas três ou quatro foram presos. Não são torcedores. São vândalos.

abertura  FOOTECON 2013  (Foto: André Durão) 
Na abertura do Footecon, promessas de medidas conta a violência nos estádios (Foto: André Durão)

O secretário ainda abordou um tema polêmico revelou que o governo brasileiro é contra a extinção das torcidas organizadas nas arenas brasileiras.

- A solução não é excluir as torcidas organizadas. Temos quase 2 milhões de membros de organizadas no Brasil. Acredito que não tenhamos dois milhões de vândalos. Temos é que cumprir a lei que já existe. Precisamos que o judiciário faça e que a policia faça.

A Footecon acontece em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, até esta quarta-feira. O evento é organizado pelo coordenador técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira.

Critério de desempate dá a Walter o Troféu Armando Nogueira de 2013

Com média igual a Paulo Baier, atacante do Goiás fatura o prêmio por ganhar bônus dado aos craques de cada rodada do Brasileiro da Série A

Por Rio de Janeiro

Sensação do Campeonato Brasileiro de 2013 devido aos quilinhos a mais, Walter provou que não é só um corpinho fora dos padrões de atleta. Com uma regularidade impressionante, o atacante manteve o Goiás na luta por uma vaga na Libertadores até a última rodada e foi sinônimo de eficiência nos gols e nas assistências. No fim das contas, o lugar na competição sul-americana não foi obtido. Em compensação, Walter conquistou o prêmio de craque do Troféu Armando Nogueira desta temporada.

Chamada Carrossel Walter Goiás (Foto: Dhavid Normando/Futura Press) 
 
Walter fez 13 gols e deu seis assistências no Brasileiro (Foto: Dhavid Normando/Futura Press)
 
A briga que os dois travaram foi tão acirrada que o camisa 18 esmeraldino só foi premiado amparado pelos critérios de desempate. Com 6,78, ele teve a mesma média de atuação de Paulo Baier, meia do Atlético-PR, e garantiu o primeiro lugar por ter sido craque de uma rodada, a 30ª, quando teve bela exibição justamente contra o Rubro-Negro paranaense. Os melhores de cada rodada ganharam um bônus de 0,05 na média final . Apesar da nível alto de atuação que conseguiu manter, Paulo Baier não teve o privilégio de ser eleito o craque de nenhuma das 38 rodadas desta edição da Série A. Além disso, Walter também levaria vantagem no segundo critério, que é o de ter realizado mais jogos do que o veterano do Furacão (32 a 27), o que torna mais difícil a missão de manter uma média alta.

Três jogadores do futebol mineiro completam a lista do top 5. Everton Ribeiro e Fábio, ambos do campeão Cruzeiro, ficaram na terceira e quinta colocações, respectivamente. O quarto lugar foi de Diego Tardelli, do Atlético-MG. O curioso é que nenhum deles foi a campo na última rodada, o que poderia alterar as primeiras posições ou até mesmo evitar que o prêmio fosse para as mãos de Walter.

Na disputa posição por posição, Juan (Vitória) tornou-se o melhor lateral-esquerdo ao passar a média de Carlinhos (Fluminense) no último domingo. O jogador tricolor está lesionado e ficou fora de grande parte do segundo turno. Portanto, não teve a oportunidade de melhorar o seu rendimento. Juan se aproveitou disso e atropelou na reta final, terminando a competição com 6,13, um pouco à frente do rival de posição.

Se fosse montada uma seleção com as médias do Armandão, o Cruzeiro teria cinco representantes: Fábio, Mayke, Dedé, Lucas Silva e Everton Ribeiro. Além de Walter, o Goiás tem o zagueiro Rodrigo entre os melhores. Juan (Vitória), Elias (Flamengo), Paulo Baier (Atlético-PR) e Diego Tardelli (Atlético-MG) completariam o time.

Artilheiro do campeonato com 21 gols, o atacante Ederson entre no top 5 da posição devido ao excelente desempenho que teve no último domingo. Com três gols e uma assistência, ele foi o craque da última rodada e no geral só ficou atrás de Walter (Goiás), Diego Tardelli e Fernandinho (Atlético-MG), e Marcelo (Atlético-PR).

INFO prêmio Armandão final Walter (Foto: Editoria de Arte)
 

Para Gaciba, arbitragem de 2013 foi mais 'light' e melhor que a de 2012

Ex-árbitro defende mais ações pela profissionalização da categoria e diz que Copa trará muitos benefícios à arbitragem nacional

 

Por São Paulo

A arbitragem nacional é sempre um capítulo à parte e polêmico no Campeonato Brasileiro. Reclamações de todo lado viraram rotina tanto dentro de campo como fora dele. Mas, segundo o ex-árbitro e hoje comentarista de arbitragem Leonardo Gaciba, 2013 foi melhor que o ano passado. Ao mesmo tempo, ele pede mais ação na busca pela profissionalização da categoria e acredita que a Copa do Mundo no Brasil será uma boa oportunidade para a arbitragem nacional.

- Vejo um grupo novo sendo formado por uns 50 árbitros que apitaram essa competição, vi uma arbitragem brasileira mais "light", muito compatível com o seu comandante (Antônio Pereira da Silva). A média de cartões amarelos baixou muito no Brasileiro, mas a média de faltas infelizmente não se consegue baixar. Acima de tudo foi uma arbitragem mais comedida, com erros como todos os anos. Não adianta, jogador perde gol e árbitro não dá pênalti, isso é o que acontece. Na média geral, talvez tenha sido até melhor do que no ano passado - disse Gaciba.

Leonardo Gaciba, comentarista de arbitragem (Foto: Reprodução/SporTV) 

Leonardo Gaciba, comentarista de arbitragem, vê ano de 2013 mais 'light' (Foto: Reprodução/SporTV)
A nova legislação para os árbitros, aprovada pela presidente Dilma Roussef, em outubro, prevê o direito de formação de sindicatos de árbitros, mas ainda não estabelece vínculos empregatícios. Leonardo Gaciba lembra ainda que, além da busca por direitos, é importante uma unidade em busca de critérios mais claros, o que fica difícil quando primeiro o árbitro responde a uma federação nos Estaduais, e depois à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), durante o Brasileiro.

"Tem que parar com esse papo de profissionalismo só no papel. Esse profissionalismo tem que começar a partir para a prática, começar a dar estrutura para o pessoal, dar suporte para que consigam manter um padrão de arbitragem."
Leonardo Gaciba, comentarista de arbitragem
- Tem que parar com esse papo de profissionalismo só no papel. Esse profissionalismo tem que começar a partir para a prática, começar a dar estrutura para o pessoal, dar suporte para que consigam manter um padrão de arbitragem. Na verdade, o árbitro hoje em dia é filho de duas mães, é criado pela sua federação durante o campeonato estadual com as orientações, e depois, no meio do ano, ele é jogado para a segunda mãe, que é a CBF. Então, deveria ter um trabalho conjunto para que se tivesse um padrão melhor. Um dos grandes segredos de apitar bem é ter critério.

Para o comentarista, a Copa do Mundo de 2014 no país será importante para que os árbitros brasileiros possam conhecer melhor o “padrão Fifa” existente também nessa área.

- Será fantástico, uma experiência ímpar para todo mundo, para que esses árbitros tenham contato com árbitros internacionais de primeira linha. Eles vão acabar participando de cursos como convidados, conhecerão os instrutores e suas maneiras de pensar, e acima de tudo para os árbitros brasileiros que não são árbitros internacionais conhecerem o profissionalismo com que a Fifa trabalha com a arbitragem, conhecerão o verdadeiro “padrão Fifa” - concluiu.

Vaga no G-4 coroa melhor campanha do Bota na era dos pontos corridos

Glorioso bate seu recorde de pontuação, vitórias, aproveitamento e menos gols sofridos. Para fechar 2013 com chave de ouro, time aguarda para ir à Libertadores

 

Por Rio de Janeiro

Botafogo comemoração jogo Criciúma (Foto: Satiro Sodre / SSPress)Jogadores comemoram triunfo diante do Tigre e vaga no G-4 (Foto: Satiro Sodre / SSPress)
 
Apesar de a vaga na Libertadores ainda não estar confirmada, já que o Botafogo depende do resultado da final da Copa Sul-Americana, que será disputada entre Lanús e Ponte Preta na próxima quarta-feira - se a equipe paulista conquistar o título "rouba" o lugar do Glorioso na competição -, o time de General Severiano tem o que comemorar em 2013.

Além de ter sido campeão carioca no início do ano, pela primeira vez na era dos pontos corridos, disputada desde 2003, o time terminou o Brasileiro entre os quatro primeiros. E mais, a goleada por 3 a 0 contra o Criciúma, no último domingo, resultou na sua melhor campanha no formato atual do campeonato. Foram 17 vitórias, 61 pontos e um aproveitamento de 53,5%.

Antes, o recorde de mais triunfos era de 2011, quando o Alvinegro carioca venceu 16 vezes. Já o de pontos somados foi na edição de 2010, onde o Bota terminou com 59, na sexta posição e com 51,8% de aproveitamento. Além destas, outra marca batida pelo time na disputa deste ano foi a de menos gols sofridos: 41.

Um dos principais responsáveis pela marca da defesa alvinegra, o zagueiro Bolívar comemorou o ano apesar dos momentos de instabilidade e espera um 2014 com ainda mais conquistas por parte do Glorioso.

- Para nós, se essa vaga na Libertadores vier, será como se fosse um título. A torcida tem visto nossa entrega. Tivemos um 2013 feliz, com a conquista do Carioca e uma grande regularidade, apesar de todos os problemas que enfrentamos. Conseguimos suportar muito bem. Esperamos um 2014 ainda melhor - afirmou o camisa 4, que está muito próximo de renovar seu contrato com o Botafogo.

* Texto de Diogo Santarém, estagiário, sob a supervisão de Rodrigo Sirico

Mundo perde a Enciclopédia da bola: morre o alvinegro Nilton Santos

Bicampeão mundial pela Seleção, ídolo do Botafogo, maior lateral-esquerdo de todos os tempos e amigo de Garrincha perde luta contra mal de Alzheimer

Por Rio de Janeiro



Fazia frio naquela noite de 8 de junho de 1958 em Uddevalla, cidadezinha na Suécia. Ali, no estádio Rimnersvallen, o Brasil estreava na Copa do Mundo contra a então perigosa Áustria. A Seleção vencia por um 1 a 0, gol de Mazzola. O jogo não estava nada fácil. Aos seis minutos do segundo tempo, um lance mudaria a partida e, de certa forma, contribuiria para uma nova ordem do futebol mundial. O time austríaco tentava atacar pelo lado direito. A bola foi lançada para o ponta Horak. Nilton Santos, o lateral-esquerdo brasileiro, à época já com 33 anos, se antecipou. Tomou-lhe a bola e se lançou ao ataque.

- Volta, Nilton! - berrava o técnico Vicente Feola, preocupadíssimo com o contra-ataque.
Como todo craque que se preza, Nilton Santos desobedeceu às ordens do treinador. Voltar, nada. Seguiu na arrancada, incomum aos laterais, na época meros marcadores. Tabelou com Mazzola e, na área, tal como um atacante extraclasse, tocou com categoria por cima do goleiro: era o segundo gol brasileiro na vitória por 3 a 0 (assista ao vídeo acima). Ali começava o caminho do primeiro título brasileiro. Ali começava uma nova forma de se atacar. Ali o mundo começava a conhecer, de fato, o maior lateral-esquerdo de todos os tempos. Nada menos que a Enciclopédia do Futebol, como era carinhosamente chamado Nilton Santos, bicampeão mundial pelo Brasil, tantas vezes campeão pelo Botafogo, único clube em que atuou e hoje chora, com todo o Brasil, a sua morte, aos 88 anos, após infecção pulmonar e longa luta contra o mal de Alzheimer. O ex-jogador estava internado desde sábado à noite na Fundação Bela Lopes, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, com complicações respiratórias.

Ao ser informado do falecimento, o presidente Maurício Assumpção imediatamente ordenou que a bandeira alvinegra fosse colocada a meio mastro na sede de General Severiano, e uma bandeira com o rosto do ídolo também foi exposta. O ex-jogador será velado no Salão Nobre da sede, na Zona Sul do Rio, com previsão para início às 20h, e o enterro está marcado para as 16h desta quinta-feira, no cemitério São João Batista, em Botafogo. O clube emitiu nota oficial de lamento pela morte, e a CBF decretou luto no futebol do país e a observação de um minuto de silêncio nos jogos.

São muitas as histórias emblemáticas de Nilton dos Santos, nascido a 16 de maio de 1925 na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Se em 1958 o craque mostrou que lateral podia atacar e até se aventurar a fazer gols - marcou 11 como profissional em toda a carreira, um número alto para a época -, no bicampeonato mundial de 1962 fez da malandragem uma arma poderosíssima para salvar o Brasil. Nilton Santos era Enciclopédia até para consertar o próprio erro.

Foi no jogo contra a Espanha, em Viña del Mar, no Chile, em 6 de junho. A Seleção perdia por 1 a 0 e estava desnorteada quando o lateral derrubou na área o ponta Enrique Collar. Era pênalti. Mas o árbitro estava distante do lance e não percebeu os dois passos à frente de Nilton logo após ter feito a falta. E esses passos o deixavam fora da área. Foi o suficiente para o chileno Sérgio Bustamante marcar falta. O Brasil acabou vencendo por 2 a 1 e caminhou rumo ao bicampeonato mundial.

Bastariam essas duas histórias para Nilton Santos entrar para a história do futebol. Mas Nilton Santos fez muito, muito mais. Era tão bom e perfeito com a bola nos pés que ganhou o apelido de Enciclopédia. De fato, sabia tudo de bola. Que o digam os torcedores do Botafogo, beneficiados pela exclusividade de vibrar com as jogadas do maior lateral de todos os tempos - é oficial, a Fifa reconheceu em 2000.

Alto (1,84m), habilidoso (ambidestro), veloz, clássico, elegante, forte. Nilton já era assim desde moleque, tanto no futebol de praia quanto no Flexeiras, onde chegou com 14 anos após experiência no remo, que lhe dera mais força física. E foi assim que se fez no Botafogo, onde chegou com 23 anos após ter se destacado no time do Exército - era o único soldado em meio a tenentes e capitães.

Santo baile de Garrincha
Ao assinar contrato em branco com o clube, se  tornou o maior soldado em preto e branco: é o recordista de jogos (718 partidas), ganhou o Rio-São Paulo de 1962 e 1964 e foi campeão carioca em 1954, 1957, 1961 e 1962. No bicampeonato estadual, formava o timaço-base da Seleção bicampeã mundial, com Didi, Zagallo, Amarildo... E Mané Garrincha.
 
"Naquele tempo, lateral que passasse do meio do campo era considerado maluco."
Nilton Santos, sobre o gol na Copa de 1958 

Aliás, Garrincha e o ex-lateral estavam sempre ligados por causos curiosos. Nilton Santos era Enciclopédia até para levar um baile. Foi o que aconteceu no primeiro treino do Mané no clube alvinegro. O jogador das pernas tortas nem tomou conhecimento do astro botafoguense
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- Ele me deu um baile. Pedi que o contratassem e o pusessem entre os titulares. Eu não queria enfrentá-lo de novo - disse certa vez, às gargalhadas, o maior fã da Alegria do Povo, como passou a ser chamado Mané.

Mosaico Nilton Santos 620 (Foto: Editoria de Arte) 
Com a camisa alvinegra, Nilton Santos mostrou classe com a bola nos pés. Recebeu o carinho da família, de técnicos como Joel Santana. E posou aos pés do Cristo Redentor. Na seleção brasileira, com Pelé & Cia., foi bicampeão mundial nas Copas de 1958 e 1962 e foi pioneiro como lateral ofensivo (Foto: Editoria de Arte)
 
E o bom olheiro Nilton Santos era Enciclopédia também para contar histórias. Fala mansa, sempre bem-humorado, se divertia tanto com os causos de Garrincha quanto com os duelos com o maior rival, o Flamengo.

- O pessoal da imprensa instigava o Manga. E amanhã, Manga, como é que vai ser? Sim, já peguei meu bicho adiantado (...) E a torcida do Flamengo ficava louca. Porque normalmente a gente ganhava. Nosso time era bom: Garrincha, Didi, Paulo Valentim, Quarentinha e Zagallo. E ainda tinha de fora o China. Tinha o Amarildo. Tinha um montão de gente.

Pelo sol
As histórias de Nilton Santos estão entre as mais saborosas do futebol desde sua estreia pelo Botafogo, em 1948, em amistoso contra o América Mineiro. Poucos sabem, mas foi Zezé Moreira que, nos treinos, descobriu ser a lateral esquerda a posição certa de Nilton Santos, e não o ataque, onde jogava nas peladas, ou a zaga, onde chegou a se pensar em lançá-lo. Afinal, tinha bom porte, era seguro na marcação, se posicionava bem, se antecipava aos atacantes com facilidade.

"Tu, em campo, parecias tantos, e no entanto, que encanto!"
Eras um só, Nilton Santos"
Armando Nogueira, em poema para o ídolo
 
Ambidestro desde os tempos que ia de arquibancada assistir aos treinos de Zizinho, seu ídolo, e participar das peladas na praia, Nilton Santos acabou assumindo a posição diante da falta de bons canhotos na época. E gostava de dizer que marcava os atacantes pelo sol... Olhava pela sombra do adversário e tinha ali a referência do posicionamento correto para marcá-lo.

Os companheiros brincavam que, em dias nublados, Nilton Santos não teria muito o que fazer. O correto, no entanto, é que o jogador era completo em qualquer situação. Foi assim que se tornou ídolo alvinegro. Para muitos, o maior de todos, não só por ter atuado mais vezes pelo clube como também pelo fato de a camisa gloriosa ter sido a única que vestiu além da amarelinha da Seleção.

Quatro Copas
Na Seleção, Nilton Santos participou de quatro Copas do Mundo. Na tragédia de 1950, foi preterido pelo técnico Flávio Costa e sequer entrou em campo. Quatro anos depois, estava Nilton Santos na Suíça como titular, vestindo a camisa 3. A primeira partida em Mundiais foi na goleada por 5 a 0 sobre o México. O lateral ainda atuou no empate por 1 a 1 com a Iugoslávia e na derrota por 4 a 2 para a Hungria, quando o Brasil sucumbiu diante de Puskas & Cia.

O brasileiro conhece Garrincha da Seleção. O que eu o vi fazer pelo Botafogo por esse mundo afora é um negócio de louco"
 
Nilton Santos, sobre o "compadre"
 
Os dois fiascos em Copas deram experiência para o lateral, em 1958 e 1962, ser decisivo. Priimeiro com a camisa 12 e depois com a 6, foi dono da posição e atuou nas 12 partidas da campanha do bicampeonato mundial. Nas 75 partidas oficiais e 10 não oficiais pela Seleção, marcou dois gols e ganhou outros títulos, como o Sul-Americano de 1949, quando fez sua estreia. 
Depois que parou de jogar, Nilton Santos escreveu o livro "Minha bola, minha vida", contando sua trajetória. Recebeu inúmeras homenagens do Botafogo, numa relação de amor poucas vezes vista entre clube e jogador. E ainda contribuiu para o título carioca de 1989, quebrando jejum de 21 anos.

"Preleção" em 1989

 Já aposentado, o eterno ídolo alvinegro foi convidado a participar da preleção no vestiário do Maracanã na final contra o Flamengo. Lá, usou da "psicologia" e a boa e velha superstição para injetar confiança nos jogadores. Lembrou dos tempos vitoriosos contra o rival nos anos 1960. Quando perguntado sobre quem gostaria que estivesse ali, não pensou duas vezes:

- O Mané. Mas eu já rezei pra ele, e ele vai nos ajudar - disse o Enciclopédia.
Resultado final: Botafogo campeão ao vencer por 1 a 0, gol de Maurício usando a camisa 7 eternizada por Garrincha.

Esse e muitos outros causos com o compadre Garrincha fazem parte do arquivo de memórias do eterno craque. Celebrado por ídolos como Jairzinho, Paulo Cezar, Marinho Chagas, Garrincha, Didi, Zagallo e Junior e jornalistas como Armando Nogueira (assista ao vídeo acima com um conto), João Saldanha, Sandro Moreyra, João Máximo, Marcos de Castro e tantos outros, a Enciclopédia estará sempre na cabeceira dos que amam o futebol.
Coluna do Ancelmo Goes

Morre Nilton Santos, a enciclopédia do futebol


Nilton Santos, 88 anos, na foto, acaba de falecer na Fundação Bela Lopes, em Botafogo. Ele foi internado com infecção pulmonar.
Ídolo do Botafogo, o ex-craque fez parte da Seleção Brasileira nos campeonatos mundiais de 1950 (reserva), 1954, 1958 e 1962. Foi campeão com as duas últimas seleções.
Em 2000, Nilton Santos foi eleito pela Fifa como o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos. Carioca da Ilha do Governador, Nilton era tão botafoguense que ainda arrumou um jeito de morrer em Botafogo.

Cruzeiro supera 2003, e Náutico pode ter recorde na era dos pontos corridos

Botafogo tenta superar trauma de 2007 para conseguir se manter no G-4 e ainda almejar algo mais. Líder tem o terceiro melhor aproveitamento

 

Por Rio de Janeiro

Torcida; Cruzeiro; Mineirão (Foto: Washington Alves / Vipcomm) 
Torcida celeste no Mineirão tem feito a diferença pela
liderança (Foto: Washington Alves / Vipcomm)
 
 
O primeiro turno do Campeonato Brasileiro se encerrou com um líder indiscutível. A campanha do Cruzeiro fala por si só: 40 pontos, 70,2% de aproveitamento, com direito a 12 vitórias, quatro empates e apenas três derrotas, sem contar a invencibilidade no Mineirão. A torcida celeste está esbanjando confiança e tem razão, já que os números, desde que a competição é disputada em pontos corridos, reforçam o otimismo. Nos dez campeonatos anteriores, 70% dos campeões de turno levantaram a taça no fim do returno. No entanto, o sinal de alerta não pode ser apagado, especialmente porque as duas melhores campanhas na primeira metade do torneio - Atlético-MG, em 2012, e Grêmio, em 2008 - não garantiram a festa de alvinegros e tricolores. A terceira melhor é justamente a da Raposa em 2013.

Se o Cruzeiro se basear no retrospecto histórico para ver a conquista mais próxima, é nele mesmo que os seus perseguidores têm que pensar para entender que o líder pode ser desbancado. A vantagem celeste é de quatro pontos para o segundo colocado Botafogo, metade da diferença que Flamengo, em 2009, e São Paulo, em 2008, tiveram que tirar para encher ainda mais as suas já lotadas salas de troféus. Além do Alvinegro carioca, Grêmio e Atlético-PR, seis atrás, também não precisam se considerar fora da briga. Do Corinthians para baixo, seria uma inédita recuperação em termos de pontos. Voltando a 2009, porém, o Rubro-negro carioca era apenas o sétimo colocado na virada do turno, o que dá esperança a ainda mais equipes.

Esta não é a primeira vez que a Raposa fecha o primeiro turno na liderança e, em sua outra experiência em 2003, o título foi confirmado. A vantagem para o Santos, que estava na vice-liderança, era ainda menor - de três pontos -, assim como o aproveitamento, que foi de 68,1%. Vale lembrar ainda que, no primeiro campeonato da era dos pontos corridos, 24 equipes estavam na disputa e, com muito mais jogos, o risco de perder a ponta há dez anos era bem maior.

Info Brasileirão 2013 -  Lider ao  Fim do primeiro Turno (Foto: Editoria de Arte)

Os integrantes do G-4 também tem dado favorável, pois 65% deles no primeiro turno conseguem se manter nessas posições, o que garante vaga na Taça Libertadores da América do ano seguinte. Para chegar à principal competição sul-americana, o percentual é maior ainda, pois 77,5% dos que estão entre os quatro primeiros na metade do caminho chegam lá, afinal muitas vezes o atual campeão continental e da Copa do Brasil abrem vagas para o quinto e o sexto se classificarem.

Quando analisamos o histórico dos atuais membros do G-4, o Botafogo é o único que precisa quebrar um tabu. Em 2007, o time carioca terminou o turno coincidentemente na vice-liderança, mas caiu muito de produção e acabou em nono lugar na classificação geral. Para o Atlético-PR, a posição é inédita. Cruzeiro, três vezes, e Grêmio, duas, sempre que estiveram entre os quatro ao fim do turno, foram à Libertadores. A Raposa, em 2007, até saiu do G-4 no fim, mas a quinta colocação assegurou a vaga.

Info Brasileirão 2013 - G4 ao Fim do Turno (Foto: Editoria de Arte)

Nada parece dar certo para o Náutico no Brasileirão 2013. E os números devem deixar a sua torcida ainda mais preocupada. Em primeiro lugar, desde 2006 com 20 clubes no campeonato, o lanterna do turno nunca se safou. A missão do Timbu fica ainda mais complicada quando observamos o aproveitamento de apenas 16,7% dos pontos disputados. Os pernambucanos até têm uma partida a menos, mas só uma vitória no jogo adiado contra o Santos, na Vila Belmiro, impede que a campanha entre para a história como a pior de todos os tempos na era dos pontos corridos. Se empatar, iguala os 17,5% do América-RN de 2007 e, se perder, fica com 15,8% de aproveitamento.

Em números gerais da era dos pontos corridos, 38 times acabaram o turno no Z-4 (ou Z-2 em 2003) e 20, ou 53%, acabaram mesmo sendo rebaixados. Desconsiderando os três primeiros anos e contando apenas a competição com 20 participantes, o percentual de queda sobe para 64% (18 em 28). O que significa que, se a média se mantiver neste ano, pelo menos três entre Portuguesa, São Paulo, Ponte Preta e Náutico estarão disputando a Segundona em 2014.

Info Brasileirão 2013 - Z4 ao Fim do Turno (Foto: Editoria de Arte)